Médica e pré-candidata denuncia falhas na gestão estadual após caso de recém-nascido e relatos de falta de insumos em unidade de Porto Seguro
A médica, ex-secretária de Saúde de Porto Seguro e pré-candidata, Raissa Soares, cobrou nesta segunda-feira (27) providências do governo da Bahia após a morte do recém-nascido Bryan Benício Figueiredo Nascimento, de apenas 20 dias, que aguardava transferência por meio do sistema de regulação estadual para realização de cirurgia cardíaca.
O caso ocorreu no domingo (26) e gerou comoção na região de Macaúbas, no sudoeste baiano. Diagnosticado com uma cardiopatia congênita grave poucas horas após o nascimento, o bebê dependia de uma vaga em unidade especializada, que não foi disponibilizada a tempo, segundo relatos de familiares.
Paralelamente, denúncias registradas no Hospital Estadual Luiz Eduardo Magalhães (LEM), em Porto Seguro, no extremo sul do estado, apontam que pacientes seguem aguardando cirurgias ortopédicas por falta de materiais básicos, como próteses. Relatos indicam que pessoas com fraturas permanecem dias em corredores à espera de procedimentos já indicados por equipe médica.
Também há registros de pacientes regulados que enfrentam dificuldades para transferência por ausência de ambulâncias, mesmo após definição de encaminhamento para unidades de referência, muitas vezes localizadas em Salvador ou em outros centros com maior estrutura.
Para Raissa, os episódios evidenciam falhas na condução da saúde pública estadual.
“Quando um bebê morre aguardando regulação e, ao mesmo tempo, pacientes ficam dias esperando cirurgia por falta de material básico, não estamos falando de casos isolados. Isso revela um problema de gestão, de organização e de prioridade”, afirmou.
A médica destacou ainda que a realização de cirurgias ortopédicas em hospitais estaduais é de responsabilidade do governo da Bahia, cabendo à Secretaria da Saúde garantir contratos, abastecimento e funcionamento adequado das unidades.
“Não é possível tratar como normal pessoas aguardando dias por uma cirurgia já indicada, sem o mínimo de estrutura necessária. Quando falta material e logística, quem sofre é o paciente, que fica esperando por algo que deveria estar garantido”, disse.
Raissa também defendeu maior fiscalização e transparência na condução do sistema de regulação e na oferta de serviços de média e alta complexidade no interior do estado.
“A saúde não pode funcionar no limite da espera. Cada atraso pode representar um agravamento do quadro, e em alguns casos, como vimos, pode custar uma vida”, completou.

Comentários: