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CNJ se reuni em Porto Seguro – A Missão para pacificar o Extremo Sul e o futuro das terras no Brasil

Encontro histórico reúne cúpula do Judiciário e forças de segurança. Enquanto o STF define o destino do Marco Temporal

CNJ se reuni em Porto Seguro – A Missão para pacificar o Extremo Sul e o futuro das terras no Brasil
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O Salão de Eventos do Hotel Eco Bahia, na Cidade Histórica, tornou-se hoje o epicentro de uma das discussões mais sensíveis do Brasil. Sob coordenação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a primeira "Visita Técnica" oficial da Comissão Nacional de Soluções Fundiárias reuniu diversas autarquias para analisar a "guerra invisível" entre o agronegócio e os povos originários na região.

Um Judiciário em Movimento

A presença de autoridades como o Desembargador Cláudio Césare Braga Pereira (TJ-BA) e o Juiz Federal Pablo Enrique Carneiro Baldivieso sinaliza que a fase de decisões tomadas apenas em gabinetes distantes acabou. O objetivo é a "pacificação".

"O Estado brasileiro, o Judiciário brasileiro quer paz e é isso que nós estamos aqui trabalhando", afirmou o Desembargador Cláudio Césare, reforçando que a função do Estado é criar condições de diálogo para uma solução definitiva.

O Juiz Federal Pablo Baldivieso trouxe uma autocrítica institucional necessária, apontando que a falta de sintonia entre os órgãos públicos agrava o problema. "Todos nós, antes de tentar conciliar o conflito, devemos primar por uma conciliação entre esses órgãos. Muitas vezes atuamos como se houvesse um antagonismo insuperável", pontuou o magistrado, que jurisdiciona nove municípios da região.

A Segurança na "Linha de Frente"

O tom mais realista veio da Segurança Pública. O Delegado Diego José Santana Gordilho Leite, chefe da Polícia Federal em Porto Seguro, descreveu a corporação como o elo que impede uma tragédia maior.

"Nós somos juntos com a Policia MIlitar, a última barreira em que a ordem é o caos. Se tirar a segurança pública desse contexto, muito sangue já teria sido derramado", declarou Gordilho.

O delegado confirmou ainda que crimes emblemáticos, como o assassinato do jovem Gustavo, já tiveram suas investigações concluídas pela PF, trazendo respostas concretas à sociedade.

Pluralidade e Ausências Notáveis

O encontro contou com uma mesa diversificada: IBAMA, Direitos Humanos, Defensoria Pública da União (DPU), Ministério Público Federal (MPF) e lideranças indígenas e de produtores rurais.

Entretanto, um detalhe político chamou a atenção: o contraste entre as gestões municipais. Enquanto a Prefeitura de Prado enviou representantes para participar ativamente, a Gestão Municipal de Porto Seguro foi citada pela ausência em um debate que ocorre dentro do seu próprio território e que impacta diretamente a economia local.

O Cenário Nacional: O STF e o Marco Temporal

Enquanto o diálogo busca fôlego em Porto Seguro, o cenário jurídico em Brasília permanece em ebulição. Em março de 2026, o status da tese do Marco Temporal é de intensa queda de braço:

  1. Inconstitucionalidade Reafirmada: O STF declarou inconstitucional condicionar a demarcação à ocupação física em 5 de outubro de 1988. O direito originário (Art. 231) prevalece.

  2. A "Via de Pacificação": O STF estabeleceu que proprietários de boa-fé têm direito a indenização prévia pelas benfeitorias e pela terra nua, mas isso não impede o avanço das demarcações.

  3. Conflito no Congresso: O Senado tenta reagir via PEC 48/2023, para inserir o Marco Temporal no texto da Constituição, o que pode gerar um novo embate jurídico sobre as "cláusulas pétreas" do país.

O Brasil em Números: O Peso da Bahia

A importância deste encontro em Porto Seguro é refletida nos dados populacionais e territoriais do Censo 2025/2026:

População e Território

  • Povos Indígenas: 1,69 milhão de pessoas no Brasil. A Bahia é o 2º estado com maior população indígena (229 mil).

  • Quilombolas: 1,33 milhão de pessoas. A Bahia lidera o ranking nacional (397 mil).

  • Áreas: As Terras Indígenas (TIs) ocupam 14,5% do território nacional, mas são responsáveis por preservar 20% de toda a vegetação nativa do país.

Categoria Área Aproximada (Hectares) % do Território Nacional
Terras Indígenas (TIs) ~123,2 milhões ha 14,5%
Territórios Quilombolas ~3,8 milhões ha* 0,5%
Outras Com. Tradicionais ~25 milhões ha ~3,0%


Os dados mostram que a Bahia é protagonista em ambas as frentes (indígena e quilombola), tornando Porto Seguro e região um "laboratório" para as soluções que o CNJ busca implementar. A baixa taxa de titulação e a pressão sobre áreas de preservação são os pilares que sustentam os argumentos de ambos os lados. A "Visita Técnica" de hoje não foi apenas protocolar; foi um esforço concentrado para evitar que o conflito de terras se transforme em uma crise humanitária irreversível.

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