A Lecar, montadora de veículos elétricos e híbridos comandada pelo empresário capixaba Flávio Figueiredo Assis — autointitulado o "Elon Musk brasileiro" — está sob investigação. Uma nota técnica da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda identificou "fortes indícios de conduta fraudulenta" e estrutura de pirâmide financeira nas operações da empresa.
O Modelo de Negócio Sob Suspeita
A polêmica gira em torno da "Compra Programada". O sistema funciona da seguinte forma:
-
O cliente paga parcelas por 48, 60 ou 72 meses (sem juros).
-
A promessa é receber o veículo após quitar metade do período.
-
O problema: A Lecar ainda não possui fábrica construída nem autorização do Ministério da Fazenda para operar essa modalidade de venda antecipada.
Os 4 "Sinais de Alerta" Identificados pela Fazenda
De acordo com o relatório técnico, o negócio apresenta características clássicas de esquemas ilícitos:
-
Taxa de Adesão: Exigência de pagamento para que o participante atue como revendedor (o famoso "pagar para trabalhar").
-
Produto Inexistente: Venda de promessas futuras sem um veículo validado ou homologado.
-
Pressão Psicológica: Uso de gatilhos de urgência e escassez para acelerar a entrada de novos membros.
-
Dependência de Novos Fluxos: A empresa declarou explicitamente que depende da adesão de novos consumidores para manter o caixa e cumprir obrigações anteriores.
"A promessa de ganhos robustos sem investimentos é um marcador típico de esquemas desvinculados de atividade econômica real", afirma o documento enviado ao Ministério Público Federal (MPF).
Trajetória: Da Narrativa à Realidade
Fundada em 2022, a Lecar utiliza uma estratégia de marketing agressiva inspirada na Tesla. Embora projete uma fábrica de R$ 870 milhões em Sooretama (ES) com capacidade para 120 mil carros por ano, o projeto acumula atrasos e mudanças de rota — como a desistência de fabricar carros 100% elétricos em favor dos modelos híbridos.
O Lado da Empresa

Em resposta, Flávio Assis nega as irregularidades. O empresário defende que a comunicação é transparente e que o público está "apostando em uma causa nacional".
-
Sobre a pirâmide: Assis afirma que a estrutura não se assemelha ao esquema e que é "óbvio" que a entrada de novos clientes aumenta o saldo para o desenvolvimento do projeto.
-
Sobre o produto: Ele admite que não há carro homologado nem fábrica pronta, reiterando que tudo ainda está em fase de desenvolvimento.
-
Sigilo: O empresário não revelou o número de veículos já vendidos ou a quantidade de executivos envolvidos na rede.
O caso segue sob análise do Ministério Público, que apura crimes de pirâmide financeira e publicidade enganosa, conforme previsto no Código de Defesa do Consumidor.


Comentários: