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BRASÍLIA / SALVADOR — As peças do tabuleiro político e jurídico em torno do escândalo do Banco Master voltaram a se mover com força no início desta semana, provocando forte apreensão nos bastidores do Partido dos Trabalhadores — sobretudo no núcleo baiano da legenda. A decisão do empresário Augusto Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, de reformular drasticamente sua equipe jurídica e sinalizar abertura para romper o silêncio mantido há meses elevou o tom de alerta entre parlamentares e articuladores do governo.
Investigado pela Polícia Federal no âmbito dos inquéritos abertos no fim de 2025 — que apuram supostos esquemas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro —, Lima era tido até então como um pilar de contenção nas apurações. A alteração no tom da defesa, contudo, movimentou os corredores de Brasília e de Salvador na noite da última terça-feira (4).
Relações próximas na Bahia
O temor da cúpula petista não é por acaso. Augusto Lima construiu uma rede de trânsito fluido entre importantes nomes do meio político, com vínculos especialmente estreitos na Bahia.
Documentos e dados levantados pela Polícia Federal nas fases anteriores da investigação já apontavam, por exemplo, um fluxo constante de comunicação entre Lima e lideranças de peso do Estado — destacando-se o registro de ao menos 74 ligações telefônicas entre o empresário e o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado.
Bastidores e renúncia de bancada
O estopim para a onda de especulações ocorreu na noite de terça-feira, quando os advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, ao lado de outros membros da banca que representava o empresário desde o início das investigações, protocolaram a renúncia formal do caso.
Para a defesa de Augusto Lima foram assumidos os advogados Eduardo Toledo e Sebastián Mello. Em posicionamento oficial enviado à imprensa, a nova junta jurídica tratou de descartar publicamente qualquer rumor de acordo de colaboração premiada com a Justiça:
"Augusto Lima informa que a destituição do escritório Figueiredo e Velloso não muda em absolutamente nada a estratégia. A defesa constituída repudia de forma veemente qualquer ilação acerca de eventual delação e segue confiante de que a inocência de Augusto Lima ficará provada no curso da investigação", afirmam em nota os advogados Eduardo Toledo e Sebastián Mello.
Apesar da negativa de uma eventual delação premiada, analistas políticos e aliados governistas avaliam que qualquer alteração de narrativa ou novo depoimento prestado por Lima à Polícia Federal tem o potencial de estender os desdobramentos do Caso Master diretamente para o coração do poder Executivo e do Congresso. O portal AGAZETTA.COM.BR segue acompanhando os desdobramentos do caso.
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