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Trump ataca Brasil e Justiça em discurso na ONU e só depois elogia Lula

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Trump ataca Brasil e Justiça em discurso na ONU e só depois elogia Lula
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23.set.2025 – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou seu retorno à tribuna da Assembleia Geral da ONU para lançar críticas duras contra o Brasil, contra o sistema de justiça brasileiro e até contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, antes de surpreender ao mencionar uma “boa química” com o líder petista.

Trump abriu suas referências ao Brasil com uma declaração contundente: “O Brasil está indo mal e continuará indo mal. Eles só conseguirão se sair bem quando trabalharem conosco; sem nós, eles fracassarão, assim como outros fracassaram.” Em seguida, acusou o país de impor tarifas injustas contra produtos americanos, justificando a adoção de “tarifas massivas” de até 50% sobre exportações brasileiras. Ele também lembrou que sua administração aplicou sanções a autoridades brasileiras, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, por considerar que havia “abuso de poder e perseguição política”.

Em tom ainda mais incisivo, o republicano acusou o Brasil de violar liberdades democráticas: “O Brasil tem recorrido à censura, à repressão, ao uso político das instituições, à corrupção judicial e à perseguição de críticos políticos – inclusive nos Estados Unidos.” Para Trump, tais práticas comprometeriam a credibilidade internacional do país e justificariam a postura firme de Washington.

As falas sobre o Brasil ocuparam parte considerável do discurso e reforçaram o posicionamento de Trump de condicionar relações bilaterais a mudanças internas. Ele chegou a afirmar que o futuro econômico brasileiro depende do alinhamento com os Estados Unidos, advertindo que sem essa parceria o país “fracassará”.

Somente depois de criticar o país, suas instituições e a condução política, Trump suavizou o tom ao relatar um breve encontro com Lula nos corredores da ONU. “Nós não tivemos muito tempo para falar aqui, foram tipo 20 segundos… Ele parecia um homem muito legal. Tivemos uma química excelente, e isso foi um bom sinal.” O presidente americano ainda mencionou a possibilidade de uma reunião bilateral na próxima semana, caso haja interesse.

O contraste entre os ataques iniciais e o gesto cordial posterior chamou a atenção dos observadores. Ao mesmo tempo em que reforçou críticas severas ao Judiciário brasileiro, à condução do governo e às relações comerciais, Trump buscou sinalizar abertura ao diálogo direto com Lula.

Em resposta, Lula usou sua própria fala na ONU para classificar as sanções e acusações americanas como “inaceitáveis” e um “ataque à soberania nacional”. O presidente brasileiro defendeu a independência do Judiciário e afirmou que os processos no país respeitam o devido processo legal.

O discurso de Trump desmonta a versão de que ele teria apenas elogiado Lula. Antes do breve gesto diplomático, o republicano dedicou longos minutos a criticar a economia, a justiça e a política brasileira, deixando claro que sua visão sobre o Brasil é marcada pela desconfiança e pela cobrança de alinhamento aos interesses americanos.

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