O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou à Polícia Federal, na tarde de quinta-feira (5/6), ter enviado R$ 2 milhões ao seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que atualmente está nos Estados Unidos. O valor teria sido transferido no dia 13 de maio, por meio de Pix.

Segundo Bolsonaro, os recursos não têm relação com nenhuma atividade ilegal. “Ele está levando a vida dele. Dinheiro limpo, legal. A acusação é de que estou financiando atos antidemocráticos”, disse o ex-presidente à imprensa após prestar depoimento.

A oitiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que investiga a atuação de Eduardo junto ao governo do ex-presidente Donald Trump para tentar aplicar sanções contra autoridades brasileiras. Moraes é um dos alvos dessas ações.

Depoimento e investigação

Bolsonaro chegou à sede da PF pouco antes das 15h e saiu após as 17h. Segundo a investigação, ele seria o responsável pelo sustento de Eduardo nos EUA, motivo pelo qual foi intimado a prestar esclarecimentos.

O deputado, por sua vez, prestará depoimento por escrito, já que está fora do país desde março, quando pediu licença da Câmara dos Deputados para “denunciar abusos” do ministro Alexandre de Moraes em solo americano.

O caso ganhou força após o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) provocar a Procuradoria-Geral da República (PGR), que então pediu ao STF a abertura de inquérito. O pedido foi acatado por Moraes no dia 26 de maio.

Lei Magnitsky

A investigação gira em torno do suposto lobby de Eduardo para que os EUA apliquem a chamada Lei Global Magnitsky contra autoridades brasileiras. A legislação americana permite sanções como bloqueio de bens e proibição de entrada no país, sem necessidade de processo judicial, a indivíduos envolvidos em violações graves de direitos humanos — como tortura, prisões arbitrárias e perseguições políticas.

Essa lei já foi usada contra membros do Judiciário da Rússia, Turquia e Hong Kong. No Brasil, Eduardo tem divulgado abertamente seu esforço para aplicar a norma contra ministros do STF, a PGR e a própria Polícia Federal.

De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, há “tom intimidatório” nas manifestações de Eduardo, com possível intenção de constranger investigadores e magistrados diante de eventuais condenações.

Pressão internacional

Entre as articulações de Eduardo nos EUA, destaca-se a manifestação do senador republicano Marco Rubio e o discurso do deputado Cory Mills (R-FL), que, no último dia 21 de maio, denunciou suposta “censura generalizada” no Brasil e defendeu sanções a autoridades brasileiras. “Isso está sendo analisado agora. E há uma grande possibilidade de que isso aconteça”, afirmou Rubio.

Bolsonaro no centro da Justiça

O depoimento à PF ocorre quatro dias antes de Bolsonaro ser interrogado pelo STF na Ação Penal 2668, que apura tentativa de golpe de Estado. Ele é um dos oito réus do chamado “núcleo central da trama golpista” e deverá se apresentar à Justiça na próxima segunda-feira (9/6), às 14h. As audiências seguem até sexta-feira (13/6).

Além dele, outros aliados estão na mira da Justiça. A deputada Carla Zambelli (PL-SP), por exemplo, teve a prisão preventiva decretada por Alexandre de Moraes após ser condenada pelo STF a 10 anos e 8 meses de prisão. A condenação se deu pelo ataque hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023, planejado por ela com o hacker Walter Delgatti.