As eleições de 2026 estão batendo à porta e, com elas, a velha avalanche de discursos inflamados, promessas fáceis e campanhas milionárias nas redes sociais. Mas antes de apertar o "confirma" na urna eletrônica, o eleitor precisa parar e fazer uma pergunta incômoda, porém vital: nós realmente sabemos o que os nossos representantes fazem quando as luzes dos palanques se apagam?

Votar não é um ato de torcida organizada; é uma contratação de longo prazo. O deputado federal que você escolhe hoje é o mesmo que, amanhã, decidirá o rumo da segurança pública do seu bairro, a verba que chega ao hospital da sua cidade e o tamanho dos impostos que saem do seu bolso. Escolher sem critério, guiando-se apenas por simpatias ou posts de internet, é entregar um cheque em branco para quem vai ditar o nosso futuro pelos próximos quatro anos.

Para ajudar você a exercer esse papel de contratante com a seriedade que o momento exige, fomos atrás dos registros oficiais. Deixamos de lado a retórica política e fizemos um pente-fino implacável nos dados de transparência da Câmara dos Deputados.

Abaixo, você vai ver como atuam, de verdade, três dos nomes mais influentes da bancada baiana em Brasília: Capitão Alden, Jonga Bacelar e Roberta Roma. Quem produz? Quem falta? Quem custa mais caro?

Prepare-se para ver os números que os políticos preferem não mostrar.

DOSSIÊ BAHIA

Um pente-fino nos dados oficiais de 2026 revela quem mais produz, quem mais gasta a cota pública e quem lidera o ranking de faltas sem justificativa entre os três parlamentares do PL baiano.

Os discursos em palanques e as postagens em redes sociais costumam pintar o retrato que os políticos desejam que o eleitor veja. No entanto, os registros frios do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados contam uma história bem mais realista.

Uma análise minuciosa sobre a atuação de três influentes deputados federais da Bahia — Capitão Alden, Jonga Bacelar e Roberta Roma, todos filiados ao Partido Liberal (PL) — revela abismos profundos na produtividade, assiduidade e no uso do dinheiro público para a manutenção de seus mandatos em Brasília.

Assiduidade:
O Abismo da Presença nas Comissões

A presença no plenário é monitorada de perto, mas é nas comissões temáticas que as leis são debatidas e costuradas. Nesse quesito, os três parlamentares baianos apresentam comportamentos radicalmente opostos.

  • Capitão Alden (O Caxias): Registra um índice de 100% de assiduidade no plenário em 2026. Das 62 sessões deliberativas, esteve presente em 61 e teve apenas uma ausência justificada. Nas comissões, das 87 reuniões de trabalho, acumulou 77 presenças e nenhuma falta sem justificativa.

  • Roberta Roma (A Equilibrada): Mantém um nível de presença elevado no plenário (98% de assiduidade). Das 63 reuniões de comissão para as quais foi convocada, participou de 50, justificando sete ausências e registrando seis faltas não justificadas.

  • Jonga Bacelar (O Faltoso): Dono de um perfil de bastidores, o veterano apresenta dados que acendem o sinal de alerta. No plenário, acumulou duas faltas não justificadas. O cenário é crítico nas comissões: das 28 reuniões em que sua presença era obrigatória, Jonga faltou a 15 sem apresentar qualquer justificativa — comparecendo a apenas oito encontros.

Produtividade Legislativa:
Discrepância nos Números

O volume de propostas apresentadas por um parlamentar ajuda a medir seu engajamento técnico no parlamento.

1.Capitão Alden (440 propostas):Foco ideológico e corporativo.

Com uma atuação focada em segurança pública e pautas de direita, Alden é disparado o mais produtivo do trio em volume. Assumiu a 2º Vice-Presidência da Comissão de Segurança Pública em 2026 e é autor do PL 2404/2025, que regulamenta critérios para abordagens policiais.

2.Roberta Roma (27 propostas):Foco social e agronegócio.

Como Vice-Líder da Minoria no Congresso, direciona sua atuação à Comissão de Agricultura e pautas voltadas à proteção infantil no ambiente digital e ao empreendedorismo feminino. Suas propostas são mais pontuais e focadas em nichos específicos.

3.Jonga Bacelar (20 propostas):Atuação de bastidor.

Com perfil corporativo voltado para os setores de minas, energia e portos, Jonga tem a menor produção legislativa autoral do grupo. O parlamentar prefere atuar na articulação de relatórios e emendas de comissões setoriais a apresentar novos projetos de lei.

Dinheiro Público:
Quem mais gasta a Cota Parlamentar?

Manter um mandato em Brasília custa caro, mas a forma como cada deputado consome a chamada Cota Parlamentar (recurso destinado a passagens aéreas, combustíveis, aluguel de escritórios e divulgação) varia bastante.

  • Roberta Roma lidera os gastos proporcionais de cota entre o trio baiano. Em 2026, a deputada utilizou R$ 327.672,87 — o equivalente a 95,1% de todo o limite disponível para o ano.

  • Capitão Alden consumiu R$ 258.794,06 (73,6% do limite), mantendo uma folga de quase R$ 92 mil nos cofres públicos.

  • Jonga Bacelar gastou R$ 239.223,41 (69,4% da cota disponível).

Quando o assunto é a Verba de Gabinete — destinada exclusivamente ao pagamento de assessores e secretários —, todos os três parlamentares operam próximos do limite máximo (na casa dos 95% a 99% de utilização), mantendo entre 26 e 29 funcionários ativos em Brasília e na Bahia.

No auxílio-moradia, enquanto Jonga Bacelar e Roberta Roma ocupam apartamentos funcionais cedidos pela Câmara, Capitão Alden optou pelo recebimento do benefício financeiro, embolsando R$ 21.265,00 em auxílio-moradia ao longo do período.

O Destino das Emendas:
Onde o Recurso é Aplicado?

As emendas parlamentares são o principal instrumento de ligação dos deputados com suas bases eleitorais na Bahia. O direcionamento do dinheiro revela as prioridades de cada um:

As emendas "Pix" (Transferências Especiais): Jonga Bacelar e Roberta Roma priorizam o envio rápido de dinheiro sem carimbo direto. Jonga enviou R$ 19,7 milhões e Roberta enviou R$ 19,6 milhões nessa modalidade para prefeituras parceiras.

A Saúde Pública: Capitão Alden concentrou esforços no custeio direto da saúde, destinando R$ 20,6 milhões divididos entre atenção primária e rede hospitalar baiana, enquanto Roberta Roma direcionou R$ 12,9 milhões para a saúde básica dos municípios.

Três Estilos de Mandato no Mesmo Partido

Os dados consolidados pela Câmara mostram que o PL da Bahia abriga três perfis completamente diferentes de parlamentares:

  1. Capitão Alden atua como um militante produtivo e assíduo, focado em marcar território na pauta de segurança.

  2. Roberta Roma desempenha o papel de articuladora institucional de centro-direita, com presença constante e uso intensivo dos recursos de cota para viabilizar sua imagem política.

  3. Jonga Bacelar se mantém como um político clássico de bastidores, cuja baixa assiduidade nas comissões contrasta com sua força para negociar e liberar grandes volumes de emendas orçamentárias.

Cabe ao eleitor baiano avaliar qual desses modelos de representação entrega o melhor resultado para o estado.