O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se enfrentaram neste domingo, 16, no debate promovido pelo pool de veículos formado pelo Grupo Bandeirantes, a Folha de S.Paulo, o UOL e a TV Cultura. Na primeira vez em que ficaram frente a frente em um embate direto, sem a presença de coadjuvantes, os adversários protagonizaram uma série de trocas de farpas, discussões e acusações mútuas de corrupção. O atual chefe do Executivo, por exemplo, iniciou sua primeira fala acusando parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) de terem votado contra a ampliação do Auxílio Brasil para R$ 400 mensais – o que foi desmentido pelo petista. “Só de auxílio emergencial gastamos o equivalente a 15 anos de Bolsa Família. Eu tinha vergonha de ver as pessoas mais humildes, especialmente no interior do Nordeste, começando a receber R$ 42. Se podia dar algo melhor, por que não deu lá atrás”, questionou o presidente, em claro aceno ao eleitorado nordestino, que majoritariamente votou em Lula no primeiro turno. Em outros pontos, o presidente também falou sobre a visita do petista ao Complexo do Alemão, afirmando que “não tinha um policial acompanhando, apenas traficantes”, e questionou Lula sobre Petrolão, falando em “maior escândalo da história da humidade”. “Lula, você tem muito a falar sobre corrupção. A responsabilidade pela corrupção no Brasil foi sua”, disse Bolsonaro.
Entre os momentos de confronto direto, Lula também rebateu Bolsonaro sobre a paternidade da transposição do Rio São Francisco, afirmando que, na realidade, seu governo foi responsável por 88% das obras e a atual gestão, apenas por 3,5%. ” Você acha que alguém acredita que foi você que levou água? Não tem um projeto seu. Quando era deputado nunca fez um discurso contra o governo Lula. Ele não fez porque no fundo sabe que fui o presidente que mais cuidei do país”, disse o petista. Outro momento acalorado foi quando o atual chefe do Executivo questionou o motivo do petista não ter transferido Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, para um presídio federal, quando era presidente. “Teve que eu chegar junto com Sergio Moro para tirar Marcola e mandasse para um presídio federal. Por que não transferiu? Era simpatia, amizade?”, questionou Jair Bolsonaro, citando a morte de 59 policiais no período. Em resposta, Luiz Inácio disse que o adversário sabe que o governo do PT criou cinco prisões de segurança máxima. “Quantos você fez? Nenhum”. Líder das pesquisas de intenções de votos no segundo turno, o candidato do PT foi ainda questionado quem será o seu ministro da Economia, se eleito, mas não respondeu.
Antes mesmo do debate começar, Bolsonaro já havia comentado sobre o suposto caso de pedofilia. Em conversa com a imprensa, o presidente falou em “acusação infame e sórdida” e culpou Gleisi Hoffmann, presidente do Partido dos Trabalhadores, por ter “potencializado” o assunto – que ele nega ser verídico. “Tentaram me atingir naquilo que é mais sagrado a mim: a defesa da família e das crianças”, afirmou o presidente. Segundo Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, assinou despacho pela retirada de todos conteúdos que façam menção à acusação, afirmando que a fala foi “sabidamente inverídico, com grave descontextualização e aparente finalidade de vincular a figura do candidato ao cometimento de crime sexual”.

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