A menos de uma semana da convenção nacional do PL, marcada para o próximo sábado (25/7), o senador Flávio Bolsonaro (RJ) segue com um impasse central em sua candidatura ao Palácio do Planalto: a definição de quem ocupará a vaga de candidato a vice-presidente.

Apesar dos esforços das últimas semanas para atrair siglas aliadas e ampliar o palanque, a campanha esbarra na resistência de partidos do Centrão e em divisões internas, o que faz uma chapa “puro-sangue”, composta apenas por nomes do próprio PL, não ser descartada.

Nos últimos meses, o entorno do senador tratou a candidatura à Vice-Presidência como uma das principais moedas de negociação para atrair partidos à coligação. A estratégia, porém, não produziu os resultados esperados. Parte da cúpula do PL defendia que a vaga fosse cedida a um partido do Centrão para ampliar o alcance da candidatura e agregar força política e eleitoral.

A principal aposta era um acordo com a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. As negociações, no entanto, perderam força em meio às crises internas da campanha e ao desgaste na relação entre Flávio e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Hoje, dirigentes das duas legendas consideram uma aliança “pouco provável”.

Sem avanços nesse bloco, a campanha voltou suas negociações para Republicanos e Podemos. Segundo dirigentes das duas siglas, a possibilidade de indicar o vice de Flávio segue em discussão. O principal entrave, porém, é a divisão interna em ambos os partidos, que avaliam permanecer neutros na disputa presidencial de outubro.

Integrantes da campanha relatam que, durante os momentos de maior turbulência, a escolha do vice ficou em segundo plano. A prioridade era fechar uma aliança partidária antes de definir o companheiro de chapa. Com a proximidade do período das convenções, entre 20 de julho e 5 de agosto, e o enfraquecimento das negociações, aumentou a possibilidade de o PL optar por um nome da própria legenda.

Aliados de Flávio dizem esperar que o impasse seja resolvido antes da convenção e que o partido pretende chegar ao evento do próximo sábado com a chapa completa.

Mas há uma possibilidade de que o nome seja escolhido apenas depois, até 5 de agosto. Nesse caso, a convenção oficializaria apenas a candidatura de Flávio e delegaria poderes à executiva nacional do PL para finalizar as tratativas.

Favorita de Flávio

A preferência de Flávio é que a vaga seja ocupada por uma mulher, estratégia traçada para reduzir sua rejeição entre o eleitorado feminino. A favorita do senador é a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, atualmente filiada ao Republicanos.

A escolha, porém, depende do desfecho das negociações com o Republicanos, que também envolvem acordos para palanques estaduais ainda considerados insuficientes pela direção da legenda, comandada pelo deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP). Além disso, consultas internas apontam uma tendência de o partido permanecer neutro na corrida ao Planalto.

A candidatura de Daniella também enfrenta resistência dentro da campanha, do PL e do próprio Republicanos. Dirigentes avaliam que a insistência em seu nome acabou dificultando ainda mais as negociações políticas.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tem dito a interlocutores que Daniella não reúne força política suficiente para ocupar a vaga. Na avaliação dele, a chapa precisa de um vice capaz de ampliar alianças e agregar capital político à candidatura de Flávio.

“Daniella [Marques] é uma excelente pessoa, mas precisa ter voto, né? Tem que trazer alguém que tenha voto”, declarou o dirigente, no início do mês.

Outro fator apontado por dirigentes é a filiação recente de Daniella ao Republicanos. Ela ingressou na legenda em abril, o que, na avaliação de integrantes do partido, faz com que ainda não represente efetivamente a sigla nem tenha capacidade de mobilizar sua militância durante a campanha.

Valdemar defende a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Para o dirigente, a parlamentar agregaria votos e credibilidade à chapa. A composição, entretanto, também depende de um entendimento com a União Progressista, cuja cúpula considera remota uma aliança com o PL. Ainda assim, o presidente do partido deve voltar a se reunir com Tereza Cristina nos próximos dias.

Ao longo dos últimos meses, a campanha avaliou diferentes alternativas para a Vice-Presidência. Segundo aliados, nomes como os da própria Tereza Cristina e das deputadas Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE) não apresentaram desempenho relevante nas pesquisas qualitativas encomendadas pela equipe.

Mais recentemente, o deputado Eduardo Bolsonaro passou a defender a indicação da deputada Júlia Zanatta (PL-SC). O perfil mais ideológico da parlamentar, porém, encontra resistência entre lideranças do Centrão, que preferem um nome com maior capacidade de diálogo com setores moderados do eleitorado.

PL Mulher, de Michelle, chegou a fazer lista de candidatas

Nas semanas que antecederam o racha público e a saída de Michelle Bolsonaro do comando do PL Mulher, a cúpula da ala feminina do Partido Liberal chegou a elaborar uma lista de nomes para disputar a vice na chapa de Flávio Bolsonaro.

A ruptura, no entanto, interrompeu a articulação e fez com que a chamada “lista tríplice” deixasse de avançar. Integrantes do entorno de Michelle avaliam que a campanha errou ao ventilar nomes de dirigentes e parlamentares do próprio partido antes de definir a composição da chapa.

Na avaliação desse grupo, a estratégia criou expectativa entre as correligionárias de que uma mulher seria escolhida para a Vice-Presidência, cenário que pode não se concretizar caso a vaga seja destinada a um homem, para viabilizar uma aliança política. Dirigentes do PL admitem que, entre as opções estudadas para a vice de Flávio, há homens.

Eleitorado feminino

  • O eleitorado feminino é um dos principais alvos dos pré-candidatos à Presidência da República.
  • As mulheres representam a maioria dos eleitores aptos a votar no Brasil, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgados em junho.
  • Ao todo, são mais de 83,8 milhões de eleitoras, o equivalente a 52,8% do eleitorado.
  • O país tem cerca de 158,7 milhões de pessoas habilitadas a votar.

Flávio defende mulher como vice

Em transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (16/7), Flávio voltou a defender que sua vice seja uma mulher e citou Daniella Marques, Simone Marquetto e Clarissa Tércio como possibilidades.

“Eu já falei várias vezes: a minha preferência é que [a vice] seja uma mulher. Estão falando muito o nome da Dani. Então é importante vocês conhecerem, olhando para a frente. Tem uma outra que está atrás da câmera, que vocês não estão vendo, que é Simone Marchetto, que ajudou a gente também a construir esse programa Brasil por Elas. O nome dela foi falado para caramba”, disse Flávio.

A declaração foi feita durante o lançamento do programa Brasil por Elas, conjunto de propostas da campanha voltado ao eleitorado feminino e coordenado por Daniella Marques. A ex-presidente da Caixa, Simone Marquetto e Fernanda Bolsonaro, mulher do senador, deverão percorrer o país para apresentar as propostas da iniciativa.