JUAZEIRO, BA – Em sua 32ª parada da "Caravana da Saúde", a Dra. Raíssa Soares concedeu uma entrevista detalhada à RedeGN, onde deixou de lado o embate político partidário para focar em uma pauta médica que classifica como "urgente e negligenciada": a Síndrome da Covid Prolongada (Long Covid). Segundo a médica, o consultório de telemedicina que mantém já conta com mais de 3.800 pacientes catalogados com sintomas que variam de perda de memória severa a riscos iminentes de eventos trombóticos.
O "Rastro" do Vírus e a Proteína Spike
Durante a entrevista, a Dra. Raíssa explicou que, ao contrário de outras viroses, o SARS-CoV-2 deixa um "rastro" inflamatório no corpo, personificado na chamada proteína Spike. "Essa proteína está sendo isolada nos tecidos. Seja pela doença ou pelos imunizantes, o rastro permanece e gera um processo inflamatório residual que o corpo luta para expulsar", afirmou.
Ela destacou que, enquanto países como EUA, Japão e nações da Europa realizam congressos frequentes para discutir essas sequelas, o Brasil parece ter "virado a página" precocemente.
"Parece que a pandemia acabou e o problema também. Mas os pacientes continuam chegando com fadiga incapacitante e névoa mental", alertou.
Sintomas e "Névoa Mental"

A médica listou os sinais que a população deve observar, muitos dos quais são confundidos com o envelhecimento natural ou estresse:
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Fadiga Extrema: Pacientes que sentem o corpo "mais velho que a identidade" e não conseguem realizar tarefas domésticas simples.
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Brain Fog (Névoa Mental): Perda de habilidades cognitivas, esquecimento de nomes comuns e dificuldade de raciocínio lógico.
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Alterações Intestinais: Desequilíbrios na flora intestinal (disbiose) que afetam a imunidade.
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Riscos Cardiovasculares: Dra. Raíssa mencionou casos de pacientes com o exame D-dímero (que mede o risco de coágulos) em níveis alarmantes, chegando a 10.000, quando o normal seria abaixo de 500.
Um Protocolo para o SUS
A grande defesa da médica nesta passagem pelo Vale do São Francisco é a implementação de um protocolo de "limpeza" do organismo e recuperação da saúde intestinal. Ela afirma que seu método, baseado em experiências internacionais, alcança até 90% de melhora em 40 dias.
"O que eu percebo claramente é que, quando começo a tratar, evito que as pessoas adoeçam gravemente lá na frente. Precisamos que o SUS incorpore essas tecnologias e centros pós-Covid. O povo baiano tem o direito de saber que é possível tratar essas sequelas e não apenas conviver com elas", pontuou.
Ciência e Política
Questionada sobre a resistência de parte da comunidade médica, Raíssa foi enfática ao dizer que muitos colegas enxergam os mesmos sintomas em seus consultórios — como o aumento de arritmias, quedas de cabelo e doenças autoimunes — mas temem represálias. "Muitos médicos concordam comigo no privado, mas têm medo de serem perseguidos ou demitidos. Eu falo a favor da ciência e do direito do paciente de ser acolhido."

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