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Em meio às investigações e à politização dos eventos relacionados ao 8 de janeiro de 2023, documentos e mensagens obtidos pela Polícia Federal vêm sendo usados por setores da imprensa para sugerir que o general Marco Antônio Freire Gomes teria conhecimento ou até anuído com possíveis intenções golpistas do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, uma análise cuidadosa das conversas registradas no celular de Mauro Cid — então ajudante de ordens de Bolsonaro — revela o oposto: Freire Gomes se manteve fiel à Constituição e rejeitou participar de qualquer ruptura institucional.
Mensagem de despedida: “Deus estará com ele”
No dia 30 de dezembro de 2022, última data de Freire Gomes no cargo de comandante do Exército Brasileiro, ele enviou uma mensagem emocional a Mauro Cid, lamentando sua saída, mas afirmando com firmeza que sua “consciência” dizia que o presidente Jair Bolsonaro havia feito o correto.
“Meu coração está muito triste. Minha alma amargurada. Mas a consciência me diz que o PR fez o correto. Deus estará com ele.” — escreveu o general às 19h12.
Em resposta, Cid afirmou:
“Com um assessoramento justo, leal e fiel do senhor! O futuro dirá!!”
A troca evidencia uma despedida respeitosa e a avaliação pessoal de que, no entender do general, Bolsonaro havia tomado decisões legítimas — sem, em momento algum, se referir a medidas de ruptura ou qualquer menção a atos inconstitucionais.
A recusa ao decreto de Estado de Defesa
O momento mais sensível na cronologia foi a reunião de 14 de dezembro de 2022, onde, segundo investigações, Bolsonaro teria cogitado decretar estado de defesa como meio de impedir a posse de Lula. O general Freire Gomes, conforme relatos amplamente conhecidos, rejeitou firmemente a ideia.
Sua postura foi considerada um ponto de inflexão. Fontes militares apontam que a recusa do então comandante do Exército inviabilizou qualquer continuidade da proposta. Tal decisão, longe de configurar apoio a atos golpistas, foi determinante para a manutenção da ordem constitucional.
Aliás, foi a própria rejeição de Freire Gomes que causou reações hostis entre bolsonaristas radicais. Em conversas internas de aliados do ex-presidente, como o general Braga Netto, foram feitas críticas duras:
“A culpa pelo que está acontecendo e acontecerá é do general Freire Gomes. Omissão e indecisão não cabem a um combatente.”
Esse posicionamento revela que, de fato, Freire Gomes não compactuou com articulações golpistas e sofreu, inclusive, pressão de seus pares por se recusar a embarcar em propostas inconstitucionais.
Repercussão nos grupos bolsonaristas
Mensagens e postagens de grupos pró-Bolsonaro, resgatadas pela Polícia Federal, mostram que Freire Gomes foi duramente criticado por setores mais extremistas da base do ex-presidente. Sua posição de fidelidade à legalidade e sua recusa a embarcar em aventuras institucionais fizeram com que fosse visto como “traidor” por essas alas — contradizendo diretamente a narrativa de que teria apoiado qualquer tentativa de golpe.
Relação com Mauro Cid: contatos esporádicos e respeitosos
O conteúdo das 38 mensagens entre Mauro Cid e o general também reforça a ausência de qualquer coordenação para atos golpistas. Os registros mostram:
19 de dezembro de 2022: Felicitações natalinas da família do general.
1º de janeiro de 2023: Cid envia uma notícia sobre possível prisão. Sem resposta.
23 de janeiro de 2023: Cid manifesta medo de perder posto no BAC. Sem resposta.
24 de janeiro de 2023: Duas ligações não atendidas por Cid. Freire Gomes tenta retornar.
19 e 21 de março de 2023: O general responde uma reportagem crítica e mostra solidariedade.
As últimas mensagens do general foram um meme e uma corrente de oração.
Esse padrão de comunicação — pontual, informal, e sem conteúdo conspiratório — não sustenta a narrativa de articulação golpista. Pelo contrário, evidencia distanciamento.
Depoimento à PF: pressão, não adesão
Em seu depoimento à Polícia Federal, Freire Gomes afirmou ter sido pressionado por militares para aderir à ruptura, mas que resistiu. Essa afirmação, aliada à ausência de mensagens que o comprometam, desmonta interpretações forçadas da mídia ou de setores que tentam vincular sua imagem a ações ilegais.
Ausência de dolo, presença de legalidade
As mensagens recuperadas e analisadas demonstram que o general Marco Antônio Freire Gomes não apenas recusou-se a aderir a um possível golpe, como também foi decisivo para impedir qualquer tentativa de ruptura constitucional. A ideia de que o general teria corroborado atos golpistas se mostra não apenas sem base, mas contraditória diante das provas.
A insistência em usá-lo como elo da acusação nos processos do 8 de janeiro perde força diante da realidade dos fatos. Em tempos em que a verdade parece disputada, os registros mostram: Freire Gomes esteve do lado da Constituição.
Fontes:
– Relatórios da Polícia Federal
– Conversas extraídas do celular de Mauro Cid
– Depoimentos em inquérito judicial
– Registro público de declarações de autoridades militares e civis
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