Lula sempre gostou do microfone. Do palanque, fala grosso, desafia meio mundo, chama Trump de fascista e posa de herói da resistência. Mas, quando a oportunidade aparece de encarar o ex-presidente americano frente a frente, a coragem some. O discurso vira desculpa e o encontro vira recuo. O que sobra não é bravura, mas medo.
A cena é repetitiva: o governo anuncia que quer negociar, que precisa abrir diálogo, que o Brasil não pode ficar isolado. Dias depois, cancela a reunião com a justificativa mais constrangedora possível — “falta de tempo”. Ora, quem foge de uma conversa com a maior potência econômica do planeta não demonstra firmeza; demonstra temor. E temor não protege os interesses nacionais, apenas enfraquece a posição do país no tabuleiro internacional.
Trump já usou a mesma estratégia com líderes africanos e europeus: atrair com gestos de simpatia e, em seguida, testar a firmeza do interlocutor. Alguns resistiram, outros se submeteram. No caso do Brasil, nem foi preciso: bastou um elogio irônico para Lula amolecer, e depois um convite para expor a fragilidade. O resultado foi um presidente que correu antes mesmo de sentar à mesa.
Enquanto isso, os brasileiros encaram inflação, tarifas e incertezas. Precisam de liderança que tenha peito para negociar, não de um governante que prefere o conforto da retórica doméstica à dureza da diplomacia real. Ao se esconder atrás de discursos inflamados, Lula não enfrenta Trump — foge dele. E essa fuga tem preço: a imagem de um país que perde relevância e um presidente que ganha fama de “arregão histórico”.
No fim, não foi coragem, nem firmeza, nem estratégia. Foi medo. Medo de encarar, medo de ser exposto, medo de mostrar que por trás do grito de “truco” não havia cartas na mão.
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