Unidade pública que atende Porto Seguro e diversos municípios do Extremo Sul da Bahia já enfrenta denúncias de falta de insumos, remédios, material cirúrgico, leitos, médicos, itens básicos e atraso salarial; agora, pacientes também ficam sem acesso livre à água dos bebedouros
O Hospital Regional Deputado Luiz Eduardo Magalhães, em Porto Seguro, protagoniza mais um episódio revoltante de desrespeito à população que depende do Sistema Único de Saúde. Registros feitos dentro da unidade mostram filtros e bebedouros internos bloqueados, impedindo o acesso livre de pacientes e acompanhantes à água potável.
A situação é ainda mais grave porque, no mesmo ambiente em que o cidadão não consegue beber água nos filtros, há máquina de venda automática instalada, obrigando quem precisa de água a pagar por algo que deveria estar disponível de forma básica, gratuita e humana dentro de um hospital público.

Não se trata de luxo. Não se trata de conforto extra. Trata-se de água. Em um hospital. Para pacientes, acompanhantes, idosos, mães, crianças, trabalhadores e pessoas que, em muitos casos, chegam de outros municípios sem dinheiro, sem estrutura e em situação de fragilidade.
O absurdo se soma a uma sequência de denúncias que já circulam sobre a realidade da unidade: falta de insumos, falta de medicamentos, falta de material cirúrgico, falta de leitos, falta de médicos, atraso de salários de profissionais da saúde, incluindo médicos, enfermeiros e trabalhadores de diversos setores, além de relatos de falta de produtos básicos de limpeza, lençóis, toalhas e itens mínimos para o funcionamento digno de uma unidade hospitalar. Agora, além de tudo isso, falta também o direito mais simples: beber água no próprio hospital público.
A pergunta é inevitável: quem autorizou o bloqueio dos filtros? Quem mandou desligar ou impedir o uso dos bebedouros? Quem permitiu que uma máquina de venda de água funcionasse dentro de uma unidade pública enquanto pacientes e acompanhantes são privados do acesso livre ao básico? Quem ganha com isso?
O hospital é público, sustentado pelo SUS, e o SUS é financiado com o dinheiro dos impostos pagos por trabalhadores, comerciantes, empresários e cidadãos brasileiros. Portanto, o paciente que entra ali não está pedindo favor. Ele está usando um serviço que já é pago pela sociedade.
A responsabilidade política e administrativa precisa ser cobrada de forma direta. O Hospital Regional Deputado Luiz Eduardo Magalhães está sob responsabilidade da estrutura estadual de saúde da Bahia, comandada pelo governo de Jerônimo Rodrigues, do PT. Por isso, a população precisa saber onde está o governador, onde está a Secretaria da Saúde do Estado, onde estão os deputados estaduais e federais que dizem representar Porto Seguro e o Extremo Sul da Bahia.
Cadê a deputada Cláudia Oliveira para cobrar providências? Cadê os parlamentares da região? Cadê os representantes políticos que aparecem em época de eleição, mas precisam estar presentes quando o povo é humilhado dentro de um hospital público?
A denúncia exige providência imediata. Os filtros precisam ser desbloqueados, os bebedouros precisam funcionar, a população precisa ter água gratuita dentro do hospital e a direção da unidade precisa explicar publicamente por que isso aconteceu.
Também é necessário que o Ministério Público da Bahia apure a situação, investigue a instalação da máquina de venda de água, verifique se existe contrato, quem é responsável pelo serviço, quem lucra com ele e se houve omissão ou favorecimento em prejuízo de pacientes e acompanhantes.
O que está acontecendo no Hospital Regional Deputado Luiz Eduardo Magalhães é inadmissível. Um hospital que deveria acolher está aumentando o sofrimento de quem já chega vulnerável. Uma unidade que deveria cuidar está expondo a população a constrangimento. Um serviço público que deveria garantir dignidade está permitindo que até a água vire obstáculo.
Porto Seguro e os municípios atendidos por esse hospital não podem aceitar esse tipo de abuso calados. A saúde pública do Extremo Sul da Bahia precisa de respeito, estrutura, transparência e humanidade.
Porque quando falta remédio, falta insumo, falta médico, falta leito, falta material, falta limpeza, falta lençol, falta toalha e falta até água, o problema não é pequeno. É uma falência moral da gestão pública e essa conta precisa ser cobrada de quem governa.

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