O embate entre o Legislativo e o Judiciário ganhou um novo palco internacional. O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), após se deslocar para os Estados Unidos com sua família, utilizou as redes sociais para lançar um desafio direto ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e para pressionar o Congresso a debater e aprovar uma anistia ampla para os réus e investigados dos atos de 8 de janeiro.
Ramagem, cuja prisão preventiva foi decretada por Moraes, nega estar foragido e justifica sua saída do país como um ato de "proteção familiar" contra a que, segundo ele, é uma "perseguição política".
Prisão Ilegal e Acusações de Tirania
Em sua manifestação, o deputado atacou duramente o ministro do STF, classificando-o como um "tirano da toga" e "violador de direitos humanos". Ele classificou a ordem de prisão preventiva como "manifestamente ilegal", lembrando que parlamentares só estão sujeitos a prisão em flagrante de crime inafiançável ou após decisão final da Câmara dos Deputados.
Ramagem foi além, desafiando publicamente Moraes a encaminhar aos EUA o processo em que ele é investigado. O argumento é que um eventual pedido de extradição obrigaria as autoridades norte-americanas — que ele define como representantes da "maior nação livre e democrática do mundo" — a examinar as "ilegalidades" cometidas no Brasil.
O deputado também incluiu o ex-presidente Jair Bolsonaro em seu discurso, chamando a prisão domiciliar imposta a ele de "absurda, sem fundamento e ilegal".
A Estratégia da Anistia para 2026
A principal bandeira levantada por Ramagem em seu pronunciamento foi a necessidade de o Congresso Nacional pautar a anistia ampla para os investigados e condenados por envolvimento nos eventos de 8 de janeiro.
Para o deputado, as recentes decisões do STF teriam um claro viés político, visando "criminalizar manifestações públicas" e diminuir a mobilização de apoiadores do ex-presidente até o período pré-eleitoral de 2026.
Ramagem incentivou as bancadas do agronegócio e evangélica a se mobilizarem, expressando grande otimismo: "É hora de conseguir pautar a anistia. Se pautar, passa", previu o parlamentar, que garante que continuará exercendo seu mandato mesmo à distância, amparado pelo regimento interno da Casa.
A matéria reflete o acalorado e polarizado debate político-judicial brasileiro, que agora se projeta também para o cenário internacional, à medida que a defesa de Ramagem tenta contestar a legalidade das ações do STF perante a opinião pública e, potencialmente, autoridades estrangeiras.

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