Em entrevista exclusiva ao portal AGAZETTA, a médica baiana avalia o impacto das revelações norte-americanas sobre as diretrizes da pandemia, relembra as bases científicas de sua conduta precoce em 2020 e cobra políticas públicas imediatas para o tratamento de pacientes com sequelas.

As recentes admissões e revelações envolvendo a condução das políticas sanitárias globais durante a pandemia de Covid-19 — impulsionadas pela divulgação de relatórios do comitê de investigação norte-americano e depoimentos do ex-diretor do NIAID, Dr. Anthony Fauci — reacenderam o debate sobre as decisões tomadas a partir de 2020.

No Brasil, poucas figuras esteve tão no centro desse debate quanto a médica Dra. Raissa Soares. Atuando na linha de frente no atendimento inicial na Bahia, ela enfrentou severas controvérsias e perseguições ao defender a autonomia médica e a aplicação de tratamentos reposicionados. Agora, com a mudança de perspectiva global e novos dados vindo à tona, a médica respondeu com exclusividade e na íntegra às perguntas do portal AGAZETTA.

"O sentimento que eu tenho é que as pessoas foram desrespeitadas, enganadas. A gente se assusta com o tamanho da perversidade que pessoas em cadeira de poder chegaram a alcançar."

Dra. Raissa Soares

A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA

Dra. Raissa Soares
Dra. Raissa Soares em entrevista ao portal AGAZETTA

AGAZETTA:
Como a senhora se sente agora que a verdade sobre o combate à Covid teve manipulação das regras?

Dra. Raissa Soares:

"Assim que as informações foram divulgadas, o que ficou claro é que as pessoas, a sociedade, a imprensa puderam confirmar aquilo que a gente já falava lá atrás. A profundidade do relatório do Anthony Fauci coloca a situação muito mais perversa do que a gente conseguia enxergar. O sentimento que eu tenho é que as pessoas foram desrespeitadas, enganadas, e a gente se assusta com o tamanho da perversidade que pessoas em cadeira de poder chegaram a alcançar."

AGAZETTA:
Quando a senhora prescreveu o protocolo, que foi usado por muita gente e salvou várias vidas, em que a senhora se baseava?

Dra. Raissa Soares:

"O protocolo foi baseado nas publicações que inicialmente foram lançadas em 2020, quando afirmavam que hidroxicloroquina, ivermectina e nitazoxanida — que é o princípio do Annita — tinham um efeito in vitro contra o vírus. A partir dessa iniciativa já publicada, porque essas drogas foram testadas assim que o vírus chegou, e somando as informações de outros médicos que estavam fora do país... Como a Dra. Marina Bucar, que ela é de Floriano, do Piauí, e ela morando na Espanha, já estava vivendo casos da fase inflamada e nos ajudou a compreender, compartilhava em lives todos os dias o que ela estava vivendo durante o dia de trabalho.

Nós fomos desenvolvendo ideias juntas com uma curva de aprendizagem muito rápida, trocando informações entre colegas médicos do que era possível fazer e o que poderia estar trazendo benefício aos pacientes. Daí que Porto Seguro teve a primeira referência, a primeira nota técnica com sugestão do que fazer em março de 2020. E quando a gente começou a aplicar as medicações reposicionadas e as vitaminas, a gente começou a perceber que pessoas estavam em recuperação; por isso que nós continuamos o protocolo."

Dra. Raissa Soares
Dra. Raissa Soares em entrevista ao portal AGAZETTA

AGAZETTA: 
Agora que a verdade está vindo à tona e que provavelmente as vacinas apresentam efeitos colaterais ruins, o que a senhora orienta a ser feito?

Dra. Raissa Soares:

"Sobre os efeitos vacinais, o que nós sabemos até o momento é que tem parte da população que vive uma síndrome inflamatória conhecida como síndrome da Covid longa e com vários sintomas. Hoje, vários países no mundo já estudam meios de reduzir esse adoecimento da população. Países europeus, americanos — Europa, Estados Unidos, Canadá, Japão — estão fazendo de um a dois congressos por ano para trocar conhecimentos.

Então, o próximo passo é que o Brasil precisa reconhecer, voltar e iniciar discussões sérias com várias sociedades para que possamos compartilhar o que o mundo está fazendo, para que o Brasil também tenha acesso. Várias linhas de tratamento, inclusive com práticas integrativas, já têm trazido sucesso com melhora da qualidade de vida e redução de adoecimentos da população que foi exposta aos imunizantes e para a parcela daqueles que têm efeitos colaterais. Além disso, precisamos de políticas públicas que instituam esse cuidado com treinamento a toda a rede de médicos e profissionais de saúde da rede pública para que tenham um olhar diferenciado para esse perfil de pacientes que estão com sequelas, com sintomas e que estão com adoecimento."

AGAZETTA:
Como reparar essa injustiça que foi cometida por boa parte das pessoas, que a julgavam uma louca por acreditar e praticar o seu protocolo?

Dra. Raissa Soares:

"Essa fase já passou. O que nós precisamos agora é encarar com seriedade essa crise de saúde silenciosa e os médicos aceitarem a discussão científica, a discussão dos aprendizados internacionais, fazermos grandes eventos para troca de saberes e conhecimento e unir forças para defender a população, para cuidar do povo que hoje sofre na busca de várias especialidades, sofre na busca de várias tentativas gastando um recurso alto — recurso até que não tem — para se tratarem.

E hoje nós já sabemos que a síndrome da Covid longa também é possível de ser tratada, ela também traz benefícios ao paciente. Então, a forma de reparar isso tudo é que a gente consiga entender que isso foi uma manobra política cruel. Muitos médicos foram enganados, muitos médicos não conseguiram entender o que estava acontecendo e agora nós precisamos encarar isso de frente e fazer esse reparo à sociedade."

Nota do Editor
"O tempo é um juiz implacável. Quando a névoa da narrativa política começa a se dissipar e as poeiras dos debates inflamados assentam, o que resta não são as paixões partidárias ou os cancelamentos virtuais, mas a realidade nua dos fatos. O caso das admissões de Anthony Fauci e as recentes revelações internacionais reforçam uma lição amarga: quando a burocracia do poder tenta sufocar o debate científico e o livre exercício da medicina, o preço final é pago pela sociedade.

Mais do que um acerto de contas com o passado, a declaração da Dra. Raissa Soares nos convoca a uma reflexão urgente sobre o presente. Se houve erros, omissões ou manobras no topo da pirâmide global de saúde, a única reparação histórica plausível não é o ressentimento, mas a coragem de encarar as sequelas reais que afetam milhares de brasileiros hoje. Restaurar a verdade exige, acima de tudo, resgatar a humanidade no cuidar."

Editoria Chefe, AGAZETTA.COM.BR