Uma pesquisa recente do Instituto Paraná Pesquisas mostra uma vantagem considerável para o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), na disputa pelo governo da Bahia em 2026. Segundo o levantamento, ACM Neto lidera as intenções de voto com 53,5%, enquanto o atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), aparece com 28,1%.

A pesquisa, que apresenta os nomes dos candidatos aos eleitores, também incluiu João Roma (PL), que registrou 6,1% das intenções de voto, e Kléber Rosa (PSOL), com 1,3%. A parcela de eleitores que se declarou indecisa ou preferiu não responder foi de 4,6%.

Em um cenário alternativo, a pesquisa substituiu Jerônimo Rodrigues pelo ministro da Casa Civil e ex-governador, Rui Costa (PT). Nessa simulação, ACM Neto mantém sua liderança com 53,3%, enquanto Rui Costa alcança 28%. Os outros candidatos, João Roma e Kléber Rosa, marcaram 6,2% e 1,4%, respectivamente. O número de indecisos neste cenário foi de 4,3%.

O estudo foi conduzido entre 25 e 29 de julho de 2025, com 1.620 eleitores em 66 municípios baianos. Publicado pelo portal Bahia Notícias, o levantamento possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.

O Balanço da Gestão do PT na Bahia: Conquistas e Controvérsias
Ao longo de quase duas décadas, a administração do Partido dos Trabalhadores (PT) na Bahia, sob os governos de Jaques Wagner (2007-2014), Rui Costa (2015-2022) e, mais recentemente, Jerônimo Rodrigues (a partir de 2023), deixou um legado de avanços e desafios persistentes. Enquanto a gestão é creditada com a execução de grandes obras de infraestrutura e a implementação de importantes políticas sociais, ela também enfrenta críticas severas em áreas como segurança pública, desenvolvimento econômico e educação.

Infraestrutura: Marcos e Promessas Não Cumpridas
A gestão petista é frequentemente elogiada por obras significativas que modernizaram a infraestrutura do estado. Entre elas, destacam-se a construção da Arena Fonte Nova e da Via Expressa, a expansão do Metrô de Salvador e a melhoria de aeroportos regionais e estradas. Além disso, programas sociais como o "Água para Todos" e "Luz para Todos" levaram serviços básicos a áreas remotas, melhorando a qualidade de vida de muitas comunidades.

No entanto, a oposição e analistas políticos apontam para a morosidade e a falta de conclusão de projetos estratégicos. Obras de grande porte, como a Ponte Salvador-Itaparica, o Porto Sul e a Ferrovia Oeste-Leste (FIOL), que foram promessas de campanha, permanecem inacabadas após anos de governo, gerando frustração e questionamentos sobre o planejamento e a execução.

Desafios Sociais e Econômicos
Apesar dos esforços em políticas sociais, a Bahia ainda lida com índices preocupantes de desemprego e desigualdade, mantendo-se entre os piores do país. A crítica se intensifica ao focar no interior do estado, que, segundo analistas, recebeu menos investimentos e mostra um crescimento econômico mais lento em comparação com a capital, Salvador. Há também o debate sobre se as políticas assistenciais criaram uma dependência em vez de promover o desenvolvimento de base.

Em relação à educação e saúde, a situação é mista. Na educação, apesar de investimentos e reformas, os resultados são modestos; o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) do estado ainda está abaixo da média nacional, com críticas à infraestrutura escolar e à alta taxa de evasão. Na saúde, os problemas persistem, com a oposição frequentemente destacando a chamada "fila da morte" na regulação de leitos e a falta de hospitais regionais adequados, um ponto levantado publicamente pelo ex-prefeito ACM Neto.

A Crise da Segurança Pública
A segurança pública é, sem dúvida, um dos calcanhares de Aquiles da gestão do PT na Bahia. O estado registrou um aumento drástico na letalidade policial entre 2014 e 2022, superando a média nacional. Sob a atual gestão de Jerônimo Rodrigues, a Bahia continua a liderar o ranking nacional de homicídios.

Embora o governo tenha respondido com a contratação de cerca de 6 mil novos policiais e investimentos em tecnologia, o problema ainda é visto como um dos mais graves. As ações recentes, que resultaram em uma queda nas mortes violentas e nos confrontos com a PM, mostram que o governo está buscando soluções, mas o desgaste político na área é evidente e gera críticas constantes.

Popularidade e o Cenário Político Atual
A popularidade do PT na Bahia se manteve alta por muitos anos, com o ex-governador Rui Costa alcançando aprovação de 71% no fim de seu mandato. No entanto, a gestão atual de Jerônimo Rodrigues tem enfrentado um desgaste político significativo. Embora sua aprovação geral ainda seja considerável (61% em 2025), a sua administração tem índices negativos em áreas-chave como segurança (39% negativa) e geração de emprego (apenas 35% aprovam).

A oposição, liderada por figuras como ACM Neto, tem capitalizado sobre esses problemas, classificando as quase duas décadas de governo petista como "um período de fracasso" em segurança, saúde e educação. A crescente insatisfação de prefeitos do interior com a lentidão da gestão e a dependência de empréstimos estaduais também contribuem para o cenário de desgaste.

Em resumo, a era do PT na Bahia é marcada por contrastes. A gestão trouxe avanços notáveis em infraestrutura e políticas sociais, mas não conseguiu resolver problemas estruturais como a pobreza, a fragilidade dos serviços públicos e a violência. O atual governo de Jerônimo Rodrigues enfrenta o desafio de lidar com um desgaste político acentuado, com a segurança pública e a economia se tornando os principais focos de crítica.