Outrora ágil em afastar ministros envolvidos em escândalos, Lula parece ter perdido a mão. A rapidez em demitir figuras controversas, como fez com José Dirceu durante o mensalão, contrastava com a demora recente em lidar com casos como o de Juscelino Filho e o escândalo do INSS.

A figura de Dirceu, outrora temida e poderosa, exemplifica a capacidade de Lula em agir decisivamente para preservar sua imagem. No entanto, a hesitação atual em remover ministros sob suspeita, como Juscelino Filho, demonstra uma mudança de postura. A demora em lidar com o caso, apesar das crescentes denúncias, contribuiu para o desgaste da popularidade presidencial.

O escândalo do INSS, com estimativas de prejuízo superiores a R$ 90 bilhões, expôs ainda mais a lentidão de Lula em tomar medidas enérgicas. A tentativa do governo de minimizar o impacto, atribuindo a culpa a gestões anteriores, falhou diante da magnitude dos números. A demissão tardia de Carlos Lupi, seguida pela nomeação de seu número dois, Wolney Queiroz, apenas agravou a situação.

A escolha de Queiroz, visto como cúmplice ou incompetente, intensificou as críticas. A oposição, naturalmente, aproveitou o momento para atacar, e o governo se viu em uma posição delicada.

Com dois anos de mandato restantes e as eleições se aproximando, Lula enfrenta o desafio de recuperar a popularidade. A manutenção de ministros sob suspeita, em nome da "articulação" política, pode se revelar um erro estratégico, comprometendo suas chances de reeleição. A urgência em mudar a postura é evidente, sob o risco de a impunidade percebida corroer ainda mais a confiança pública.