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Por: Vinícius Brandão
Durante a pandemia, eu fui chamado de negacionista. Não porque negasse a existência da COVID-19. Nunca neguei. Não porque desejasse que pessoas adoecessem. Ao contrário, eu tinha uma família para proteger, empresas para administrar e cerca de 40 colaboradores sob minha responsabilidade.
Fui chamado de negacionista porque sou de direita, apoiava Jair Bolsonaro, desconfiava das certezas absolutas apresentadas sobre as vacinas e defendia que médicos e pacientes tivessem liberdade para tentar um tratamento precoce diante de uma doença que ninguém compreendia completamente.
Agora, anos depois, Anthony Fauci, o homem apresentado ao mundo como autoridade praticamente incontestável da pandemia, sentou-se diante do Senado dos Estados Unidos e recusou-se a responder a mais de cem perguntas. É nesse momento que eu pergunto: quem deve explicações a quem?
NÃO FOI UM TRIBUNAL, PORÉM FOI UM JULGAMENTO POLÍTICO
No dia 29 de julho de 2026, Anthony Fauci compareceu, sob intimação, ao Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado americano. A audiência foi presidida pelo senador republicano Rand Paul e tratou da origem da COVID-19, do financiamento americano a pesquisas realizadas na China, da atuação das autoridades sanitárias, dos tratamentos precoces, da segurança das vacinas e das decisões tomadas durante a pandemia.
Fauci invocou repetidamente a Quinta Emenda da Constituição americana, que protege uma pessoa contra a obrigação de produzir prova contra si mesma. Recusou-se a responder a mais de cem perguntas, e o presidente do comitê anunciou que pretende submeter à votação uma possível responsabilização por desacato ao Congresso.
Juridicamente, exercer o direito ao silêncio não representa confissão de culpa. É preciso dizer isso com responsabilidade. Politicamente, porém, a cena foi devastadora. O homem que durante anos falou ao planeta com a segurança de quem parecia possuir todas as respostas agora considerou juridicamente perigoso responder sobre as decisões que ajudou a tomar. Aquele que representava a autoridade científica recusou-se a esclarecer a população que havia sido obrigada a confiar nele.
A IVERMECTINA CHEGOU AO CENTRO DA AUDIÊNCIA
O momento mais simbólico para nós, brasileiros, aconteceu quando o senador republicano Ron Johnson levantou documentos que descreveu como estudos sobre ivermectina. Johnson perguntou diretamente se Fauci havia participado do que chamou de ataque da FDA contra o medicamento. Recordou que Fauci declarou, em agosto de 2021, que não existiam evidências favoráveis, enquanto pesquisas preliminares e ensaios menores eram apresentados por médicos e pesquisadores.
O senador também questionou se medicamentos baratos e já existentes teriam sido deliberadamente desestimulados para favorecer remédios mais caros e preservar as condições necessárias às autorizações emergenciais das vacinas. Essas são acusações formuladas por Ron Johnson. Ainda precisam ser demonstradas mediante investigação, documentos e provas.
O fato incontestável é que Fauci não respondeu. Invocou novamente a Quinta Emenda. O Senado americano não declarou que a ivermectina curava a COVID-19. Não houve sentença absolvendo Bolsonaro. Não houve reconhecimento científico definitivo do chamado tratamento precoce.
O que aconteceu foi politicamente muito relevante: aquilo que a esquerda dizia ser uma teoria absurda, indigna de debate e própria de pessoas ignorantes tornou-se objeto de uma audiência oficial no Senado dos Estados Unidos.
As perguntas que nos proibiram de fazer no Brasil foram feitas dentro do Congresso americano. O homem que deveria respondê-las preferiu permanecer calado.
EU NÃO ACEITO QUE APAGUEM O QUE VIVI
Eu tomei ivermectina. Minha família também participou do chamado protocolo precoce, seguindo recomendações que recebemos de médicos e profissionais respeitados. O conjunto de medicamentos e suplementos que nos foi apresentado incluía ivermectina, medicamentos utilizados em alguns protocolos médicos, vitaminas e minerais. Não eram substâncias clandestinas fabricadas em algum porão. Eram produtos conhecidos, com indicações anteriores, bulas, contraindicações e riscos já estudados para outras doenças.
Isso não significa que fossem automaticamente eficazes contra a COVID-19. Significa que, diante de uma emergência sem respostas definitivas, médicos avaliavam a possibilidade de reposicionar medicamentos conhecidos, mediante decisão compartilhada com seus pacientes.
Eu não tive diagnóstico de COVID-19 naquele período. Minha família também não teve. Entre os aproximadamente 40 colaboradores das minhas empresas que aceitaram voluntariamente o acesso ao protocolo, não registramos casos diagnosticados naquele momento. Posso afirmar cientificamente que foi a ivermectina que produziu esse resultado?
Não. Um relato pessoal não substitui um ensaio clínico. Também não posso excluir fatores como comportamento individual, exposição, imunidade, acaso ou casos assintomáticos que não tenham sido identificados. Entretanto, ninguém pode apagar a minha experiência. Ninguém pode dizer que eu desejava a morte de alguém. Ninguém pode afirmar que eu agi por desprezo à vida.
Eu fiz exatamente o contrário: diante do desconhecido, procurei médicos, ouvi recomendações e tentei proteger as pessoas que dependiam de mim. No meu caso a minha referência total que segui foi da Dra. Raissa Soares e a sigo até hoje, é a minha médica e de toda minha família.
O QUE REALMENTE EXISTIA NO BRASIL
Também é necessário corrigir uma informação para que a crítica seja documentalmente incontestável. O protocolo federal do Ministério da Saúde publicado em 2020 não reunia exatamente todos os medicamentos que ficaram popularmente conhecidos como “kit COVID”.
O documento oficial afirmava que ainda não existiam evidências científicas robustas para uma terapia farmacológica específica, porém apresentava orientações para que médicos considerassem cloroquina ou hidroxicloroquina associadas à azitromicina, mediante avaliação profissional e concordância do paciente.
O texto também mencionava reposição de vitamina D em pessoas com deficiência e a possibilidade de administração de zinco. A ivermectina e a vitamina C não aparecem naquele documento federal específico, embora integrassem diferentes protocolos médicos, municipais e privados e tenham sido publicamente defendidas por Bolsonaro.
Naquele momento, o próprio Conselho Federal de Medicina reconhecia que não havia evidências sólidas de eficácia, porém admitia, em condições excepcionais, a prescrição de cloroquina ou hidroxicloroquina, desde que houvesse autonomia médica, consentimento esclarecido e informação sobre os riscos.
Portanto, não éramos um bando de pessoas tomando substâncias clandestinas por orientação de grupos de WhatsApp. Existia uma discussão médica real. Existia um parecer do Conselho Federal de Medicina. Existiam orientações do Ministério da Saúde. Existiam médicos defendendo o tratamento. Existiam médicos contrários ao tratamento.
O que não deveria existir era a perseguição política contra quem escolheu, com orientação profissional, uma das posições existentes naquele período.
A ESQUERDA NÃO QUERIA DEBATE. QUERIA OBEDIÊNCIA
No Brasil, a pandemia deixou de ser apenas uma questão sanitária e transformou-se numa ferramenta de enquadramento político. Quem repetia o discurso dominante era considerado defensor da ciência. Quem levantava alguma dúvida era chamado de negacionista. Quem perguntava sobre efeitos adversos das vacinas era acusado de ser antivacina. Quem defendia tratamento precoce era responsabilizado até pelas mortes de pessoas que nunca conheceu. Quem citava um médico favorável à ivermectina era ridicularizado. Quem citava uma autoridade contrária era tratado como dono da verdade.
A esquerda brasileira não queria apenas defender determinada interpretação científica. Queria impedir que qualquer interpretação diferente pudesse ser pronunciada. O debate deixou de ser: “Esse medicamento funciona?” Passou a ser: “Você está autorizado a perguntar se ele funciona?” Essa foi a perversão.
Ciência não é religião. Autoridade sanitária não é sacerdócio. Médico não é criminoso por formular hipótese, paciente não é gado por exercer sua autonomia e cidadão não é negacionista por desconfiar de decisões tomadas por governos, laboratórios e burocracias internacionais.
A FDA TAMBÉM FOI CONFRONTADA PELA JUSTIÇA
Nos Estados Unidos, a FDA chegou a utilizar mensagens nas redes sociais comparando usuários de ivermectina a cavalos e bois. O deboche atravessou fronteiras. Aqui no Brasil, pessoas que utilizavam a versão humana do medicamento, prescrita por médicos, também passaram a ser chamadas de consumidoras de “remédio de cavalo”.
O problema é que a ivermectina possui formulação humana reconhecida para determinadas doenças parasitárias. O fato de também existir formulação veterinária não transforma o medicamento humano em produto para animais. Três médicos americanos processaram a FDA, alegando que as publicações interferiram indevidamente na atividade profissional e na liberdade de prescrever medicamentos para uso fora da indicação original da bula.
Em 2023, o Tribunal de Apelações do Quinto Circuito reverteu a extinção do processo e permitiu que a ação prosseguisse. A decisão afirmou que a FDA não é médica e considerou plausível a alegação de que a agência poderia ter ultrapassado sua autoridade ao emitir conselhos médicos diretos ao público. O tribunal não declarou que a ivermectina funcionava contra a COVID-19. Declarou que uma agência reguladora também possui limites legais.
Essa distinção é essencial. A Justiça não reconheceu a eficácia do remédio. Reconheceu a legitimidade de discutir se o Estado ultrapassou suas atribuições ao tentar controlar a relação entre médico e paciente por meio de campanhas públicas debochadas.
O TEMPO NÃO PROVOU QUE A IVERMECTINA ERA A CURA
Os ensaios clínicos maiores realizados posteriormente não demonstraram benefício suficiente para que a ivermectina fosse aprovada como tratamento da COVID-19. A FDA mantém a posição de que os dados disponíveis não comprovam eficácia para essa finalidade, enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda seu uso contra a doença apenas em contexto de pesquisa clínica.
Eu não preciso esconder isso para defender minha posição. Minha crítica nunca dependeu de provar que a ivermectina era uma cura milagrosa. Minha crítica é contra a transformação de uma incerteza científica em condenação política.
Na época em que tomei minha decisão, estávamos diante de uma doença nova, com pesquisas preliminares conflitantes, hospitais lotados, famílias aterrorizadas e autoridades mudando de opinião sobre máscaras, transmissão, isolamento, vacinas e tratamentos.
Defender que um médico pudesse tentar uma terapia conhecida, explicando ao paciente que sua eficácia não estava comprovada, não era negacionismo. Era uma decisão de risco num momento de risco.
BOLSONARO NÃO ESTAVA CERTO EM TUDO. SEUS CARRASCOS TAMBÉM NÃO
Jair Bolsonaro cometeu erros de comunicação.
Em alguns momentos, apresentou possibilidades terapêuticas com uma convicção superior àquela permitida pelas evidências disponíveis. Também deveria ter separado com mais clareza aquilo que era hipótese, experiência clínica, uso compassivo e comprovação científica. Isso, porém, não autoriza a esquerda a reescrever a história.
Bolsonaro defendia autonomia médica, tratamentos acessíveis e o direito de tentar alternativas durante uma emergência. Seus adversários transformaram essa posição numa caricatura. Disseram que ele queria matar brasileiros. Disseram que quem o apoiava desprezava a vida. Disseram que qualquer desconfiança em relação às vacinas era criminosa. Disseram que as autoridades sanitárias internacionais não podiam ser questionadas.
Agora, a principal autoridade sanitária americana daquele período comparece ao Senado, é confrontada sobre ivermectina, pesquisas, vacinas, financiamento de laboratórios e possíveis conflitos institucionais e se recusa a responder. Esse silêncio não prova a culpa de Fauci. Também não absolve automaticamente Bolsonaro. Entretanto, destrói a narrativa de que apenas um lado possuía perguntas legítimas e de que o outro lado era formado exclusivamente por ignorantes e negacionistas.
EU NÃO QUERO UMA MEDALHA. QUERO UM PEDIDO DE DESCULPAS
Não peço que ninguém declare que a ivermectina venceu. Não peço que a ciência altere seus resultados para satisfazer minha posição política. Não recomendo que alguém tome hoje qualquer medicamento sem avaliação médica. O que exijo é honestidade histórica.
Eu tinha o direito de desconfiar. Eu tinha o direito de perguntar. Eu tinha o direito de procurar médicos que pensavam de forma diferente. Eu tinha o direito de aceitar, conscientemente, um tratamento cuja eficácia ainda estava sendo investigada. Eu tinha o direito de proteger minha família e meus colaboradores da maneira que, naquele contexto, considerei mais responsável.
Aqueles que me chamaram de negacionista não conheciam minha rotina, minha família, minhas empresas, meus colaboradores nem os médicos que me orientaram. Conheciam apenas minha posição política. Eu era e sou de direita. Apoiava e apoio Bolsonaro, assim como Dra. Raissa. Logo, para eles, qualquer decisão minha precisava ser tratada como ignorância.
Hoje, o Senado dos Estados Unidos investiga justamente as autoridades que diziam possuir a verdade definitiva. Fauci tinha o direito constitucional de permanecer calado. Eu também tenho o direito moral de não permanecer.
A audiência americana não declarou a ivermectina vencedora. Declarou, porém, que as perguntas não morreram e, quando as perguntas sobrevivem, também sobrevive a responsabilidade de quem tentou censurá-las.
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