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Por décadas, a esquerda tem se apresentado como porta-voz da tolerância, do diálogo e dos direitos humanos. No entanto, a história recente — e passada — mostra um retrato bem diferente: o da violência ideológica, da intimidação e da eliminação de adversários políticos por meio de atentados, assassinatos ou perseguições disfarçadas de legalidade. Quando a direita cresce, aparece nas pesquisas ou ameaça hegemonias, os ataques se tornam uma constante. A verdade é que a esquerda tem raízes profundas em movimentos armados, guerrilhas e, muitas vezes, age como tal, mesmo dentro das instituições democráticas.
O mais emblemático caso recente no Brasil foi o atentado contra Jair Bolsonaro, então candidato à presidência da República, que em 6 de setembro de 2018 levou uma facada no abdômen durante um ato público em Juiz de Fora (MG). O autor, Adélio Bispo de Oliveira, tinha histórico de militância de esquerda, sendo filiado ao PSOL entre 2007 e 2014, com participação anterior em atos contra o impeachment de Dilma Rousseff e manifestações pró-Lula. Mesmo diante dessas evidências, a narrativa institucional e midiática se apressou em classificá-lo como “doente mental”, sem motivações políticas. O fato é que Bolsonaro estava em primeiro lugar nas pesquisas quando foi atacado — e venceu a eleição mesmo após ter sua campanha reduzida a vídeos e lives, com a barriga aberta por cirurgia.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump, também de direita, sofreu um atentado a tiros em 13 de julho de 2024, durante um comício na Pensilvânia. Um dos disparos atingiu sua orelha. Por pouco, o episódio não se tornou um novo assassinato político de um presidente conservador. E, ainda assim, parte da imprensa tentou minimizar os fatos, tratando como “distúrbio isolado”. Trump venceu a eleição, mas a tentativa de silenciar sua campanha fisicamente é sintoma claro da escalada autoritária de quem não aceita a alternância de poder.
Mais recentemente, em 7 de junho de 2025, Miguel Uribe Turbay, senador colombiano e pré-candidato à presidência, foi baleado na cabeça durante um evento político em Bogotá. Uribe é um dos maiores opositores do presidente Gustavo Petro, ligado à esquerda latino-americana. O estado de saúde de Uribe é gravíssimo, e ele segue internado na UTI com risco de morte cerebral. O ataque ocorreu em praça pública, diante de apoiadores, no meio de um discurso sobre corrupção estatal. Até agora, nenhuma condenação firme veio de líderes internacionais progressistas. Silêncio constrangedor — e revelador.
Na Europa, o caso de Pim Fortuyn, político conservador holandês, também expõe o perigo que a direita enfrenta quando se torna popular. Fortuyn, que liderava as pesquisas nas eleições de 2002 com pautas anti-imigração e defesa dos valores tradicionais, foi assassinado a tiros por um militante de esquerda, que declarou querer impedir sua ascensão política. Nove dias depois, sua legenda venceu as eleições parlamentares, mesmo sem ele vivo para assumir.
Outro exemplo dramático foi o atentado contra o então presidente dos EUA Ronald Reagan em 1981, que levou um tiro no peito e teve seu secretário de imprensa, James Brady, permanentemente incapacitado. Embora o atirador alegasse motivações pessoais, o contexto era de alta tensão ideológica nos Estados Unidos, e o crime foi explorado à exaustão por grupos contrários às políticas conservadoras.
Na Eslováquia, o primeiro-ministro Robert Fico, também de direita, levou cinco tiros em maio de 2024 durante um evento público. O agressor declarou ser contrário às políticas de Fico sobre a guerra na Ucrânia e à sua aproximação com setores conservadores da Europa Oriental. O premiê passou semanas internado e, embora tenha sobrevivido, ficou com sequelas motoras e cognitivas.
Mais recentemente ainda, outro escândalo autoritário envolveu a seleção de futebol da Bolívia, que foi impedida de deixar a Venezuela após um jogo válido pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Após perder para a seleção venezuelana por 2 a 0, a delegação foi mantida contra a vontade no hotel, impedida de embarcar por mais de 12 horas, sob ordens não oficiais do regime de Nicolás Maduro. Parlamentares bolivianos denunciaram o caso como um sequestro político, típico de ditaduras que usam o esporte para reprimir adversários.
Esse comportamento não é novo. O regime de Fidel Castro, em Cuba — ícone da esquerda latino-americana — perseguiu, prendeu e internou homossexuais em campos de "reeducação" nas décadas de 60 e 70. Muitos desses fatos são ocultados ou relativizados por intelectuais e artistas que romantizam a revolução cubana como um "ato de libertação popular". Mas a realidade foi (e é) de repressão, censura e violência política. O próprio partido de Fidel, o Partido Comunista Cubano, nasceu de uma guerrilha armada que tomou o poder pela força, e que segue há mais de 60 anos sem alternância de poder.
A pergunta que não quer calar é: por que os atentados e perseguições têm como alvo majoritariamente líderes de direita? Onde estão os casos de grandes líderes da esquerda sendo assassinados ou atacados durante ascensões eleitorais? Onde estão os presidentes socialistas que sofreram atentados por motivação ideológica? Até hoje, não há registro de que figuras como Lula, Dilma, Maduro ou Evo Morales tenham sido vítimas de agressão armada de direitistas em eventos públicos.
A resposta é dura, mas simples: a esquerda, quando não vence no voto, tenta vencer no grito, na compra do sistema ou na manipulação das leis do judiciário — e, às vezes, na bala. Se veste de pacifismo para o discurso, mas age com radicalismo contra qualquer oposição real. A retórica da "democracia" e da "liberdade" serve apenas enquanto os adversários estão calados ou derrotados. Quando crescem, são perseguidos, criminalizados ou feridos.
Não se trata aqui de generalizar todos os militantes de esquerda como violentos. Mas é preciso reconhecer que, em número assustador de vezes, é contra a direita que os tiros são disparados, as facas cravadas, os microfones desligados e as instituições mobilizadas para silenciar vozes.
Essa realidade precisa ser exposta, debatida e denunciada. Democracia não é apenas o direito de votar — é o direito de disputar, de criticar, de existir politicamente sem medo de morrer por isso.
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