A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, uma das estatais mais antigas e capilares do Brasil, vive uma crise sem precedentes. Após registrar lucros bilionários entre 2019 e 2021, a estatal acumula prejuízos superiores a R$ 3,4 bilhões entre 2023 e 2024. E o que é mais alarmante: a crise atual não decorre de heranças da pandemia ou da gestão anterior, como a narrativa oficial sugere, mas sim de decisões políticas adotadas já sob o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A análise de dados oficiais, reportagens investigativas e declarações técnicas revela que a virada negativa nos balanços da estatal tem como origem:

A alta taxação sobre o e-commerce internacional promovida por Lula e Haddad;
O desvio de recursos para patrocínios culturais milionários em detrimento da estrutura e dos funcionários da empresa;
A falta de modernização logística em um cenário cada vez mais competitivo com empresas privadas de entregas.

BOLSONARO ENTREGOU OS CORREIOS COM LUCROS
Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022), os Correios passaram por um período de recuperação:
2019: R$ 102 milhões de lucro
2020: R$ 1,5 bilhão de lucro
2021: R$ 3,7 bilhões de lucro — o maior da história da estatal

Essa sequência positiva se deveu ao enxugamento da máquina administrativa, revisão de contratos, reestruturação interna, e, claro, à explosão do comércio eletrônico durante a pandemia. A estatal ainda estava em fase de preparação para uma eventual privatização, com bons indicadores operacionais.

2022: O ANO DA VIRADA E DA DISPUTA NARRATIVA
O ano de 2022, último da gestão Bolsonaro, registrou um prejuízo de R$ 767 milhões nos Correios. O governo Lula tenta usar esse dado como "prova" de que o colapso financeiro já havia começado antes. No entanto, especialistas apontam que o resultado negativo de 2022 tem explicações distintas:
Queda natural do e-commerce após o fim da pandemia;
Reajustes salariais acumulados;
Redução das remessas internacionais no segundo semestre;
Contabilização de passivos antigos da empresa.

Importante destacar: o prejuízo de 2022 só foi consolidado em abril de 2023, já sob o governo Lula, e a própria equipe econômica do novo governo decidiu não manter as medidas de correção que estavam em andamento, optando por um novo modelo de gestão baseado em aumento de tributos e patrocínios culturais.

Ou seja: 2022 foi um ponto de inflexão, mas não causador estrutural da crise. O aprofundamento da deterioração ocorreu a partir de 2023.

LULA E HADDAD ACENTUARAM O PROBLEMA
Com a posse do novo governo, duas medidas impactaram duramente a estrutura de receitas dos Correios:
1. Criação da taxa de importação para compras internacionais de até US$ 50 — apelidada de “taxa das blusinhas”;
2. Adoção obrigatória do programa “Remessa Conforme”, dificultando o frete barato de produtos de plataformas como Shopee, AliExpress e Shein.
A consequência foi imediata: queda de mais de 60% no volume de pacotes internacionais movimentados pelos Correios. Como esse segmento era a principal fonte de lucro da estatal desde 2020, o efeito foi devastador.

CORREIOS PATROCINAM SHOWS MILIONÁRIOS EM MEIO A CRISE INTERNA
Enquanto isso, em plena deterioração financeira, os Correios investiram mais de R$ 20 milhões em ações culturais:
R$ 4 milhões para Gilberto Gil, em sua turnê “Tempo Rei”;
R$ 6 milhões no festival Lollapalooza;
Apoios diversos a festivais e eventos culturais promovidos por artistas e instituições ligadas ao governo.
Tais gastos ocorreram ao mesmo tempo em que a empresa atrasava salários, parcelava o vale-alimentação e suspendia repasses ao plano de saúde Postal Saúde, afetando funcionários e aposentados.

Em nota publicada por jornais como Gazeta do Povo e Pleno.News, sindicatos denunciaram a “inversão de prioridades” da gestão, afirmando:

“Enquanto a empresa sofre com déficit operacional, vê-se recursos sendo destinados à promoção de shows milionários. Isso não é fomento cultural, é desrespeito com quem carrega a estatal nas costas há décadas.”

FALTA DE INVESTIMENTO EM INFRAESTRUTURA E GESTÃO TÉCNICA
Sob Lula, os Correios interromperam projetos de modernização logística e digitalização dos sistemas de rastreio e entrega. A empresa também abandonou a agenda de privatização e reestruturação operacional, optando por uma gestão mais ideológica e política, com nomeações indicadas por partidos e movimentos sociais.

A empresa perdeu competitividade diante de players como Amazon, Mercado Livre, Jadlog, Loggi e transportadoras regionais que passaram a absorver a demanda que os Correios já não conseguem suprir.

SALÁRIOS, GREVES E COLAPSO FUNCIONAL
Em 2023 e 2024, os Correios enfrentaram:
Greves em 14 estados por atrasos e más condições de trabalho
Parcelamento do vale-alimentação e dos benefícios
Suspensão do plano de saúde Postal Saúde por falta de repasse
Reclamações formais de funcionários e aposentados em sindicatos e ações judiciais coletivas

Relatos internos indicam um clima de desânimo e revolta entre servidores, agravado pela percepção de que a estatal foi transformada em “moeda simbólica” de propaganda cultural do governo.

DE EMPRESA LUCRATIVA A ESTATAL DEFICITÁRIA
O governo Bolsonaro entregou os Correios com lucros e estrutura enxuta. O ano de 2022 marcou um ajuste de curva, mas não foi estruturalmente o causador do colapso. O governo Lula, com decisões tributárias e gastos publicitários desconectados da realidade operacional, agravou drasticamente a situação.

Hoje, os Correios têm:
Um rombo bilionário;
Perda acelerada de mercado;
Servidores em greve;
Um plano de saúde em colapso;
E uma reputação institucional abalada.

A menos que haja uma mudança urgente de rumos, com foco técnico, realocação de prioridades e plano estratégico de retomada, a estatal corre o risco de perder sua relevância histórica no setor logístico nacional.