O portal AGAZETTA tem como missão não apenas informar, mas servir como ferramenta de conscientização e cidadania para Porto Seguro e toda a nossa região. Acreditamos que o diagnóstico de "Estado Criminoso" apresentado a seguir não é um problema restrito aos gabinetes de Brasília, mas um espelho da realidade que enfrentamos em nossos próprios municípios.
E, para que não restem dúvidas sobre a nossa linha editorial: não estamos aqui para alimentar o voyeurismo local. Diferente do que muitos esperam, não estamos preocupados em publicar vídeos sensacionalistas de batidas de moto, acidentes de carro ou prisões de marginais de esquina para ganhar cliques fáceis. Não nos interessa a briga de marido e mulher, muito menos a vida íntima de quem quer que seja — a privacidade, ao contrário dos cofres públicos, ainda deveria ser sagrada.
Enquanto alguns se distraem com o "sangue no asfalto" ou a fofoca da vez, nós estamos preocupados com as mídias oficiais que, entre um release e outro, escondem e maqueiam a verdade que distorce os nossos dias. O sensacionalismo distrai; a verdade incomoda. Convidamos você a uma reflexão profunda: o quanto desse sistema já se normalizou à nossa porta?
É um fenômeno que desafia as leis da economia: gestores públicos e seus "amigos de primeira hora" que, da noite para o dia, mudam de padrão de vida de forma inexplicável. Enquanto o cidadão comum luta para equilibrar o orçamento familiar, assistimos ao desfile de novos ricos que só prosperaram após cruzarem os portais da vida pública. Mas o "Estado Criminoso" municipal tem camadas ainda mais perversas, alimentadas pela nossa própria ausência.
O Exército de Aduladores e a Máquina de Moer Verdades
Enquanto as obrigações básicas de atendimento ao público são negligenciadas, os gabinetes estão povoados por funcionários contratados cuja principal função é o "marketing da adulação". Passam o dia em redes sociais, batendo palmas para o "gestor salvador da pátria" e atacando críticos. O salário deles sai do seu bolso, mas o trabalho deles é exclusivamente para massagear o ego do patrão.
A "Indústria da Emergência" e o Desmonte Planejado
Uma das táticas mais sujas nos municípios brasileiros é o desmonte proposital. Deixa-se o estoque de remédios acabar ou a coleta de lixo colapsar para que se possa decretar o "Estado de Emergência". Com a caneta na mão e a Lei de Licitações deixada de lado, o gestor escolhe a dedo quem leva o contrato milionário — sem concorrência e sem transparência. É a crise fabricada para gerar lucro privado.
O "Faz de Conta" dos Conselhos Municipais
Por que isso acontece? Porque os Conselhos Municipais de Saúde, Educação e Assistência Social — que deveriam ser os cães de guarda do povo — viraram meros "cartórios" de luxo. Sem a participação da sociedade civil real, essas cadeiras são ocupadas por indicados que apenas carimbam as vontades do prefeito. A nossa ausência nessas reuniões é o que dá o "visto" legal para o desvio de finalidade.
O Pedágio da Corrupção e o Retorno dos "Santinhos"
Para quem quer empreender, o cenário é de extorsão: propinas para alvarás e as famosas "taxas de agilização". Somado a isso, temos as obras intermináveis com aditivos infinitos que irrigam o bolso de "empresários parceiros". E, para completar o espetáculo, assistimos ao retorno de ex-condenados por corrupção que, com uma cara de pau monumental, tentam limpar a biografia com propaganda paga, vendendo-se como solução para os problemas que eles mesmos criaram.
A Pergunta que Não Quer Calar: Onde Estão os Fiscais?
Diante de tanto descaso, o portal levanta o questionamento: Onde estão os vereadores, que preferem o silêncio confortável em troca de cargos e favores? Onde estão os órgãos de controle, que parecem chegar sempre tarde demais, quando o dinheiro já sumiu? E onde estamos nós, a população?
A corrupção que acontece em nossos municípios só sobrevive porque o sistema de freios e contrapesos foi substituído por um balcão de compra e venda de consciências. O "Estado Criminoso" local só morre de fome quando a fiscalização popular corta o seu suprimento.
Fiscalizar não é oposição política. É legítima defesa do nosso futuro.

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