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Na ONU, Lula buscou sua fotografia histórica. O gesto ensaiado: aperto de mão em Volodymyr Zelensky, sorriso protocolar, como se a simples imagem pudesse recolocar o Brasil no tabuleiro da guerra da Ucrânia. Mas a foto não apaga o incômodo — nem a memória recente das palavras que o presidente ucraniano soltou em rede nacional brasileira.
Dias atrás, em entrevista a Luciano Huck, Zelensky não mediu críticas:
“Ele mora nas narrativas da União Soviética. É uma pena que reconheça apenas a parte da vida, a parte da relação entre Brasil e União Soviética. Lula pensa na Rússia como se fosse a União Soviética de hoje.”
Era a primeira estocada: para Zelensky, Lula não é mediador moderno, mas sim um sobrevivente da Guerra Fria, refém de lentes embaçadas que ainda enxergam Moscou como centro de uma utopia perdida.
A seguir, veio a sequência de perguntas afiadas:
“A China é democrática? Não. O Irã é democrático? Não. A Coreia do Norte? Também não. Então o que o Brasil faz nessa companhia?”
A ironia não poderia ser mais cortante: um país que se vangloria de ser a “maior democracia do Sul global” prefere posar ao lado de ditaduras quando o assunto é geopolítica. Zelensky deixou claro que não entende essa contradição — e, mais do que isso, expôs a hipocrisia da neutralidade brasileira.
E então lançou a metáfora que ecoa até hoje:
“O que vocês acham? O povo brasileiro e o presidente Lula — quem vai engolir quem? O Brasil engolirá esses três países aliados, ou eles engolirão o Brasil? Melhor não ver o resultado da minha pergunta.”
Um alerta vestido de sarcasmo: o Brasil, ao insistir nesse alinhamento, corre o risco de ser tragado por quem diz defender.
Mas a cena patética da semana não parou aí. Lula, que no palanque chama Trump de fascista e posa de valente, recuou quando teve a chance de encará-lo de frente em Nova York. O encontro foi anunciado, depois cancelado com a desculpa esfarrapada da “falta de tempo”. O que se viu não foi coragem de estadista, mas medo disfarçado de estratégia. Um presidente que foge antes mesmo de sentar à mesa — e que confirma ao mundo a fama de “arregão histórico”.
O saldo? De um lado, Zelensky desmonta Lula em rede nacional, chamando-o de prisioneiro das narrativas soviéticas e questionando suas companhias autoritárias. Do outro, o presidente brasileiro foge de Trump, incapaz de sustentar o mesmo tom duro que usa em palanques domésticos.
Na prática, a realidade é cruel: o Brasil não tem voz na guerra da Ucrânia. Nenhuma representatividade real. Nenhum assento nas mesas que decidem, nenhum peso nas negociações que importam. Zelensky fala com Biden, com a União Europeia, com a OTAN. Lula serve apenas para a foto oficial — e ainda carrega o peso de ter sido ironizado por um e ignorado pelo outro.
Assim, o encontro de hoje em Nova York não passa de teatro vazio: o mediador sem plateia, que fugiu do embate com Trump, foi ridicularizado por Zelensky e insiste em se enxergar gigante, quando o mundo já o reduziu a mero coadjuvante de luxo.
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