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O Fantasma do Calote Assombra o Turismo de Porto Seguro

O castelo de cartas da BeFly e o bloqueio bilionário de Daniel Vorcaro: O trade local está seguro ou estamos prestes a ver um novo "Caso Hotel Urbano"?

O Fantasma do Calote Assombra o Turismo de Porto Seguro
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O turismo brasileiro tem uma memória marcada por gigantes que pareciam invencíveis, mas que desmoronaram do dia para a noite, deixando um rastro de destruição financeira para hotéis, agências e prestadores de serviço. Hoje, um calafrio percorre a espinha do trade em Porto Seguro. O nome da vez é BeFly, a holding que engoliu 36 empresas em tempo recorde e que agora vê seu principal alicerce financeiro sob um bombardeio judicial sem precedentes.

A Conexão Perigosa: O Bilhão que Balança

A notícia que sacudiu o mercado esta semana é de proporções sísmicas: o STF determinou o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens de Daniel Vorcaro, o homem por trás do Banco Master e o grande entusiasta da expansão agressiva da BeFly. Com Vorcaro novamente no centro de investigações e o Banco Master em liquidação, a blindagem que o CEO da holding, Marcelo Cohen, tenta sustentar começa a apresentar rachaduras.

A pergunta que ecoa nos corredores da ABIH, Abrasel e CDL em Porto Seguro é direta: Onde termina o dinheiro do banco e onde começa a operação da operadora? Se as contas da holding forem contaminadas pelo bloqueio judicial, o pagamento das diárias e serviços já prestados pelo nosso trade local pode simplesmente evaporar.

O Trauma da Soletur e a Vergonha do Hurb

Para os veteranos do turismo em Porto Seguro, o cenário atual é um "déjà vu" aterrorizante. Em 2001, a Soletur — então a maior operadora do Brasil — quebrou em 24 horas. O impacto foi devastador: hotéis fechando as portas e milhares de passageiros abandonados. Mais recentemente, vimos o colapso da HURB (Hotel Urbano), que seguiu a mesma cartilha: crescimento desenfreado, marketing agressivo e, por fim, o calote generalizado no receptivo.

A BeFly seguiu o mesmo roteiro de "gigante indestrutível". Comprou a Flytour, a Belvitur e dezenas de outras marcas, projetando faturamentos bilionários. Mas, como aprendemos com a Soletur, tamanho não é garantia de solvência quando a base financeira está sob suspeita de fraude e lavagem de dinheiro.

O Alerta: Quem vai pagar a conta?

O portal AGAZETTA faz hoje o alerta que as entidades oficiais, muitas vezes por diplomacia ou medo, preferem evitar: o empresário de Porto Seguro precisa de garantias reais. Não podemos aceitar apenas notas de assessoria dizendo que "as empresas são independentes". No mundo financeiro, quando o "dono do dinheiro" cai, o castelo de cartas vem abaixo junto.

O trade de Porto Seguro não pode ser o último a saber. É hora de cautela máxima, de rever contratos e de exigir transparência total nos repasses. O prejuízo de um novo calote em massa seria o golpe final para muitas empresas que ainda se recuperam de crises passadas.

O fantasma da Soletur voltou a rondar a Passarela do Descobrimento. A pergunta não é mais "se" o impacto virá, mas "quando" e "quem" ele vai atingir.

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