Jornalistas que ajudaram a enterrar a Lava Jato — como se os procuradores e juízes da maior operação anticorrupção da história brasileira tivessem sido os verdadeiros criminosos — agora se dizem “estarrecidos” com o fato de Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru, ter recebido asilo do governo Lula.
Ela e o marido, o ex-presidente Ollanta Humala, foram condenados por corrupção no Peru, após embolsarem US$ 3 milhões da Odebrecht para financiar a campanha eleitoral que os levou ao poder em 2011. Ele está preso. Ela fugiu.
Nadine, alegando perseguição política e um suposto tratamento de câncer, se refugiou na embaixada brasileira em Lima. Logo depois, foi transportada ao Brasil num avião da FAB — tão rápido quanto um delivery de ceviche — para recomeçar sua vida, agora sob proteção oficial.
A defesa dela no Brasil está a cargo de advogados ligados ao famoso grupo “Prerrogativas” — aquele mesmo conhecido pelo apreço a charutos, vinhos finos e causas seletivas. Segundo eles, Nadine foi vítima de injustiça, assim como os condenados da Lava Jato no Brasil. E colou. O governo aceitou.
Sinceramente, não entendo a surpresa. Se já libertamos os nossos próprios condenados, inclusive um que hoje ocupa a Presidência da República, por que não oferecer asilo a comparsas internacionais do mesmo esquema?
A Lava Jato, segundo ministros do STF, era uma “organização criminosa disfarçada de força-tarefa”. A Odebrecht, uma empresa vítima de “tortura institucional”. Lula, um mártir perseguido. E agora, Nadine Heredia, mais uma coitada perseguida pelos malvados promotores de seu país.
Estamos apenas sendo coerentes: se desmontamos a Lava Jato no Brasil, por que manter seus efeitos no exterior?
Afinal, somos um país tradicionalmente acolhedor. Já abrigamos de tudo: paraguaios corruptos, ingleses ladrões, búlgaros traficantes, italianos terroristas — todos “acusados”, claro, dentro do mais puro espírito da presunção de inocência eterna.
A Lava Jato ameaçava esse belo histórico. Mas, graças ao STF, ela não ameaça mais. Seja bem-vinda, Nadine Heredia. A casa é sua.
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