Enquanto os dados refletem uma realidade alarmante, o novo subcomandante da Polícia Militar, coronel Antônio do Nascimento Lopes, nomeado por Jerônimo Rodrigues, afirmou em entrevista ao site Conectado News que “na Bahia não existem facções criminosas”. A declaração gerou revolta entre a população e especialistas em segurança, que apontam o crescimento da violência e o domínio de facções em diversas regiões do estado.
O subcomandante tentou justificar sua afirmação dizendo que os grupos que atuam na Bahia “não são facções criminosas”, mas apenas “grupos que se intitulam facções”. Entretanto, os tiroteios diários, o aumento das execuções sumárias e a expansão de organizações criminosas para o interior do estado contradizem essa afirmação.
No mesmo pronunciamento, Lopes listou apreensões de armas e operações da PM, tentando amenizar a percepção de descontrole da violência. No entanto, a população segue convivendo com o medo e a insegurança.
Quando questionado sobre um incidente recente envolvendo um fuzil deixado por policiais na casa de um morador em Mangabeira, o subcomandante limitou-se a dizer que “só depois de apurarmos será emitida uma nota”.
Diante desse cenário, as políticas de segurança do estado são cada vez mais questionadas, e a população segue aguardando medidas efetivas para conter a violência e garantir o direito básico à segurança.
A Bahia apresenta um cenário complexo no que diz respeito à violência, com indicadores que refletem tanto avanços quanto desafios.
Redução nas Mortes Violentas
Em 2024, o estado registrou o menor número de mortes violentas dos últimos 17 anos, com uma diminuição de 8,7% nos crimes violentos letais em comparação a 2023. Essa tendência de queda se estendeu por três anos consecutivos, atribuída a ações integradas e ao uso de tecnologia pelas forças de segurança. Especificamente, os feminicídios tiveram uma redução de 7,8%. Na capital, Salvador, a diminuição foi de 12,5%, enquanto na Região Metropolitana alcançou 12,7% em relação ao ano anterior.
Aumento nas Denúncias de Violência contra a Mulher
Por outro lado, o serviço Ligue 180 registrou um aumento significativo nos atendimentos relacionados à violência contra a mulher na Bahia. Em 2024, foram contabilizadas 63.330 ligações, um acréscimo de 42% em relação a 2023. As denúncias formais também cresceram 11,6%, passando de 8.143 em 2023 para 9.090 em 2024.
Homicídios e Violência Policial
Apesar das reduções em algumas áreas, a Bahia ainda enfrenta desafios significativos. No primeiro semestre de 2024, o estado liderou os índices de homicídios dolosos no país, com 2.087 casos registrados, representando uma média de 11 homicídios por dia. Além disso, em 2023, a Bahia foi o estado com o maior número de mortes decorrentes de intervenções policiais, totalizando 1.699 óbitos, o que corresponde a uma em cada quatro mortes desse tipo no Brasil.
Feminicídios
Entre 2017 e 2024, a Bahia registrou 790 casos de feminicídio, indicando que, em média, uma mulher foi vítima de violência de gênero letal a cada três dias no estado.
Taxa de Homicídios
Em 2023, a Bahia apresentou uma taxa de homicídios de 46,5 por 100 mil habitantes, posicionando-se como o segundo estado mais violento do país, atrás apenas do Amapá.

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