Nos últimos seis meses, o cenário político e midiático do Brasil sofreu uma inversão clara e incontestável: o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou de ser referência de protagonismo para se tornar alvo constante de críticas contundentes, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo sem cargo eletivo, assumiu a dianteira do debate público, das articulações políticas e da mobilização social.
A imprensa, que durante o ano passado ainda se esforçava para sustentar uma pauta positiva sobre o governo Lula — falando em reconstrução, pacificação e “frente ampla” —, agora enfrenta um dilema incontornável: a realidade do país se impôs. Com inflação persistente, juros altíssimos, aumento agressivo da carga tributária, desvalorização do poder de compra e um cenário de estagnação econômica, tornou-se virtualmente impossível elaborar uma matéria elogiosa sem esbarrar em dados desconcertantes.
Hoje, os próprios veículos que apoiaram a candidatura de Lula são obrigados a reportar, ainda que a contragosto, os desastres econômicos, os escândalos de gastos com a comitiva presidencial, as viagens milionárias da primeira-dama Janja da Silva — muitas delas bancadas com aviões da Força Aérea Brasileira sem agenda oficial — e a tentativa do governo de pressionar o Supremo Tribunal Federal para aprovar leis impopulares e autoritárias.
O governo Lula está sendo sim amplamente pautado na mídia — mas de forma quase exclusivamente negativa. Não há mais sustentação possível para discursos de otimismo quando a realidade mostra empresários asfixiados por tributos, famílias endividadas, serviços públicos precários e a máquina estatal inchada e politizada.
Enquanto isso, Bolsonaro, mesmo perseguido judicialmente, sem mandato e sem os recursos do Estado, continua sendo a principal referência política no país. As manifestações em sua defesa reúnem milhares de brasileiros, as redes sociais fervilham de conteúdo espontâneo produzido por apoiadores, influenciadores e lideranças políticas que continuam fiéis a seu legado.
Não se trata apenas de nostalgia: trata-se de fatos. Bolsonaro ainda hoje conta com o apoio dos governadores dos maiores e mais relevantes estados do Brasil:
Tarcísio de Freitas, em São Paulo, centro econômico do país; Romeu Zema, em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral; Governadores do Sul, como Ratinho Júnior, no Paraná, e lideranças de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que representam polos produtivos fundamentais do agro e da indústria nacional.
Enquanto isso, Lula encontra apoio institucional principalmente em estados em colapso econômico e social, como o Ceará, a Bahia, o Maranhão e parte do Norte e Nordeste, onde índices de criminalidade, desemprego e dependência de programas assistenciais como o Bolsa Família superam a média nacional. Em muitos municípios, há mais pessoas recebendo Bolsa Família do que trabalhadores formalizados. Esse é o retrato da “base política” que sustenta o atual governo.
Mas é Bolsonaro quem, sem poder, pauta a política institucional, as manchetes e até os bastidores do Congresso Nacional.
Foi ele quem se tornou o centro de debates jurídicos internacionais, inclusive ao ser mencionado pelo ex-presidente Donald Trump, que o classificou como “perseguido injustamente”. Foi ele quem mobilizou aliados a se manifestarem com contundência — inclusive parlamentares, ministros estaduais e até prefeitos — em defesa de sua integridade política.
Mesmo sendo alvo de processos e inquéritos, Bolsonaro é hoje citado com muito mais frequência por seus aliados do que Lula por aqueles que, em tese, compõem sua base.
Enquanto o bolsonarismo conta com milhões de seguidores ativos e engajados, o lulismo enfrenta dificuldades até para convocar manifestações espontâneas ou sustentar popularidade fora dos segmentos que vivem da máquina pública.
A imprensa até tenta manter Bolsonaro sob a lente do Judiciário e das investigações, mas ao fazê-lo acaba dando ainda mais espaço, visibilidade e centralidade a ele.
A cada acusação, surge uma nova onda de defesa popular e institucional. A narrativa de perseguição, longe de enfraquecê-lo, o fortalece como símbolo da oposição e da resistência política no Brasil.
Enquanto isso, Lula parece cada vez mais isolado e enfraquecido, mesmo com a caneta presidencial na mão. Sua equipe econômica enfrenta resistência do mercado, sua popularidade está em queda, e sua imagem pública está associada a uma gestão sem rumo, marcada por contradições, escândalos familiares, tentativas de controle institucional e um modelo de governança que perdeu o brilho do discurso da “esperança” que o levou ao Planalto.
O que se desenha é o retrato de um Brasil em que o ex-presidente lidera as massas e as pautas políticas, enquanto o presidente atual, fragilizado, apenas ocupa o cargo.
Esse é o verdadeiro paradoxo da política brasileira em 2025: o país está sendo governado por Lula, mas é Bolsonaro quem, de fato, lidera.
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