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O Hospital Regional Deputado Luís Eduardo Magalhães (HRLEM), em Porto Seguro, administrado pelo Governo do Estado da Bahia, está no centro de uma nova e grave crise na saúde pública. Com falta crônica de insumos, leitos de UTI e equipamentos, a unidade de saúde compromete o atendimento de toda a região do Extremo Sul, expondo pacientes a situações de abandono e humilhação.
A dimensão do colapso é evidenciada pelo caso de Milena Cabral, que aguarda uma cirurgia no cérebro há mais de dois meses. Segundo relato da irmã, Atiele Carvalho Cabral, Milena foi internada por 30 dias após a colocação de um dreno na cabeça. No entanto, a remoção do tumor cerebral não pôde ser realizada devido à falta de material cirúrgico e de vagas na UTI.
Durante a internação, a família precisou se mobilizar para conseguir doações de sangue, após o hospital informar que não havia o tipo necessário disponível. Mesmo com o sangue e o leito de UTI garantidos, a cirurgia foi adiada novamente por falta de insumos. Sem previsão para o procedimento, os médicos orientaram que Milena retornasse para casa, onde aguarda até que o material seja disponibilizado.
A situação é agravada pelo fato de Milena, que necessita de um procedimento de alta complexidade, não ter sido incluída na regulação do Sistema Único de Regulação (SUREM) para ser transferida a outra unidade. A família relata que o hospital justifica a não realização do encaminhamento alegando que a cirurgia "poderia ser feita localmente," mesmo com o procedimento pendente por falta de estrutura.
DRA. Raissa, faz críticas à Gestão Estadual e o Apelo por um Hospital Municipal
Em um vídeo gravado em frente à unidade, a Doutora Raissa manifestou seu repúdio à situação e fez um apelo urgente por uma solução local e autônoma para a crise hospitalar em Porto Seguro.
Em sua fala, Dra. Raissa declarou:
"Eu estou aqui na frente do Hospital Luís Eduardo Magalhães... É a anos nós estamos vendo o mesmo problema. Nós estamos vendo pessoas no corredor, nós estamos vendo pessoas que estão tendo seu tratamento interrompido, porque ele não consegue a medicação para concluir. Nós estamos vendo pessoas que estão aguardando cirurgias porque não tem o instrumento, a pecinha, a órtese, a prótese, aquele equipamento, aquele item necessário para fazer a cirurgia. Então ele fica esperando no corredor... O Estado está mostrando uma incompetência para garantir saúde e dignidade para nossa gente."
A médica defende que Porto Seguro, com um orçamento anual que ultrapassa R$ 1 bilhão, não pode mais depender da gestão estadual, que ela classifica como "perdulária e ineficaz" por deixar o povo "nos corredores deitados em camas, sendo constrangedor e humilhados."
Dra. Raissa concluiu seu apelo com um forte chamado à ação e a uma nova solução para a saúde do município:
"Porto Seguro arrecada mais de 1 bilhão de reais por ano, já passou da hora de construir o seu hospital. A administração atual está vendo e já planejando isso, isso é muito bom. Vamos lutar para ter o nosso hospital municipal, porque aí a nossa gente, seja morador ou turista, vai ter segurança de saúde para eu conseguir tratar as pessoas com a dignidade que elas merecem."
A atual gestão do HRLEM, a cargo do GH, tem seu contrato encerrado em 30 de outubro, sendo substituída pelo Instituto Setes, que terá como desafio reverter o cenário de precarização e garantir o atendimento digno à população do Extremo Sul.
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