A escalada da violência política no Brasil, evidenciada pelo assassinato de Marielle Franco há seis anos, tem se intensificado de forma preocupante. Um estudo recente revelou que, em 2024, foram registrados 558 episódios de violência contra políticos e candidatos, o que representa uma média de quase dois casos por dia. Esse aumento expressivo em relação aos anos anteriores expõe uma tendência perigosa e inquietante.
A maior parte dos incidentes ocorreu durante os três meses de campanha eleitoral, período em que se concentraram 75% dos casos. Na semana que antecedeu o primeiro turno, a média diária chegou a 17 ocorrências.
A violência, utilizada como instrumento para assegurar e ampliar privilégios políticos, revela a ineficácia das respostas do Estado. A proliferação de fake news e o fortalecimento do crime organizado agravam o quadro. Entre os tipos de violência registrados, as ameaças representam 40% do total, enquanto os atentados subiram 42% desde 2020, totalizando 23% das ocorrências. Um exemplo emblemático foi o atentado contra o prefeito de Taboão da Serra, José Aprígio da Silva, baleado durante sua campanha eleitoral.
Prefeitos e vices são os alvos mais frequentes, correspondendo a 34% das vítimas. A violência política atinge representantes de diversas correntes ideológicas, com maior incidência no PT e no União Brasil. Além disso, 38% das vítimas são mulheres cis e transgênero, que enfrentam, predominantemente, ataques verbais e emocionais. Já os homens são mais frequentemente alvejados em espaços públicos.
Para conter essa onda de violência, o estudo recomenda a adoção de medidas preventivas, como a criação de programas de enfrentamento à violência política, campanhas de conscientização contra discursos de ódio e a oferta de suporte especializado às vítimas.

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