A política baiana vive um momento de definições cruciais. Enquanto os portais de Salvador fervilham com as primeiras pesquisas para o Palácio de Ondina, a bancada de 39 deputados federais em Brasília desenha, através de votos e relatorias, o futuro econômico e social de mais de 14 milhões de baianos.
Nesta reportagem especial, cruzamos os dados da sucessão estadual com a produtividade e o posicionamento dos parlamentares que representam o estado na Câmara Federal.
A Corrida pelo Governo:
Polarização e Empate Técnico O cenário para outubro de 2026 desenha uma "reedição de gala" do duelo de 2022. Segundo os levantamentos de março do instituto Real Time Big Data (Registro BA-08855/2026), a Bahia segue dividida:
ACM Neto (União Brasil) lidera com 44% das intenções de voto. Jerônimo Rodrigues (PT) aparece com 39%.
O dado que mais salta aos olhos é a espontânea, onde ambos estão em empate técnico (14% a 12%), com uma massa de 62% de indecisos. Isso indica que o eleitor baiano está focado na gestão atual antes de entrar, de fato, no clima de campanha.
A "Bancada de Peso":
O que os Deputados entregaram à Bahia?
Se no estado a disputa é pelo Executivo, em Brasília a força da Bahia é medida por relatorias e produtividade. A bancada baiana é hoje uma das mais influentes do Congresso Nacional.
Os Pilares da Economia
O maior feito coletivo recente foi a aprovação da Reforma Tributária. Com 37 votos favoráveis dos 39 possíveis (apenas Capitão Alden e Roberta Roma votaram contra), a bancada garantiu a Cesta Básica Nacional com alíquota zero, impactando diretamente o custo de vida no interior baiano.
Claudio Cajado (PP): Destacou-se nacionalmente como o "pai" do Novo Arcabouço Fiscal, garantindo regras que permitem a continuidade de obras federais na Bahia, como a duplicação de rodovias.
Elmar Nascimento (União Brasil) e Antonio Brito (PSD): Atuam como os grandes articuladores de verbas. Enquanto Elmar foca em infraestrutura, Brito consolidou-se como o guardião das Santas Casas de Misericórdia, enviando recursos vitais para a saúde filantrópica.
Campeões de Produtividade e Pautas Sociais Leo Prates (PDT): É um dos nomes mais ativos em Brasília, com foco em saúde e doenças raras, convertendo sua atuação em projetos que facilitam o acesso a tratamentos no SUS. Rogéria Santos (Republicanos): Lidera a produtividade feminina, com forte atuação na defesa dos direitos das mulheres e proteção à infância.
Alice Portugal (PCdoB) e Jorge Solla (PT): Mantêm a defesa do funcionalismo público e a expansão de programas sociais e de saúde (como o Mais Médicos) no estado.
O "Fiel da Balança":
O Impacto no Bolso do Cidadão Para além dos nomes, a atuação da bancada em 2025 e início de 2026 trouxe alívios práticos:
Imposto de Renda:
Graças à articulação da base baiana, mais de 600 mil baianos que ganham até R$ 5 mil estão isentos de IR este ano.
Segurança e Oposição:
Nomes como Capitão Alden (PL) mantêm a pressão sobre o Governo do Estado, focando no debate sobre segurança pública, o principal ponto de desgaste da gestão Jerônimo (que registra 50% de desaprovação neste setor).
Um Olhar para Outubro
A Bahia chega a 2026 com uma bancada federal madura, que sabe transitar entre o governo e a oposição para garantir recursos. No entanto, o sucesso (ou fracasso) das entregas federais e estaduais nos próximos meses será o combustível principal para o embate entre o grupo petista e o grupo liderado por ACM Neto.
Nota do Editor: Este levantamento foi realizado com base em dados oficiais da Câmara dos Deputados e pesquisas registradas no TSE.
Como você bem notou, em uma bancada de 39 nomes, é comum que a mídia nacional e os grandes portais de Salvador foquem nos "líderes" (como Elmar Nascimento e Antonio Brito) ou nos recordistas de votação. Porém, o restante da bancada tem uma atuação fundamental, muitas vezes mais focada em bases regionais e no trabalho técnico das comissões. Aqui está o que acontece com os outros parlamentares e como eles se dividem por atuação:
Os "Articuladores de Emendas"
(Foco Municipalista) Muitos deputados que aparecem menos na mídia de Salvador são gigantes no interior. Eles focam quase 100% do mandato em levar máquinas, asfalto e verbas para prefeituras.
Neto Carletto (PP/Avante): Jovem e muito ativo no Extremo Sul (sua região). Foca em infraestrutura e tem sido um dos que mais viajam pelo interior para fortalecer bases.
Ricardo Maia (MDB): Ex-prefeito, tem uma atuação muito ligada ao envio de emendas para eventos e infraestrutura urbana. Recentemente, foi destaque pelo alto volume de recursos destinados a festas populares (como o São João) em suas bases.
Gabriel Nunes (PSD): Atua fortemente na região de Euclides da Cunha e arredores. Seu trabalho é silencioso em Brasília, focado em destravar convênios federais para municípios baianos.
Mário Negromonte Jr. (PP): Foca sua atuação na Comissão de Finanças e na manutenção do legado político do seu grupo no Norte da Bahia.
Os "Técnicos de Comissão"
Estes nomes raramente dão entrevistas polêmicas, mas são eles que "carregam o piano" nos projetos de lei:
Daniel Almeida (PCdoB): Um dos parlamentares mais experientes. Sua atuação é quase toda dentro das comissões de Trabalho e Administração, defendendo pautas do funcionalismo e direitos trabalhistas.
Bacelar (PV): Muito focado na pauta de Educação e Meio Ambiente. É um dos principais interlocutores quando o assunto é o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Paulo Magalhães (PSD) e José Rocha (União): São os "decani" da bancada. Atuam na coordenação política interna e em comissões de fiscalização, garantindo que os interesses da Bahia não sejam atropelados em votações técnicas.
A "Bancada Ideológica e de Nicho"
Capitão Alden e João Carlos Bacelar (PL): Seguem a linha de oposição ferrenha ao governo federal, focando em pautas de segurança pública e conservadorismo. Alden, especificamente, usa muito as redes sociais para fiscalizar o Governo do Estado.
Pastor Sargento Isidório (Avante): Embora muito votado, sua atuação é focada quase exclusivamente na pauta das Comunidades Terapêuticas e na defesa de sua Fundação (Dr. Jesus).
Força da Bancada em Brasília É a voz do MST e dos movimentos de reforma agrária na bancada, atuando em pautas de agricultura familiar.
Como eles votaram nos grandes temas?
No recente PL Antifacção (Nov/2025), que endureceu penas contra o crime organizado, a bancada se dividiu:
A Favor (Ala do Centro/Direita):
Ricardo Maia, Gabriel Nunes, Neto Carletto, Adolfo Viana e Diego Coronel votaram com a maioria para endurecer as leis.
Contra (Ala da Esquerda):
Alice Portugal, Bacelar, Daniel Almeida e Jorge Solla votaram contra, argumentando que o texto final retirava direitos e garantias processuais.

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