O sistema financeiro e os corredores do poder em Brasília atravessam um de seus momentos mais turbulentos. O que começou como uma crise de liquidez no Banco Master transformou-se, em janeiro de 2026, em uma investigação de proporções colossais. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, apura um rombo estimado em R$ 23 bilhões, envolvendo fraudes em títulos públicos, manipulação de mercado e conexões políticas que atingem o coração do Distrito Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF).
O Esquema: Créditos Podres e Pirâmide Financeira
Segundo os relatórios do Banco Central (BC) e da Polícia Federal, o colapso do Banco Master não foi um acidente de mercado, mas o resultado de uma gestão fraudulenta. O esquema dividia-se em duas frentes:
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Venda de Carteiras Fictícias: O Master teria vendido cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes ou sem lastro ao Banco de Brasília (BRB). A suspeita é de que a operação visava "maquiar" o balanço do Master com dinheiro público.
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Ativos Inflados via Reag: Outros R$ 11,5 bilhões estavam atrelados a ativos artificialmente valorizados junto à gestora Reag DTVM (que também sofreu liquidação extrajudicial em 15 de janeiro).
Para manter o fluxo de caixa enquanto as fraudes ocorriam, o banco oferecia CDBs com taxas irreais (até 140% do CDI), o que atraiu mais de 1,6 milhão de clientes e investidores, configurando, na visão dos investigadores, uma estrutura similar a uma pirâmide financeira.
Terremoto Político: Eleições e o "Fator Ibaneis"
O caso ganha contornos dramáticos devido ao calendário eleitoral de 2026. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que planeja concorrer ao Senado, tornou-se alvo da oposição após o dono do banco, Daniel Vorcaro, mencionar encontros fora da agenda para discutir a venda da instituição.
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Impeachment: Partidos de oposição já acionaram a Câmara Legislativa do DF e o STJ pedindo o afastamento e o impeachment do governador por improbidade administrativa.
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Defesa: Ibaneis nega qualquer irregularidade, afirmando que os encontros foram protocolares e que "entrou mudo e saiu calado".
No STF, o ministro Dias Toffoli, relator do caso, enfrenta desgaste após revelações sobre estadias em um resort de luxo ligado a investigados. Toffoli autorizou recentemente a quebra de sigilo bancário dos envolvidos e o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens.
Impacto no Bolso: O Maior Resgate da História do FGC
Para o investidor comum, o cenário é de incerteza. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) iniciou o maior processo de ressarcimento de sua história, com um passivo total que chega a R$ 46,9 bilhões (somando Master e a liquidação da Will Financeira, ocorrida em 21 de janeiro).
| Instituição | Situação Atual | Impacto Estimado |
| Banco Master | Liquidação Extrajudicial | R$ 41 Bilhões em passivos |
| Will Bank | Liquidado (Jan/2026) | R$ 6,3 Bilhões em passivos |
| Reag DTVM | Liquidação Extrajudicial | Gestão de ativos inflados |
Próximos Passos
Esta semana (26 e 27 de janeiro) estava reservada para depoimentos cruciais de oito executivos do Master e do BRB. No entanto, as defesas conseguiram adiar parte das oitivas alegando falta de acesso aos documentos. A Polícia Federal agora corre contra o tempo para analisar as provas colhidas na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Enquanto a justiça busca os culpados, o mercado financeiro observa com cautela o risco sistêmico. Como diz o nosso guia para este ano: "Neste ano de escolhas, que a transparência seja o nosso maior ativo."

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