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O imposto que ninguém quer pagar e o país que todos querem sustentar

Mas repare: essa frase só soa bonita quando o boleto vem no nome do outro.

O imposto que ninguém quer pagar e o país que todos querem sustentar
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Sabe o que é curioso? Todo mundo diz que “pagar imposto é importante pro país”. Mas repare: essa frase só soa bonita quando o boleto vem no nome do outro. Nas redes, o discurso é simples: “os ricos têm que pagar mais!”. E logo depois, o mesmo que disse isso comemora a isenção até R$ 5.000 de renda mensal, como se tivesse ganhado na loteria. Mas, espera aí… se o dinheiro que fica no bolso “ajuda a movimentar a economia”, então o imposto atrapalha a economia?

Silêncio. A lógica começa a incomodar.

A verdade é que ninguém gosta de imposto, e com razão. Porque aqui no Brasil, pagar imposto é quase um ato de fé: você entrega, e não tem certeza se volta. Mas o que pouca gente discute é quem de fato sustenta o país.

Os números estão aí:
Segundo o IBGE, o Sudeste concentra cerca de 53% de todo o PIB brasileiro, o Sul responde por 16%, enquanto o Nordeste gera 13%, o Centro-Oeste 10% e o Norte 6%.
Ou seja: o dinheiro que banca o Brasil, as escolas, os hospitais, programas sociais, estradas, sai majoritariamente de onde se produz mais, se exporta mais e se paga mais imposto.

Não é opinião, é dado.
E aqui vem o ponto: quando o governo amplia a faixa de isenção e promete compensar isso “cobrando mais dos que ganham mais”, quem vai arcar, na prática, são justamente as regiões que já sustentam as demais.
O Tesouro Nacional mostra que o Sudeste e o Sul juntos respondem por quase 70% de toda a arrecadação federal, enquanto o Nordeste e o Norte, somados, recebem mais de 60% das transferências e repasses federais, via FPE, FPM, Bolsa Família, saúde e infraestrutura.

Nada contra! Isso é o que mantém o país inteiro de pé.
Mas convenhamos: se o discurso é de “justiça fiscal”, então ele precisa valer pros dois lados. Justiça também é reconhecer que quem produz mais já paga mais, e que o objetivo de qualquer política equilibrada deveria ser fazer o Brasil inteiro produzir mais, e não só redistribuir o que vem de um lado pro outro.

A provocação é simples:
Se é justo aliviar o imposto de quem ganha até 5 mil, ótimo.
Mas também é justo perguntar: por que o Estado, que arrecada bilhões das regiões mais produtivas, não consegue fazer as outras regiões se tornarem igualmente sustentáveis?

Talvez o problema não esteja em “quem paga pouco ou muito”, mas em como o país gasta o que arrecada. Enquanto isso, seguimos divididos:

Uns comemoram a isenção, Outros reclamam da mordida extra, E o governo repete que é por “justiça social”. Mas justiça de verdade seria ver o país inteiro contribuindo com mais produção, mais emprego, mais eficiência e não com mais impostos.

No fim, o brasileiro quer a mesma coisa, de Norte a Sul: ver o dinheiro render, e o governo devolver. Mas enquanto isso não acontece, o país continua assim: uns produzem, outros dependem e todos reclamam.

Fontes consultadas:
IBGE – Contas Regionais do Brasil 2022
Tesouro Nacional – Relatório de Transferências Intergovernamentais (FPE/FPM)
Receita Federal – Arrecadação por Unidade da Federação (2024)
Câmara dos Deputados – PL 81/2024 (isenção até R$ 5.000 e imposto mínimo sobre alta renda)

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