O senador eleitor pelo Estado do Paraná Sergio Moro (União) concedeu uma entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News, nesta quarta-feira, 26, para falar sobre seu apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a sua chegada ao Congresso Nacional após ter sido ministro da Justiça e Segurança Pública, além de juiz da operação Lava Jato. Ele destacou sua independência diante dos dois candidatos à Presidência, mas ressaltou ver a necessidade de escolher um lado no segundo turno eleitoral, já que a polarização entre eles se confirmou. Para o ex-juiz, Lula poder disputar a eleição presidencial é um “símbolo máximo” da impunidade no Brasil, já que ele foi condenado pela justiça do Paraná – apesar de depois as condenações terem sido anuladas pela Suprema Corte brasileira. “O Lula foi condenada na operação Lava Jato em três instâncias e, depois, foi beneficiado por uma decisão da segunda turma do Supremo, a meu ver um claro erro judiciário (…) O símbolo máximo da impunidade é essa situação que nós estamos vendo hoje. Por isso que eu me posicionei nesta eleição muito claramente. Eu tenho as minhas divergências com o presidente Jair Bolsonaro. Agora, na minha opinião, é inaceitável a volta do Lula – é claro, ele tem que ser derrotado pelos meios democráticos – porque, no fundo, é uma mensagem ao país de que o crime compensa“, disse.
Ao se colocar como oposição a qualquer governo eleito a partir de 2023, o ex-ministro classificou sua futura posição no Senado Federal como “oposição construtiva”, afirmando que deverá votar junto do governo em projetos que considerar positivos para o país. “Serei uma oposição construtiva. Se houver projetos que sejam benéficos ao país e à população brasileira, podem contar comigo qualquer um que seja eleito. Agora, eu vejo com dificuldade que venham coisas muito positivas de um eventual governo do PT, porque, por exemplo, as pautas do PT ainda são da década de 1980, contra privatizações, contra a abertura da economia, a favor da intervenção do Estado. E a gente viu como essa história acaba, com maior recessão da história do país em 2016. Agora, pautas da ética, do combate à corrupção, eu tenho minhas pautas, defendo a volta da prisão em segunda instância, vou defender a autonomia da Polícia Federal, a existência de um Ministério Público independente, sou favorável a uma reforma da justiça, além de agendas modernizantes, como reforma tributária, reforma administrativa, que são importantes para a gente destravar a economia do país”, pontuou.
O ex-juiz falou ainda sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal, muitas vezes acusado de ativismo judicial pelos apoiadores do presidente Bolsonaro. Para ele, o caminho a seguir é de reforma do sistema judiciário “não necessariamente de forma antagônica ao STF”. “É importante trazer o STF para essa discussão, porque isso facilitaria um consenso para a reforma da justiça: fim do foro privilegiado, prisão em segunda instância e mandato de 12 anos para os novos ministros do Supremo, não para limitar o período dos atuais, porque acho que isso é mudança das regras do jogo. Também sou contra aquela história de ampliação do número de ministros, porque acho que isso não funciona, e isso segue também um caminho que é ruim. No fundo, o que a gente precisa fazer é uma reforma das competências do Supremo para evitar essa excessiva judicialização da política. E os partidos têm que fazer uma autocrítica, porque são eles que levam a essa judicialização. A situação do TSE, que muita coisa é levada como censura, quem leva isso ao TSE são os partidos políticos. Então, eles também teriam que ser censurados, no sentido de reprovados, pelo fato de promoverem o cerceamento da discussão da liberdade de expressão, do livre debate eleitoral. Defendo uma reforma da justiça que não procure vilões dentro do STF ou do judiciário, mas que busque um aprimoramento das nossas instituições. Assim, a gente consegue ter um debate mais saudável do que fulanizar esse debate”, pontuou.

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