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Na política tradicional, a fidelidade costuma ser uma moeda de troca; na política de nicho e de confronto ideológico — bandeira hasteada com orgulho pela direita nos últimos anos —, ela é a única mercadoria que garante a credibilidade. É justamente nesse terreno minado que o deputado estadual Diego Castro (PL) resolveu caminhar de salto alto e sem rede de proteção.
Confrontado com a urgência quase biológica de não perder o mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o parlamentar protagoniza uma das manobras mais contorcionistas e incoerentes do cenário eleitoral baiano: o apoio simultâneo a três pré-candidatos diferentes à Câmara dos Deputados.
Não se trata apenas de uma pulverização de bases no interior; trata-se de um malabarismo ético e partidário que expõe o desespero de quem percebeu que o discurso inflamado das redes sociais, isoladamente, não garante a manutenção da cadeira no Parlamento.
Do "Padrinhamento" Raiz à Parceria Ideologicamente Oposta
Para entender o tamanho da metamorfose, é preciso voltar a 2022. Diego Castro emergiu politicamente sob a sombra acolhedora e o apelo popular da ex-secretária de Saúde de Porto Seguro, Doutora Raissa Soares — figura que funcionou como sua autêntica "madrinha política" e fiadora de votos no Extremo Sul e na Costa do Descobrimento.
Ao mesmo tempo, mantinha alinhamento quase umbilical com o Capitão Alden (PL), construindo uma dobradinha perfeita no ecossistema da segurança pública e do bolsonarismo raiz, compartilhando a mesma legenda e a mesma cartilha doutrinária.
O choque na militância ocorre agora, com a decisão de abrigar sob seu guarda-chuva eleitoral o deputado federal Leo Prates (PDT). Prates é um quadro histórico de centro, ex-secretário de Saúde de Salvador na gestão ACM Neto e filiado a um partido (PDT) que compõe a base do governo federal. Embora Leo Prates seja inegavelmente um dos parlamentares mais atuantes, articulados e expressivos da Bahia — dono de uma gestão reconhecida na saúde da capital —, a aliança entre Diego e o pdeitista é um verdadeiro "chá de picão" para o eleitor da direita conservadora.
Como explicar para a base do PL que o mesmo deputado que prega o combate intransigente à esquerda agora divide palanque e direciona cabos eleitorais para um expoente do PDT?
Incoerência Estratégica ou Falta de Ética Política?
A estratégia de apoiar três candidatos com perfis tão distintos (dois do próprio partido e um de uma sigla ideologicamente oposta) tenta transparecer musculatura política, mas esconde uma fragilidade estrutural: a incapacidade de honrar compromissos de forma exclusiva.
Ao prometer a mesma base eleitoral ou fatiar seu apoio entre Raissa Soares, Capitão Alden e Leo Prates, Diego Castro coloca em dúvida a sua própria palavra frente aos aliados.
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Para o eleitorado: Passa a mensagem de que a coerência ideológica é um acessório descartável quando a sobrevivência do mandato estadual está em jogo.
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Para os pré-candidatos a federal: Cria uma incerteza corrosiva. Quem, de fato, terá o empenho real de Diego Castro na hora em que as urnas abrirem?
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Para o PL: Escancara a falta de disciplina partidária, beneficiando um nome do PDT em detrimento da consolidação da bancada federal da própria legenda na Bahia.
O risco do tiro no pé
Na tentativa de "acender uma vela para cada santo" para garantir que votações vindas de diferentes nichos o salvem em outubro, Diego Castro corre o risco clássico de trair a todos e ser abandonado por todos.
O eleitor bolsonarista, que se movimenta fortemente por paixão e purismo ideológico, costuma ser implacável com movimentações tidas como "fisiológicas" ou "oportunistas". Ao tentar agradar gregos e troianos — a ala médica da pandemia, o segmento militar do PL e a máquina de centro do PDT —, o parlamentar flerta perigosamente com a perda de identidade.
Em política, quem quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo corre o risco de não estar em lugar nenhum. A necessidade vital de manter o mandato pode ter cado o deputado para a realidade das urnas, mas o pragmatismo exacerbado de Diego Castro tem tudo para se transformar em um retumbante tiro no pé — sepultando a credibilidade de quem prometeu renovação e entrega apenas a velha tática do "vale-tudo" pelo poder.
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