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A publicação de uma reportagem pelo jornal O Globo no último domingo (02), detalhando o avanço do crime organizado e as rotas do tráfico em Porto Seguro, acendeu o sinal de alerta e tornou-se a pauta principal entre empresários e lideranças do setor produtivo local.
Movimentando grupos de debate ao longo desta segunda-feira (03), o empresariado demonstrou grande preocupação com os impactos da violência na imagem do destino e na rotina de moradores e turistas. Diante do cenário, o grupo articula uma reunião de emergência com representantes das principais entidades do município — como ABIH, Abrasel, CDL, ABAV e associações comerciais —, além de gestores públicos locais e comandantes das forças de segurança (Polícia Militar e Polícia Civil).
Cobrança por ação municipal e Guarda Armada
Um dos pontos centrais da discussão foi a necessidade de a Prefeitura Municipal assumir um papel mais ativo na segurança pública, mesmo reconhecendo que a atribuição constitucional primária cabe ao Governo do Estado.
Entre as propostas levantadas pelos empresários para conter a criminalidade nas áreas urbanas e turísticas estão:
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Armamento e fortalecimento da Guarda Civil Municipal (GCM): A capacitação e o armamento da GCM com poder de polícia municipal foram apontados como uma solução viável e urgente para reforçar a proteção nas ruas.
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Policiamento ostensivo em orlas e praias: Reforço do patrulhamento à beira-mar com o uso de quadriciclos, cavalos e patrulhas móveis, além da presença contínua de guarda-vidas nas praias de maior movimento.
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Ações em instâncias federais: Mobilização para solicitar a transferência de lideranças criminosas locais para presídios de segurança máxima federais, enfraquecendo a atuação de facções na região.
"Não podemos ver tudo isso e ficar de braços cruzados, é muito grave o que está acontecendo. Seria fundamental reunir as entidades, a Prefeitura e a Secretaria de Turismo com os comandos da PM e os delegados da Polícia Civil para alinhar ações concretas. A prefeitura e os entes locais precisam assumir essa responsabilidade antes que a situação interfira ainda mais no turismo, nossa principal fonte de renda", destacou um dos empresários do grupo.
Atuação Integrada e Cobrança ao Estado
A desatenção das forças de estado com a Costa do Descobrimento foi amplamente criticada. Lideranças lembraram que Porto Seguro e os municípios vizinhos figuram entre os destinos turísticos mais procurados do Brasil, sendo motores econômicos relevantes para a Bahia.
"Vivemos um contraste inaceitável: enquanto a imagem da nossa cidade é vendida para o mundo, as vias de acesso e bairros sofrem com a falta de infraestrutura na segurança pública. A escalada da insegurança sufoca a economia e coloca vidas em risco. A Bahia não pode continuar tratando a Costa do Descobrimento com abandono", afirmou outro integrante do movimento.
Integrantes do grupo ressaltaram ainda a necessidade de envolver órgãos do Judiciário e do Ministério Público (MP-BA), além de órgãos federais, considerando a presença de áreas estratégicas de competência da União no município, como aeroporto, rodovias federais e a faixa marítima.
Impacto na imagem e preocupação comercial
Embora haja consenso sobre a gravidade da situação, alguns empresários ponderaram sobre o momento do vazamento dessas notícias na imprensa nacional, apontando o risco de prejudicar o fluxo de reservas para a alta temporada de verão. Por outro lado, a maioria concorda que "não há mais como esconder" os problemas de segurança e que a mobilização unificada entre a sociedade civil organizada, o poder público municipal e o Estado é o único caminho para devolver a tranquilidade à região.
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