Nesta edição, mergulhamos na biografia e no desempenho de cada representante baiano na Câmara Federal. Quem são, o que fizeram e qual a nota de cada mandato até aqui?
O que aconteceu com os nós não citamos nominalmente antes é que eles ocupam o papel de "Base de Sustentação". Sem o voto de nomes como Sérgio Brito (PSD), Deputado Dal (União) ou Paulo Azi (União), as grandes reformas citadas na matéria anterior não passariam. Eles são os votos que garantem a governabilidade em Brasília, enquanto os "líderes" fazem a negociação política.
Esta é uma tarefa complexa, pois avaliar o desempenho parlamentar envolve critérios de produtividade, fidelidade partidária e impacto regional. Para este especial, utilizamos como base o Ranking dos Parlamentares, dados de assiduidade da Câmara e o volume de emendas liberadas para a Bahia entre 2023 e 2026.
As notas refletem o equilíbrio entre presença em plenário, projetos apresentados/aprovados e influência política.
O Grupo de Elite (Notas: BOM) Parlamentares que ocupam relatorias nacionais ou lideram rankings de produtividade.
Claudio Cajado (PP): O "homem do cofre". Relator do Arcabouço Fiscal, deu as cartas na economia do país. Atuação técnica e de altíssima influência. Nota: BOM.
Leo Prates (PDT): Recordista de projetos. Focou na saúde e doenças raras, com presença constante em comissões. É o deputado mais "trabalhador" no papel. Nota: BOM.
Rogéria Santos (Republicanos): Destaque feminino, liderou a produtividade de novos projetos por dois anos seguidos, com foco em proteção à mulher. Nota: BOM.
Antonio Brito (PSD): O líder das Santas Casas. Essencial para manter o financiamento dos hospitais filantrópicos da Bahia. Nota: BOM.
Elmar Nascimento (União): Um dos mais poderosos da Câmara. Articulador de grandes obras e sucessor natural de cargos de cúpula. Nota: BOM.
Arthur Maia (União): Jurista da bancada. Ex-presidente da CCJ, foi o filtro de constitucionalidade das leis brasileiras. Nota: BOM.
Alice Portugal (PCdoB): Voz firme na defesa do piso da enfermagem e educação. Atuação histórica e coerente. Nota: BOM.
Adolfo Viana (PSDB): Relator das apostas esportivas ("bets"), trouxe arrecadação bilionária ao país e visibilidade para a Bahia. Nota: BOM.
O Grupo Regionalista (Notas: MÉDIO)
Deputados com foco total em suas bases eleitorais, garantindo asfalto e máquinas, mas com menor brilho legislativo em Brasília.
Neto Carletto (PP/Avante): Ativo no Extremo Sul, garantiu recursos para Porto Seguro e região, além de pautas sobre bagagens aéreas. Nota: MÉDIO.
Ricardo Maia (MDB): O "rei das emendas" para a saúde municipal. Garante o custeio de postos de saúde no interior. Nota: MÉDIO.
João Leão (PP): Experiente, foca na agricultura e infraestrutura rodoviária. Atuação madura, porém menos intensa que em outros mandatos. Nota: MÉDIO.
Jorge Solla (PT): Defensor ferrenho do SUS. Embora produtivo, sua atuação é muito restrita ao nicho ideológico da base. Nota: MÉDIO.
Lídice da Mata (PSB): Foco em turismo e direitos humanos. Atuação respeitada, mas com menos projetos de impacto aprovados nesta legislatura. Nota: MÉDIO.
Diego Coronel (PSD): Atua no setor de energia. Técnico, mas com pouca exposição pública sobre seus resultados diretos. Nota: MÉDIO.
Otto Filho (PSD): Atuação voltada ao saneamento. Correto, mas de perfil discreto no plenário. Nota: MÉDIO.
Sérgio Brito (PSD) / Afonso Florence (PT): Licenciados para o secretariado estadual. Sua nota é média pois deixaram o mandato para suplentes, priorizando a gestão Jerônimo. Nota: MÉDIO.
Ivoneide Caetano (PT): Atuação focada em Camaçari e pautas de mulheres. Em evolução no primeiro mandato. Nota: MÉDIO.
Joseildo Ramos (PT): Atuação importante na fiscalização financeira, porém pouco conhecida do grande público. Nota: MÉDIO.
Márcio Marinho (Republicanos): Atuação sólida na defesa do consumidor, mas com baixa renovação de pautas. Nota: MÉDIO.
O Grupo de Baixo Impacto ou Nicho (Notas: RUIM) Nesta categoria, enquadram-se aqueles com baixa assiduidade, poucos projetos de relevância ou atuação restrita a polêmicas em redes sociais sem entrega prática.
Pastor Sargento Isidório (Avante): Muita votação, pouca entrega legislativa real fora do seu nicho religioso e das comunidades terapêuticas. Nota: RUIM.
Capitão Alden (PL): Foco quase total em embates de redes sociais e segurança ideológica. Baixa efetividade em aprovação de leis. Nota: RUIM.
João Carlos Bacelar (PL): Atuação apagada nesta legislatura, com pouca presença em debates de destaque. Nota: RUIM.
Deputado Dal (União): Perfil muito discreto, com pouca participação em grandes decisões ou projetos de impacto estadual. Nota: RUIM.
Gabriel Nunes (PSD): Atuação burocrática, focada apenas em repasse de emendas sem protagonismo político. Nota: RUIM.
Alex Santana (Republicanos): Baixa produção legislativa e pouca visibilidade em temas nacionais. Nota: RUIM.
Raimundo Costa (Podemos): Atuação muito específica para o setor da pesca, sem transitar em outras áreas vitais. Nota: RUIM.
Paulo Magalhães (PSD) / José Rocha (União): Decanos que atuam mais nos bastidores de acordos do que na produção de leis inovadoras. Nota: RUIM.
A bancada baiana é plural. Enquanto nomes como Cajado e Leo Prates elevam o nível do debate com técnica e volume, outros parecem usar o mandato apenas como um "balcão de negócios" para emendas ou palanque digital.

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