Os dados mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) trouxeram otimismo para Brasília ao elevarem a projeção do crescimento do PIB brasileiro para 2,4% em 2026. O reflexo dessa melhora macroeconômica, no entanto, demora a ser sentido na ponta final do comércio varejista do interior baiano, onde as micro e pequenas empresas enfrentam um forte concorrente invisível: o alto endividamento das famílias.
Se por um lado o desemprego recuou, por outro, a renda disponível do cidadão comum está comprometida. Analistas econômicos apontam que, além do crédito tradicional e dos juros altos, o crescimento desordenado do mercado de apostas online (bets) se transformou em um dreno financeiro considerável nas classes C e D, retirando recursos que antes circulavam nos supermercados, lojas de confecção e prestadores de serviços locais.
Para oxigenar a economia municipal, prefeituras da Bahia têm apostado em programas de conciliação e regularização de débitos tributários, oferecendo descontos em juros e multas de impostos como IPTU e ISS. A estratégia tenta dar fôlego ao caixa das empresas locais, mas o desafio do comércio para o segundo semestre será criar estratégias de fidelização e crédito próprio para atrair um consumidor que está calculando cada centavo.

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