“Daqui a 30 anos veremos qual é a verdadeira narrativa nos livros de história” — a frase soa como promessa de verdade. Mas, na prática, a História não tem versão única. Toda narrativa é construída sob ótica ideológica, cultural ou política. A maioria dos livros que circula no Brasil foi escrita por autores de esquerda, e isso influencia diretamente a forma como os fatos são contados. O exemplo mais evidente é o “Descobrimento” do Brasil: há poucas décadas, era ensinado como um “achamento glorioso”; hoje, o mesmo episódio é narrado como invasão, massacre indígena e início da exploração colonial. Caio Prado Júnior (Formação do Brasil Contemporâneo) trouxe uma leitura marxista; Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) destacou aspectos sociológicos; Gilberto Freyre (Casa-Grande & Senzala) formulou uma visão culturalista, duramente criticada; e mais recentemente Laurentino Gomes e Eduardo Bueno popularizaram interpretações ainda diferentes. Isso prova que não existe neutralidade — como lembra Eric Hobsbawm, “o historiador é inevitavelmente um homem do seu tempo”.
Por isso é uma inversão de lógica afirmar que “a direita é fascista”. O fascismo é definido, como lembra Norberto Bobbio, pelo autoritarismo, perseguição de opositores e supressão de liberdades. E quem mais praticou esse comportamento foram justamente regimes comunistas: Stálin na URSS, Mao Tsé-Tung na China, Pol Pot no Camboja, Fidel Castro em Cuba. Todos silenciaram a imprensa, prenderam opositores e executaram em massa. No Brasil, grupos como ALN, VPR, VAR-Palmares e MR-8 assaltaram bancos, sequestraram embaixadores, executaram inocentes — basta lembrar de nomes como Carlos Marighella e Carlos Lamarca, que agiram como guerrilheiros criminosos.
Não é coincidência que não haja registro de líderes de esquerda assassinados por militantes de direita, mas o contrário é farto. Jair Bolsonaro, em 2018, levou uma facada de um militante ligado à esquerda. Donald Trump, em 2024, sobreviveu a um atentado a tiros que quase lhe tirou a vida. Charlie Kirk, ativista conservador e aliado de Trump, foi baleado e morreu nos EUA. Fernando Villavicencio, candidato opositor no Equador, foi executado em plena campanha. Na Bolívia, lideranças conservadoras foram perseguidas e mortas em conflitos políticos. Na Venezuela, opositores como Oscar Pérez foram caçados e executados pelo regime chavista. E no Brasil, antes mesmo da eleição de Bolsonaro, Eduardo Campos, presidenciável em 2014, morreu em acidente aéreo em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas — até hoje pairam suspeitas sobre o episódio. Ou seja, atentados, perseguições e mortes recaem quase sempre sobre lideranças de direita; contra líderes de esquerda, simplesmente não há equivalentes.
Do ponto de vista jurídico, a Constituição Federal (art. 5º, incisos IV e IX) assegura a liberdade de expressão e pensamento. Porém, o que se vê hoje é um STF ativista, que legisla por decisões e criminaliza opiniões, violando o art. 2º da própria Carta Magna, que consagra a separação dos Poderes. Isso é autoritarismo; isso é fascismo — mas vindo do lado que se autoproclama “democrático”.
E há ainda o “outro lado da história” silenciado. O livro do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, condenado por violações na ditadura, traz relatos de como guerrilheiros de esquerda assaltavam bancos, sequestravam diplomatas e até invadiam casas de militares, sequestrando filhos de coronéis. Esse relato foi revisado por sua esposa, historiadora, mas é sistematicamente desqualificado porque não interessa à versão da esquerda. O que a narrativa oficial tenta apagar é que havia crimes em ambos os lados: tanto do regime militar, com suas torturas, quanto da esquerda armada, com terrorismo. Não à toa, a Lei da Anistia (Lei nº 6.683/1979) perdoou ambos os lados, reconhecendo que não havia inocentes, apenas uma guerra política em que todos cometeram crimes.
Portanto, ao contrário do que dizem, o fascismo não é marca da direita. Fascismo é impor narrativa única, perseguir adversários, censurar imprensa e criminalizar opiniões. É exatamente isso que se vê hoje no Brasil: um governo de Lula aliado a um STF que age como legislador, prendendo opositores e silenciando vozes. A História é disputa de versões. Quem acredita em “verdade única” está apenas escolhendo um lado da narrativa. E, como alertou George Orwell em 1984: “Quem controla o passado, controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado”.
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