Após 15 meses à frente da Secretaria de Turismo de Santa Cruz Cabrália, o empresário Geo Magno abre o jogo sobre o reposicionamento do destino, os desafios da gestão, a relação com o prefeito Girlei Lage e o motivo ético que o fez voltar para sua empresa.
Foram 15 meses de um trabalho intenso que reposicionou Santa Cruz Cabrália no mapa do turismo nacional. Geovson Magno, conhecido no trade como Geo Magno, aceitou o convite do prefeito com um objetivo claro: transformar a cidade que o acolheu desde a infância.
Agora, ele deixa o cargo para reassumir a Coconut Experience, empresa com mais de duas décadas de atuação. Nesta entrevista completa, Geo detalha bastidores, decisões estratégicas e o futuro do destino.
O NOVO POSICIONAMENTO DE CABRÁLIA

AGAZETTA
Você costuma falar muito sobre o reposicionamento do destino e o resgate de Coroa Vermelha. Como foi esse trabalho?
Geo Magno: Esse foi um feito que a gente conseguiu: posicionar Cabrália no mercado, além de Coroa Vermelha. Ela é uma das nossas principais praias, mas durante um bom tempo foi reconhecida como pertencente a Porto Seguro. Hoje deixa de ser. Ela retoma para o seu lugar de origem, pertencendo ao município de Santa Cruz Cabrália. É exatamente aproveitar uma praia paradisíaca onde Cabral tocou pela primeira vez o solo brasileiro, onde ele encontrou os nossos povos originários. Não tem uma história melhor para a gente levar para os nossos filhos.
AGAZETTA
Vilas como Santo André, Santo Antônio e Guaiú ganharam uma visibilidade muito maior. Isso foi desenhado desde o primeiro dia?
GEO MAGNO
Foi extremamente planejado, dada a devida proporção e com todo o cuidado para a gente não trabalhar regiões que têm um impacto diferente com relação ao meio ambiente. Trabalhamos com a nossa equipe de maneira estratégica, envolvendo o Conselho Municipal de Turismo e os parceiros de cada vila. Definimos o rumo e que tipo de público queríamos alcançar. Por isso nós tivemos um verão avassalador, porém tendo cuidado para que cada público pudesse chegar na região para a qual ele foi pretendido.
AGAZETTA
A Praia de Guaiú, por exemplo, passou a ser muito mais procurada. O que mudou lá?
GEO MAGNO
Guaiú é aquela região bucólica, que transmite paz para aquele turista com espírito mais aventureiro. Tivemos o cuidado de limitar e tentar controlar o número de passageiros diários que vão para lá. Isso realmente foi importante para a gente não mexer na paz da comunidade, para não descaracterizar aquela região e continuar atraindo esse tipo de público. A vila ficava repleta de turistas, mas a impressão que dava é que ela continuava com aquela paz.

AGAZETTA
O foco na Reserva de Coroa Alta também fez parte desse projeto de um turismo mais focado em experiências?
GEO MAGNO
Com certeza. O fortalecimento de experiências passou não somente por Coroa Alta, que hoje a gente classificou diretamente com a Secretaria de Meio Ambiente como uma RDS, Reserva de Desenvolvimento Sustentável. A gente passou a mostrar que o destino de Cabrália não é para passeios comuns, é um destino para vivência, para encantamento.
AGAZETTA
E como Cabrália é vista no mercado hoje após essas ações?
GEO MAGNO
Hoje eu tenho a convicção de que Cabrália é vista como um destino forte, pujante, completo e muito valorizado. Temos a maior área plana da Costa do Descobrimento e condição de expansão plena para atrair grandes marcas de resorts, hotéis de luxo e boutique. Estamos atraindo investidores focados no segmento de experiências.
A RELAÇÃO COM A PREFEITURA E O DESFECHO
AGAZETTA
Como foi trabalhar ao lado do prefeito Girlei Lage durante esse período?
GEO MAGNO
Foi uma experiência que eu guardarei para toda a minha vida. Estar diante de um ser humano fantástico, de coração nobre, um líder, não tem preço. Nesses 15 meses, aprendi muito ao lado de Girlei. Um homem que sabe tomar suas decisões, sabe ouvir, com um equilíbrio emocional muito grande. Ele transforma a gestão dele numa leveza que vale a pena estar do lado.
AGAZETTA
Existe muita especulação quando alguém deixa um cargo público de confiança. Houve algum desgaste?
GEO MAGNO
A especulação com relação ao que houve é zero. Primeiro, porque não houve nenhum desgaste, zero de desgaste. Tanto é que eu continuo ao lado do prefeito Girlei e do vice-prefeito Schepa. Nós temos um propósito que é Cabrália, e nem sempre, para ajudar um destino, você tem que fazer parte do governo diretamente. São ciclos que se encerram, com portas abertas para ambos os lados.

AGAZETTA
Você sai com sentimento de missão cumprida?
GEO MAGNO
Olha, se eu saio com o sentimento de missão cumprida, é óbvio que não, pelo tempo. Não se projeta um destino com uma mudança radical em apenas 15 meses. Mas saio com a missão de dever cumprido em relação àquilo que projetei fazer por lá; fiz até além do que eu mesmo havia projetado.
A VOLTA PARA A INICIATIVA PRIVADA E O LADO ÉTICO
AGAZETTA
Afinal, por que você decidiu deixar a Secretaria neste momento?
GEO MAGNO
Eu tenho uma empresa, a Coconut Experience, já há 22 anos no mercado. É uma marca forte, com clientes de alta envergadura no cenário nacional e internacional. Meu time estava cuidando muito bem dela, mas o cenário mudou, a empresa entrou numa rota de crescimento acentuada e eu estava me vendo de fora, porque entrei de cabeça em Cabrália. Entendi que o melhor caminho agora é cuidar dos meus negócios.
AGAZETTA
O crescimento e a atuação de operadoras como Trend, Visual e RexturAdvance pesaram nisso?
GEO MAGNO
Sim, sem dúvida. O crescimento desses parceiros foi crucial na minha tomada de decisão. Eles me trazem para o negócio onde eu tenho que ficar mais próximo. Nós apresentamos para o mercado um atendimento diferenciado, com condutor mordomo, itens de bordo nos veículos de luxo e aeronaves. Eu não poderia ficar assistindo a tudo isso acontecendo e estar fora.
AGAZETTA
Durante sua gestão pública, você teve que se afastar totalmente do comercial da sua empresa. Como foi isso para você?
GEO MAGNO
Essa foi a parte que me incomodou muito. Eu possuo uma amizade pautada na credibilidade com todos os players do Brasil. Quando assumi a pasta, meu lado ético falou muito mais alto: eu passei esses 15 meses sem mencionar o nome da minha empresa. A ética não me permitia fazer uma viagem como secretário e tratar de negócios privados. Isso me machucou bastante, ficar longe de trabalhar a imagem da minha empresa, algo que fiz a vida toda.

AGAZETTA
Ficou claro que não foi pelo dinheiro que você entrou na Secretaria
GEO MAGNO
Jamais teria sido por dinheiro. Por dinheiro, eu não teria ido, porque tive prejuízo financeiro. Fui pelo destino, pelo compromisso dessa gestão de querer transformar a cidade onde fui criado.
FUTURO E LEGADO
AGAZETTA
Qual é o maior legado que você deixa para a cidade?
GEO MAGNO
A mensagem de que nós podemos transformar um destino para melhor, oferecer as melhores experiências e melhorar a vida da nossa população. Oportunidade de crescimento para a nossa comunidade e melhoria de vida.
AGAZETTA
Que conselho você daria para quem assumir a Secretaria agora?
GEO MAGNO
O maior conselho é: se apaixone primeiro por Cabrália. Se você se apaixonar, o trabalho flui. O resto a gente constrói junto com as pessoas inteligentes da gestão, da iniciativa privada e, principalmente, com a comunidade.
AGAZETTA
Como você enxerga Cabrália daqui a cinco anos?
GEO MAGNO
Se continuar nessa mesma pegada, investindo em experiências, vejo como um destino que vai passar a ter uma identidade própria de mercado, melhorando o ticket médio. Mas tem que transpirar. O poder público e o setor privado precisam transpirar juntos.

AGAZETTA
Existe possibilidade de um retorno à gestão pública no futuro?
GEO MAGNO
Não digo que não existe a possibilidade. A política é um desafio saboroso, que exige resiliência. Apesar das críticas, é através da política que a gente constrói uma cidade, impulsionando também o setor privado.
AGAZETTASe pudesse resumir sua trajetória de entrada e saída da prefeitura em uma frase, qual seria?
GEO MAGNO
Entrei pelo amor e pela paixão que tenho por Cabrália. E saí por uma outra paixão, que é a minha empresa, a qual criei e busquei o segmento. Quem sabe a gente possa se encontrar de novo lá na frente. Continuarei trabalhando por Cabrália, mas não posso deixar de trabalhar pela minha empresa.

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