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Segunda-feira, 01 de Junho 2026
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Disputa de três décadas: Justiça determina desocupação de fazenda por indígenas em Porto Seguro

O caso, que se arrasta há quase 30 anos nos tribunais e nos bastidores políticos da Costa do Descobrimento

Disputa de três décadas: Justiça determina desocupação de fazenda por indígenas em Porto Seguro
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Uma decisão judicial recente reacendeu o estopim de uma das disputas fundiárias mais complexas e arrastadas do Extremo Sul da Bahia. O Poder Judiciário determinou o prazo de 60 dias para que a comunidade Pataxó da Aldeia Velha desocupe a área de uma fazenda localizada no município de Porto Seguro. Caso a saída voluntária não ocorra dentro do período estipulado, a ordem prevê a desocupação forçada com o apoio de forças policiais e o acompanhamento de órgãos governamentais.

O caso, que se arrasta há quase 30 anos nos tribunais e nos bastidores políticos da Costa do Descobrimento, coloca em lados opostos o direito constitucional à propriedade privada e a reivindicação de territórios tradicionalmente ocupados por povos originários.

O nó górdio da demarcação

A raiz do conflito na Aldeia Velha — área que faz limite com fortes vetores de expansão turística e imobiliária na região — reside na paralisia crônica dos processos demarcatórios por parte da União. Embora os estudos de identificação e delimitação da Terra Indígena (TI) tenham sido iniciados há décadas, o processo carece da homologação presidencial definitiva.

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Nesse vácuo jurídico, a comunidade Pataxó defende as ocupações como ações de "retomada" de solo ancestral, enquanto proprietários rurais e investidores, respaldados por títulos de posse e cadeias dominiais antigas, acionam a Justiça alegando invasão de propriedade produtiva.

Pressão imobiliária e segurança no campo

Diferente de outras fronteiras agrícolas do país, o Extremo Sul da Bahia — e em especial o eixo Porto Seguro/Arraial d'Ajuda — sofre a pressão direta da especulação imobiliária de alto padrão. A valorização do metro quadrado transforma a disputa pela terra em uma queda de braço de alta relevância econômica.

Paralelamente, o clima no campo na Costa do Descobrimento tem registrado escaladas de tensão nos últimos anos. De um lado, movimentos de produtores rurais organizados exigem segurança jurídica e o fim das ocupações; do outro, lideranças indígenas e entidades de apoio, como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), denunciam o cerco às comunidades e a vulnerabilidade social dos povos afetados pela falta de regularização.

Próximos passos e o histórico de recursos

O estabelecimento do prazo de 60 dias coloca a região em estado de alerta, mas o desfecho prático da ordem ainda é incerto. Historicamente, decisões dessa natureza na Bahia costumam ser sucedidas por uma intensa batalha jurídica em instâncias superiores.

É de praxe que órgãos de defesa, como o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU), interponham recursos junto ao Tribunal Regional Federal (TRF) ou ao Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender liminares de reintegração de posse. O argumento principal das cortes superiores costuma basear-se na preservação da ordem pública e na integridade física das populações, postergando desocupações até que o Governo Federal conclua em definitivo os limites das terras indígenas.

Enquanto o relógio corre, lideranças da Aldeia Velha articulam apoio político em Brasília junto ao Ministério dos Povos Indígenas e à Funai, na tentativa de acelerar o trâmite administrativo e evitar o cumprimento forçado da medida.

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