A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente neste domingo, 16 de agosto. A partir de agora, candidatos a deputado federal e estadual, governo, Senado e Presidência da República entram na fase decisiva da disputa por votos, percorrendo municípios, buscando apoios, ocupando as redes sociais e tentando convencer o eleitor de que são a melhor opção para representar a Bahia.
No Sul e, principalmente, no Extremo Sul da Bahia, a eleição ganha contornos ainda mais importantes.

A região possui peso econômico, turístico, populacional e estratégico, mas há décadas convive com uma reclamação recorrente: a distância entre sua importância e sua capacidade de transformar força econômica em representação política. O eleitor terá, portanto, uma tarefa que vai muito além de escolher um número na urna.

O ELEITOR PRECISA OLHAR ALÉM DO PALANQUE

Em uma eleição marcada por alianças, rearranjos partidários e negociações políticas, é preciso prestar atenção aos caminhos percorridos pelos candidatos em busca do voto.

Quem apoia quem? Quais partidos estão por trás de cada candidatura? Quais grupos políticos estão fazendo alianças? Quais lideranças que antes estavam em lados opostos agora aparecem no mesmo palanque?

E, principalmente: há coerência entre aquilo que o candidato diz defender e as alianças que construiu para chegar ao poder?

Essa pergunta ganha importância diante de candidatos que se apresentam ao eleitor como representantes de determinada corrente ideológica, mas que, na construção de suas candidaturas, estabelecem acordos com partidos e grupos políticos de posições bastante diferentes.

Alianças fazem parte do processo democrático e, por si só, não significam qualquer irregularidade. Mas o eleitor tem o direito de conhecer essas alianças e avaliar sua coerência. Quem se apresenta como defensor de determinada bandeira precisa estar preparado para explicar suas escolhas políticas.

Discurso de campanha não pode ser analisado separado da trajetória.

Também será necessário distinguir aqueles que possuem histórico comprovado de atuação pública daqueles que chegam pela primeira vez ao cenário eleitoral prometendo resolver problemas que acompanham a região há décadas. Quem nunca exerceu mandato ou função pública tem, evidentemente, todo o direito de disputar uma eleição. Mas o eleitor também tem o direito — e a responsabilidade — de perguntar:

O que esse candidato já fez pela sociedade? Qual é sua trajetória? Que causas defendeu? Que resultados produziu? Quem são seus aliados? De onde vem sua estrutura política? Quais compromissos estão sendo assumidos para conquistar o voto?

É esse tipo de questionamento que transforma eleição em exercício de cidadania — e não simplesmente em disputa de popularidade.

UMA ELEIÇÃO COM CENTENAS DE CANDIDATOS

O cenário baiano é de forte concorrência. Em meio a centenas de candidaturas, o eleitor do Sul e Extremo Sul terá de identificar quais nomes possuem efetivamente condições políticas, eleitorais e partidárias de transformar votos em mandato. E essa não é uma tarefa simples. A eleição para deputado é proporcional. O desempenho individual do candidato é importante, mas a distribuição das cadeiras também está relacionada ao desempenho das legendas e federações. Isso significa que uma candidatura pode ser muito forte em determinado município e, ainda assim, enfrentar dificuldades para transformar essa votação em mandato.

Da mesma forma, candidatos capazes de espalhar seus votos por diferentes cidades podem construir uma votação competitiva sem necessariamente serem os mais votados em um único município. É nesse complexo tabuleiro que começa a campanha.

CLÁUDIA OLIVEIRA - A BUSCA PELO TERCEIRO MANDATO

Entre os nomes mais conhecidos do Extremo Sul está Cláudia Oliveira (PSD). Ex-prefeita de Porto Seguro e atual deputada estadual, ela disputa a reeleição e tenta chegar ao terceiro mandato na Assembleia Legislativa da Bahia. Seu principal patrimônio eleitoral é justamente a experiência acumulada. Cláudia já ocupou a Prefeitura de Porto Seguro e construiu uma base política importante na Costa do Descobrimento. Na eleição proporcional, porém, experiência não significa garantia de vitória. Quem busca a reeleição possui algumas vantagens: mandato, visibilidade, estrutura partidária e histórico eleitoral. Mas também enfrenta uma cobrança maior. Para quem já esteve no poder, a campanha deixa de ser apenas uma apresentação de propostas para o futuro.

Passa a ser também uma prestação de contas do passado. O eleitor pode — e deve — perguntar o que foi feito, quais resultados foram alcançados e qual foi a efetiva contribuição do mandato para Porto Seguro, Costa do Descobrimento e demais municípios onde a candidata busca votos.

O CAPÍTULO JUDICIAL

Também faz parte da trajetória política de Cláudia Oliveira um conjunto de processos e investigações que precisam ser conhecidos pelo eleitor. Entre eles está a Operação Fraternos, que investigou contratos públicos envolvendo as administrações de Porto Seguro, Eunápolis e Santa Cruz Cabrália. Um dos principais processos derivados da investigação é a Ação Penal nº 1002292-02.2021.4.01.3310, que tramita na Justiça Federal de Eunápolis. Há ainda a Ação Penal nº 1002785-76.2021.4.01.3310, relacionada a recursos vinculados à educação, na qual Cláudia foi condenada em primeira instância a 8 anos e 9 meses de prisão. É fundamental, entretanto, estabelecer a diferença entre investigação, processo, condenação em primeira instância e condenação definitiva. Uma condenação de primeira instância está sujeita aos recursos previstos em lei e não deve ser apresentada como trânsito em julgado. Da mesma forma, a existência de uma investigação ou ação penal não significa, por si só, culpa definitiva. O papel do jornalismo é apresentar os fatos e permitir que o eleitor conheça a trajetória completa de quem pede seu voto. E, neste caso, a trajetória judicial também faz parte dessa história.

JÂNIO JÚNIOR - O TESTE DO SOBRENOME E DA ESTRUTURA POLÍTICA

Outro nome que entra no tabuleiro estadual é Jânio Júnior (PL). Filho do prefeito de Porto Seguro, Jânio Natal, o candidato chega à disputa amparado por uma estrutura política municipal que pretende ultrapassar as fronteiras de Porto Seguro. O peso político do grupo familiar é um dos principais ativos da candidatura. Mas também representa um desafio. Jânio Júnior terá de transformar a força política do sobrenome em votação própria e regional. Uma coisa é possuir forte estrutura em Porto Seguro. Outra é conseguir construir uma rede eleitoral suficientemente ampla para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa. O teste será justamente esse: até onde a força política de Porto Seguro conseguirá avançar?

CAPITÃO FRANÇA - A APOSTA EM UMA CANDIDATURA DA TERRA

Entre os nomes que começam a disputar espaço na eleição estadual está Capitão França, pré-candidato a deputado estadual. Representante do segmento ligado à segurança e ao serviço público, França surge como uma alternativa que busca se apresentar como uma candidatura genuinamente regional, com discurso voltado para as necessidades cotidianas da população do Sul e Extremo Sul da Bahia.

Seu principal ativo eleitoral está justamente na proximidade com os problemas enfrentados pela população e na experiência acumulada no serviço público e na área de segurança.

A candidatura tenta ocupar um espaço frequentemente reivindicado pelo eleitor regional: o de escolher alguém que conheça de perto a realidade dos municípios e não dependa exclusivamente de estruturas políticas externas para construir sua campanha.

Mas o desafio será transformar essa identificação regional em votos. Como candidato que busca chegar pela primeira vez ao Legislativo estadual, Capitão França terá pela frente uma disputa particularmente difícil. No campo estadual, enfrentará candidatos com mandato, estruturas partidárias consolidadas, famílias políticas tradicionais e máquinas eleitorais já montadas. Sua vantagem poderá estar justamente na possibilidade de apresentar-se como uma alternativa de renovação, especialmente para o eleitor que procura nomes sem uma longa trajetória de ocupação de cargos eletivos. Mas, como acontece com todos os demais candidatos, o discurso precisará ser acompanhado de propostas concretas.

Segurança pública, saúde, infraestrutura, estradas, turismo, geração de empregos e desenvolvimento regional são problemas conhecidos da população sul-baiana. A pergunta que o eleitor deverá fazer será simples: Capitão França conseguirá transformar sua experiência no serviço público e seu conhecimento da realidade regional em uma candidatura eleitoralmente competitiva?

A resposta dependerá da capacidade de construir uma base de apoio além de seu segmento de origem e, principalmente, de convencer o eleitor de que representa uma alternativa capaz de transformar discurso em atuação política.

ROBINHO - DA ASSEMBLEIA PARA BRASÍLIA

Na disputa por uma cadeira de deputado federal, Robinho (União Brasil) aparece entre os nomes que pretendem ampliar sua área de atuação. Ex-prefeito de Nova Viçosa e deputado estadual, Robinho já possui experiência eleitoral e mandato na Assembleia. A mudança de uma disputa estadual para uma eleição federal, entretanto, aumenta o tamanho do desafio. Para chegar à Câmara dos Deputados, será necessário ampliar significativamente a votação e construir uma presença eleitoral que ultrapasse sua base tradicional. O Extremo Sul terá de responder nas urnas se a força construída por Robinho ao longo de sua trajetória é suficiente para levá-lo a Brasília.

RAISSA SOARES -  O CONSERVADORISMO TENTA GANHAR UMA CADEIRA EM BRASÍLIA

Entre as candidaturas que buscam uma vaga na Câmara Federal está Doutora Raissa Soares (PL). Médica e ex-secretária de Saúde de Porto Seguro, Raissa ganhou projeção política nacional durante a pandemia e, em 2022, disputou uma vaga ao Senado pela Bahia pelo PL. Agora, busca uma cadeira na Câmara dos Deputados. Sua candidatura apresenta uma característica diferente das demais: uma base ideológica conservadora associada a uma forte presença regional na Costa do Descobrimento. O desafio agora é transformar sua trajetória e sua votação anterior em uma candidatura competitiva para a Câmara. A eleição proporcional exige outra estratégia.

Raissa terá de ampliar sua presença para além de seu eleitorado tradicional e construir uma rede de apoio capaz de levar votos para diferentes regiões do Estado. Seu discurso deverá ser confrontado pelo eleitor com sua trajetória política, sua atuação na saúde e os posicionamentos que adotou ao longo dos últimos anos.

ELIANA JORGE - O NOVO TENTA CONQUISTAR ESPAÇO NO SUL DA BAHIA

Outra candidatura que chama atenção é a de Eliana Jorge (NOVO). Sua candidatura representa uma tentativa de ampliar a presença do NOVO na região e apresentar ao eleitor uma alternativa fora das estruturas políticas tradicionais. O discurso apresentado pela candidata está associado a temas como liberdade, família, educação, empreendedorismo, turismo, geração de empregos e desenvolvimento regional.

Mas, como ocorre com qualquer candidatura que busca seu primeiro mandato, existe um desafio evidente: transformar discurso em estrutura eleitoral e estrutura eleitoral em votos. Eliana terá de construir uma rede de apoio capaz de competir com candidatos que possuem prefeitos, vereadores, partidos, grupos políticos e anos de experiência eleitoral.

O eleitor também terá de avaliar a diferença entre uma candidatura que representa renovação e uma candidatura que ainda precisa provar sua capacidade de produzir resultados políticos concretos.

NETO CARLETTO - A DEFESA DO MANDATO FEDERAL

Entre os candidatos que buscam a reeleição para deputado federal está Neto Carletto (Avante). Natural de Itamaraju e integrante de uma família tradicional da política regional, Neto foi eleito deputado federal em 2022 e atualmente exerce mandato na Câmara dos Deputados. A situação de Neto é diferente da dos candidatos que tentam chegar pela primeira vez à Câmara.
Ele já possui mandato.

Isso significa que o eleitor terá condições de analisar sua atuação parlamentar, seus posicionamentos, articulações, participação em comissões e atuação em favor dos municípios. Em 2026, o desafio de Neto será transformar o mandato exercido nos últimos quatro anos em argumento eleitoral suficiente para garantir a renovação de sua cadeira. 

A pergunta para o eleitor é direta: O que Neto Carletto entregou à região durante o mandato e o que pretende entregar caso seja reeleito?Essa é a cobrança natural para qualquer parlamentar que busca permanecer no cargo.

ULDURICO PINTO - EXPERIÊNCIA CONTRA O DESAFIO DA RECONSTRUÇÃO

Outro nome conhecido da política regional é Uldurico Pinto (Rede). Natural de Medeiros Neto e integrante de uma família com longa trajetória política, Uldurico tenta retornar à Câmara dos Deputados. Seu principal patrimônio é a experiência e a memória eleitoral. Mas esse também pode ser seu maior desafio.

A política regional mudou. Novas lideranças surgiram, antigas alianças foram modificadas e o eleitorado tornou-se mais fragmentado. A pergunta que acompanha sua candidatura é simples: A trajetória construída no passado ainda possui força suficiente para produzir uma votação competitiva em 2026? A resposta será dada pelo eleitor.

BEBETO GALVÃO - A TENTATIVA DE VOLTAR À CÂMARA

No Sul da Bahia, Bebeto Galvão (PSD) também disputa uma vaga de deputado federal. Ex-deputado federal, ex-vereador e ex-vice-prefeito de Ilhéus, Bebeto possui trajetória política consolidada na região. Sua experiência pode ser um ativo eleitoral. Mas, novamente, experiência também traz cobrança. Quem já ocupou uma cadeira em Brasília precisa apresentar ao eleitor razões concretas para retornar. O eleitor deverá avaliar não apenas a história política de Bebeto, mas também aquilo que ele pretende fazer caso volte ao Congresso Nacional.

QUEM ESTÁ TENTANDO CHEGAR, QUEM QUER VOLTAR E QUEM QUER FICAR?

O tabuleiro regional começa a ficar mais claro. Na disputa estadual, Cláudia Oliveira tenta permanecer e alcançar o terceiro mandato, enquanto Jânio Júnior e Capitão França buscam conquistar espaço e chegar pela primeira vez à Assembleia. Na disputa federal, o cenário é ainda mais diversificado. Neto Carletto tenta renovar o mandato. Robinho quer mudar de patamar e sair da Assembleia para chegar à Câmara. Doutora Raissa tenta transformar sua trajetória política em uma cadeira federal. Eliana Jorge representa uma tentativa de renovação através do NOVO. Uldurico Pinto tenta retornar à Câmara. Bebeto Galvão também busca recuperar seu espaço em Brasília. São estratégias completamente diferentes. E justamente por isso a eleição promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos.

O PROBLEMA HISTÓRICO: VOTOS DEMAIS, REPRESENTAÇÃO DE MENOS?

Talvez um dos principais desafios políticos do Sul e Extremo Sul seja a fragmentação do voto. A região possui dezenas de municípios e um eleitorado expressivo, mas frequentemente distribui seus votos entre candidatos locais, estaduais e nomes de outras regiões.

O resultado é que milhares de votos produzidos regionalmente nem sempre se transformam em uma representação proporcional à importância econômica e populacional do território. Em 2026, esse fenômeno poderá ser ainda mais evidente. De um lado, candidatos tradicionais tentando manter ou recuperar espaço. Do outro, novas lideranças municipais buscando transformar influência local em mandato estadual ou federal. E, no meio disso, candidatos de outras regiões chegando ao Sul e Extremo Sul acompanhados de prefeitos, vereadores, partidos e estruturas eleitorais. O eleitor será disputado em praticamente todos os municípios.

QUEM TEM CHANCE DE ELEGER OU REELEGER?

É cedo para afirmar quem será eleito. Qualquer tentativa de apresentar uma lista definitiva de vencedores neste momento seria mais torcida do que jornalismo. O que pode ser analisado são os fatores que aumentam ou reduzem a competitividade de cada candidatura. Quem busca reeleição parte com a vantagem de já possuir mandato, exposição pública e histórico eleitoral. Quem tenta voltar ao poder possui a vantagem da experiência, mas precisa demonstrar que ainda conserva capital político. Quem estreia na disputa pode representar renovação, mas precisa transformar visibilidade ou estrutura local em votos. E quem troca uma candidatura estadual por uma federal precisa enfrentar um universo eleitoral muito maior. 

Por isso, o AGAZETTA não tratará a campanha como uma simples corrida de nomes. A análise precisa considerar: histórico eleitoral; presença municipal; alianças; estrutura partidária; votação anterior; capacidade de ampliar bases; atuação parlamentar; histórico de serviços prestados; e, sobretudo, aquilo que cada candidato efetivamente entregou à sociedade.

A CAMPANHA COMEÇOU. AGORA COMEÇA A COBRANÇA.

O Sul e o Extremo Sul da Bahia não podem ser lembrados apenas durante o período eleitoral. A região precisa de representantes capazes de defender seus interesses durante os quatro anos de mandato — e não apenas durante os meses que antecedem a eleição.
A campanha começou. Agora começa também a fase em que cada candidato terá de mostrar o que fez, o que pretende fazer, com quem pretende fazer e quais compromissos assumiu para chegar ao poder. O eleitor precisa olhar para além do discurso. Precisa observar os palanques. As alianças. Os partidos. Os acordos. A trajetória. Os resultados. E, principalmente, a coerência entre aquilo que se promete e aquilo que se pratica. Porque, no final, o voto é individual.

E antes de apertar a tecla CONFIRMA, o eleitor precisa saber exatamente quem está pedindo seu voto, quem está ao lado dele, qual é sua história e quais interesses estarão representados quando as urnas forem fechadas.

A campanha começou. A palavra, agora, é do eleitor.