Dois dias após o primeiro turno das eleições de 2022, partidos e lideranças estaduais avançam nas movimentações políticas e começam a anunciar novas alianças e posicionamentos para a segunda etapa do pleito deste ano. Logo na manhã desta terça-feira, 4, o governador Romeu Zema (Novo), que se reelegeu em primeiro turno, declarou seu apoio à candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em sua fala, o governador destacou que ele e o presidente não concordam em tudo, mas que é hora de colocar as divergências de lado. “É o momento em que o Brasil precisa caminhar para frente e eu acredito mais na proposta de Bolsonaro do que na do adversário. Até porque o adversário dele, que foi o mesmo que eu tive em Minas Gerais, foi uma gestão desastrosa que arruinou o Estado”, disse Zema, que completou: “Estou aqui hoje para declarar o meu apoio à candidatura do presidente Bolsonaro, porque eu, mais do que ninguém, herdei uma tragédia”.

 
O PDT, de Ciro Gomes, falou em candidatura “12+1” e em decisão unânime pelo apoio a Luiz Inácio. Segundo Carlos Lupi, quatro propostas foram enumeradas para viabilizar o apoio, sendo que três já haviam sido previamente apresentadas: a inclusão da Renda Mínima, que abraça uma proposta de Eduardo Suplicy (PT); a renegociação de dívidas do SPC e de pequenas empresas; e a prioridade de escolas de ensino integral. A quarta exigência, também aprovada pelas lideranças pedetistas nesta terça, é o Código Nacional do Trabalho, “com a defesa dos direitos dos trabalhadores e a revogação de tudo que tenha prejudicado o trabalhador brasileiro”, antecipou Lupi. Em vídeo, Ciro Gomes disse que vai “acompanhar o partido”, mas não citou Lula. O ex-ministro, que elevou o tom contra o petista durante a campanha, também falou em opções insatisfatórias para o segundo turno e antecipou que não vai aceitar qualquer cargo em um governo futuro.

Quem também já havia se posicionado favorável ao ex-presidente Lula foi Eduardo Jorge (PV), que foi deputado federal até 2003 e candidato à Presidência da República em 2014. Embora no primeiro turno ele tenha declarado apoio à Tebet, contrariando a federação entre o Partido Verde e o Partido dos Trabalhadores, para o segundo turno ele definiu que seu voto será “contra Bolsonaro”. “Isto implica num voto Lula, mas mantendo independência política em relação a ele. Qualquer que seja o resultado o Brasil precisa um Centro Político Democrático autônomo e bem articulado. Isto tem faltado na nossa democracia”, escreveu nas redes sociais.

Na contramão do Cidadania e PDT, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) decidiu adotar uma posição de neutralidade e liberou os diretórios para que escolham entre apoiar Lula ou Bolsonaro no segundo turno, visando que as lideranças regionais possam buscar apoio em torno de candidaturas estaduais que ainda disputam o segundo turno, como é o caso do Rio Grande do Sul, onde Eduardo Leite (PSDB) costura uma aliança com o PT para a disputa contra Onyx Lorenzoni (PL), apoiado pelo atual presidente. Em contrapartida, em Pernambuco, Raquel Lyra (PSDB) duela com Marília Arraes (Solidariedade) e, neste caso, uma aliança com o Partido Liberal, que teve quase 20% dos votos, pode assegurar o comando do Estado pelos próximos quatro anos. Entre lideranças tucanas, o ex-governador João Doria (PSDB-SP), que em 2018 se elegeu com a campanha BolsoDoria, definiu uma postura neutra e afirmou que vai votar nulo no segundo turno.