A decisão do governo dos Estados Unidos de revogar o visto do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e de seus aliados gerou um racha imediato no cenário político brasileiro. Enquanto a oposição comemora a medida, vendo-a como um passo contra a "perseguição política", os governistas a interpretam como uma grave "retaliação" e interferência na soberania nacional.
A notícia, divulgada pelo Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acendeu o debate. Para o líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), a ação de Washington "reflete o avanço da ofensiva internacional da extrema direita contra o Judiciário brasileiro". Em uma publicação na rede social X (antigo Twitter), Farias classificou a medida como uma "retaliação explícita às decisões da Justiça brasileira — em especial, à imposição de tornozeleira eletrônica a Jair Bolsonaro".
O parlamentar petista não poupou críticas, chamando a atitude de "tentativa de constranger magistrados e interferir indevidamente em nossa soberania" e "um ato inaceitável de agressão a um Poder da República". Lindbergh Farias ainda enfatizou que a "aliança entre bolsonarismo e trumpismo ultrapassou todos os limites", transformando "um processo penal legítimo em chantagem diplomática". Sua mensagem final foi um desafio: "O Brasil não se curvará".
Em contraste, deputados da oposição ao governo Lula expressaram satisfação. O delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) divulgou em suas redes sociais a informação de que o governo norte-americano "acaba de retirar vistos de Alexandre de Moraes, sua família e a outros ministros do STF, bem como, possivelmente, outras autoridades que participam da perseguição a Jair Bolsonaro e a direita". Bilynskyj concluiu sua postagem com a provocação: "Vem mais por aí?".
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) também se manifestou, repostando uma notícia com o título irônico: "Ministros do STF fazem piada sobre quem terá visto para os EUA cancelado por Donald Trump".
A revogação de vistos de autoridades brasileiras por parte dos Estados Unidos não é um evento comum e, por sua natureza, acirra ainda mais os ânimos políticos no Brasil, levantando questões sobre diplomacia, soberania e a polarização interna.
