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STF Inicia Julgamento dos Mandantes do Caso Marielle

Quase oito anos após os disparos que ecoaram no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro

STF Inicia Julgamento dos Mandantes do Caso Marielle
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Quase oito anos após os disparos que ecoaram no bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, o centro da justiça brasileira voltou seus olhos para a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. Nesta terça-feira, teve início o julgamento histórico dos acusados de planejar e ordenar o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

Diferente do júri popular que condenou os executores (Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz) em 2024, este julgamento foca na "cabeça" do crime: os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, além do ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, e outros corréus.

O Clima no Supremo: Entre a Dor e a Esperança

A sessão começou sob forte comoção. Na primeira fileira do plenário, familiares das vítimas — incluindo a ministra Anielle Franco (irmã de Marielle) e Luyara Franco (filha) — acompanharam cada minuto.

"Justiça não é um sentimento, é um processo concreto. Oito anos é tempo demais para quem espera por resposta", desabafou Luyara na chegada ao tribunal.

A Tese da Acusação: O Obstáculo Político

A Procuradoria-Geral da República (PGR) abriu os trabalhos reiterando que o crime teve motivação estritamente política. Segundo a acusação, Marielle era vista como um "obstáculo direto" aos interesses econômicos e territoriais do grupo liderado pelos Brazão na Zona Oeste do Rio, especialmente em questões ligadas à regularização fundiária em áreas dominadas por milícias.

Rivaldo Barbosa: Acusado de usar seu cargo na Polícia Civil para garantir a impunidade, planejando o crime de forma que as investigações fossem desviadas desde o primeiro dia.

Ronald Pereira: Apontado como o responsável pelo monitoramento da agenda de Marielle no dia do crime.

A Estratégia das Defesas: Ataque às Delações

Como esperado, os advogados dos réus adotaram uma postura agressiva contra a principal prova do processo: a delação premiada de Ronnie Lessa. As defesas alegaram falta de credibilidade no depoimento do assassino confesso, classificando-o como uma tentativa de Lessa de obter benefícios penais.Sustentaram que não existem "provas técnicas" ou "corroborações materiais" que liguem diretamente os irmãos Brazão à ordem do assassinato. Solicitaram a absolvição completa, tentando invalidar o mérito da denúncia por supostas fragilidades no inquérito policial.

O Rito do Julgamento

O julgamento é presidido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. Após as sustentações orais da PGR e das defesas, o colegiado — composto também pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino — começará a proferir seus votos.

Diferente de um júri comum, aqui os ministros analisam tecnicamente as provas de organização criminosa e duplo homicídio qualificado. A expectativa é que o julgamento se estenda por mais sessões, dada a complexidade e o volume de páginas do processo.

O Que Esperar?

O segundo dia deverá ser marcado pelo início dos votos dos ministros. O país aguarda para saber se a tese da "blindagem política" finalmente cairá por terra ou se os questionamentos das defesas sobre as delações ganharão força no colegiado.

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