A investigação da Justiça Federal dos Estados Unidos sobre o registro falso de entrada do ex-assessor presencial Filipe Martins no sistema imigratório norte-americano entrou em uma fase decisiva. No entanto, quem esperava a divulgação imediata dos responsáveis pela manipulação dos dados no sistema I-94 terá que aguardar os desdobramentos de processos mantidos sob rigoroso sigilo.

A apuração conduzida na Flórida confirma a gravidade da fraude: o registro de entrada em solo americano no dia 30 de dezembro de 2022 não foi uma falha técnica, mas uma alteração manual e deliberada. Documentos apresentados ao tribunal apontam o envolvimento direto de quatro agentes do U.S. Customs and Border Protection (CBP) — a autoridade de fronteira dos EUA —, além da articulação de três representantes brasileiros que teriam atuado para consolidar a falsa informação.

O silêncio da imprensa e o sigilo judicial

Nenhum veículo da imprensa americana ou brasileira teve acesso à identidade dos suspeitos. O juiz federal Gregory A. Presnell determinou a busca aprofundada de logs de acesso e auditorias internas do sistema do governo norte-americano, mas manteve a identificação nominal dos quatro agentes americanos e dos três interlocutores brasileiros sob reserva de justiça.

A defesa de Filipe Martins — conduzida pelos advogados Jeffrey Chiquini no Supremo Tribunal Federal e Marcelo Almeida Santanna nos EUA, ao lado de Raul Torrao — busca demonstrar que a informação falsa foi usada de forma indevida para fundamentar a prisão preventiva do ex-assessor no Brasil por suposta fuga do país. Comprovações de bilhetes aéreos da Latam confirmam que Martins permanenceu no território nacional à época, transitando entre Brasília e Curitiba.

A expectativa agora gira em torno do cumprimento das ordens judiciais emitidas na Flórida. A entrega formal dos relatórios técnicos revelará os nomes por trás do acesso indevido e os desdobramentos jurídicos dessa cooperação internacional irregular.

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