"Sorria, você está em Porto Seguro". O slogan, que por décadas simbolizou a hospitalidade da Costa do Descobrimento, hoje ecoa com uma ironia trágica. Por trás dos filtros de Instagram que vendem o idílio de Arraial d’Ajuda, Trancoso e Caraíva, esconde-se uma realidade de degradação e violência que ameaça o destino turístico mais emblemático do Brasil.
O que assistimos não é apenas uma crise de gestão; é a dissolução do pacto social. Onde o Estado se retira, o caos se instala.
O "Diário do Abandono": Vozes das Redes Sociais
Basta uma breve navegação pelos comentários em grandes portais ou grupos de moradores para entender que o paraíso está rachando. Os depoimentos são um grito de socorro:
"Fui para Caraíva buscando paz e encontrei um 'pedágio' clandestino para acessar uma trilha que sempre foi livre. Quando questionei, a resposta foi um olhar intimidador. Onde está a prefeitura? Onde está a polícia?" – Relato de turista em rede social.
"Moro em Porto Seguro há 20 anos. Nunca vi o trânsito tão caótico e a cidade tão suja. Para piorar, fui assaltada na porta da minha loja em pleno meio-dia. A gente trabalha para pagar imposto e o que recebe é medo." – Comerciante local via Facebook.
O Direito de Ir e Vir sob Fogo Cruzado
A liberdade de locomoção tornou-se moeda de troca. O que se vê hoje são bloqueios constantes e desordens promovidas por grupos que tomam rodovias como reféns. O ápice dessa barbárie ocorreu recentemente na região do Prado, onde o "direito de passar" foi respondido com chumbo.
O atentado a tiros contra turistas gaúchas que trafegavam por uma estrada vicinal foi o ponto de ruptura. Como explica uma postagem que viralizou: "Não foi um assalto, foi uma execução por estarmos no lugar 'errado' na hora 'errada', em uma estrada que deveria ser pública. O trauma é eterno." Quando visitantes são recebidos a tiros, o destino deixa de ser um paraíso para se tornar uma zona de guerra.
O "Check-list" da Decadência
Enquanto o direito de trânsito é cerceado, a Costa do Descobrimento sucumbe a problemas que o marketing oficial tenta ocultar:
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Insegurança e Crime: O crime organizado hoje dita regras e cobra "taxas" em áreas que deveriam ser públicas. Arrombamentos de lojas viraram rotina noturna.
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Caos Administrativo: A falta de um Plano Diretor transformou Porto Seguro e seus distritos em um labirinto de trânsito e ocupações desordenadas.
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Degradação Social: O excesso de moradores de rua e a importunação agressiva de mendigos e ambulantes, somados a preços exorbitantes, estão expulsando o turismo de qualidade. "Paguei R$ 120 por um prato simples e tive que lidar com cinco abordagens agressivas de vendedores em 10 minutos. Não volto mais", desabafou um viajante no TripAdvisor.
O Silêncio Ensurdecedor das Entidades
Onde estão as vozes que deveriam proteger este patrimônio? O silêncio dos governos — Municipal, Estadual e Federal — é uma bofetada nos desbravadores desta terra.
Mas a omissão mais dolorosa vem das entidades que deveriam ser os cães de guarda do destino. ABIH, CDL, Associação Comercial e Abrasel: o silêncio de vocês diante das agressões a turistas e do cerceamento da liberdade é o selo de aprovação para o abismo. Ao não ocuparem as tribunas para exigir o cumprimento da lei, tornam-se espectadores do enterro do próprio mercado.
O Ponto de Não Retorno
O turismo vive de confiança. Uma vez que o estigma da insegurança e da desordem se consolida, não há campanha publicitária que recupere a reputação perdida. A região precisa de um choque de ordem imediato e do restabelecimento da autoridade constitucional.
O paraíso está sendo destruído pela omissão dos grandes e pelo abuso dos que se sentem acima da lei. O preço dessa conta será o fim de um sonho chamado Costa do Descobrimento.
NOTA DA REDAÇÃO:
O portal AGAZETTA reconhece o direito de manifestação de todas as entidades, órgãos públicos e representações citadas nesta matéria, colocando-se à disposição para a publicação de seus posicionamentos e contrapontos.

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