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O projeto foi apresentado pelo Ministério da Fazenda em março deste ano e tramitou no Congresso Nacional por cerca de nove meses. Mais cedo, o texto foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), também em votação simbólica, sob relatoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL). O texto chegou ao plenário com pedido de regime de urgência para acelerar a tramitação.
Ao todo, 25 milhões de pessoas deverão ser beneficiadas pelo aumento na faixa de isenção do Imposto de Renda, segundo dados do Ministério da Fazenda.
Além da desoneração total para quem ganha até R$ 5 mil, a proposta dá isenção parcial para quem recebe até R$ 7.350. Como medida compensatória, o projeto do governo propõe a taxação dos chamados “super-ricos”, criando uma alíquota de 10% sobre pessoas físicas que recebem mais de R$ 600 mil por ano.
Disputa política e compensação
Na Câmara, o projeto tramitou sob a relatoria do ex-presidente da Casa Arthur Lira (PP-AL). Após uma longa costura política, o parecer do deputado alagoano chegou ao plenário no começo de outubro e foi aprovado por unanimidade.
Já no Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) designou Renan Calheiros, presidente da CAE e principal adversário político de Lira em Alagoas.
O senador alagoano não poupou o ex-presidente da Câmara de críticas ao longo da tramitação. Disse que o texto demorou demais para ser aprovado na Câmara e que teria “pegadinhas” inconstitucionais inclusas pelo relator.
As declarações tomaram o governo de surpresa, já que, se o Senado mudasse o mérito, o projeto voltaria para análise da Câmara, estendendo a sua tramitação. O Planalto não queria, sob nenhuma hipótese, que o texto retornasse à Câmara. Renan, porém, escolheu apresentar uma proposta para incluir “correções” ao projeto da Câmara, como dito no relatório, e não alterar o texto de Lira, somente fazendo mudanças redacionais.
“Não relegamos a necessidade de aprimoramentos no texto, como apontamos neste relatório. No entanto, é o momento de sermos pragmáticos para possibilitarmos a aprovação do texto e encaminhá-lo para sanção ainda neste ano, para que surta efeitos em janeiro próximo”, justificou o senador.
Entre as reclamações de Renan sobre o relatório de Lira, estão mudanças sobre a isenção de tributação de lucros referentes a 2025, mas distribuídos até 2028, e o envio de dividendos ao exterior, que comprometem a arrecadação. Em meio à tributação do IR, o senador alagoano apresentou o Projeto de Lei nº 5.473/2025, que projeta R$ 6,68 bilhões em 2028 em contrapartida sobre a taxação de bets e fintechs.
O texto tramita em regime terminativo na CAE, ou seja, vai direto para a Câmara, e deverá ser votado na semana que vem, sob a relatoria de Eduardo Braga (MDB-AM).
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