A mais recente fase da Operação Overclean, deflagrada na última quinta-feira (3/4) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, atingiu em cheio apadrinhados políticos do União Brasil, partido comandado por ACM Neto. Entre os alvos, está Bruno Barral, ex-secretário de Educação de Salvador e atual ocupante do mesmo cargo em Belo Horizonte, que foi afastado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
ACM Neto e o Rei do Lixo: os padrinhos do novo investigado
Bruno Barral chegou à Secretaria de Educação de Belo Horizonte com o aval direto de ACM Neto e do consultor político Marcos Moura, conhecido nos bastidores como o “Rei do Lixo”. Moura é um dos principais alvos da Overclean, que apura um esquema de fraudes em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos.
Segundo a Polícia Federal, a quadrilha operava a partir da Coordenadoria Estadual da Bahia do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), mas expandiu sua atuação para diversas prefeituras e secretarias, incluindo Belo Horizonte. O esquema teria movimentado mais de R$ 1,4 bilhão em contratos fraudulentos e obras superfaturadas.

Barral: do secretariado de ACM Neto ao epicentro da Overclean
A nomeação de Barral para a Secretaria de Educação de Belo Horizonte foi publicada no Diário Oficial do Município em 16 de abril de 2024. O movimento fazia parte de uma estratégia do União Brasil para ampliar sua influência na capital mineira, consolidando a presença do grupo ligado a ACM Neto.
Antes disso, Barral já havia comandado a mesma pasta em Salvador durante a gestão de Neto, e sua transferência para Minas Gerais foi vista como uma forma de manter o controle político sobre importantes setores da administração municipal.
Investigação avança e atinge diversas cidades
Com a nova fase da Overclean, a Polícia Federal cumpriu ordens judiciais em Salvador (BA), São Paulo (SP), Aracaju (SE) e Belo Horizonte (MG). A investigação também revela que a organização criminosa direcionava recursos provenientes de emendas parlamentares e convênios para empresas ligadas a aliados políticos e operadores do esquema, como Marcos Moura, que tem histórico de envolvimento em contratos milionários de coleta de lixo e manutenção urbana.
A Prefeitura de Belo Horizonte ainda não se manifestou oficialmente sobre o afastamento de Bruno Barral, enquanto o União Brasil também silencia diante das novas revelações.
A Operação Overclean segue em andamento e promete novos desdobramentos. O impacto político pode ser devastador para o grupo de ACM Neto, que agora vê seus aliados no centro de um dos maiores esquemas de corrupção do país.

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