O senador Sergio Moro (União-PR) fez uso da palavra nesta quarta-feira, 22, no plenário do Senado Federal, para se manifestar a respeito da Operação Sequaz, da Polícia Federal, que desarticulou um plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) que visava o assassinato de autoridades e políticos, dentre eles o próprio parlamentar. Em seu discurso, o ex-juiz falou em “fato lamentável” e disse o plano era uma “forma de retaliação do trabalho que fizemos como juiz e como ministro da Justiça”, durante do governo Bolsonaro, citando o “isolamento de lideranças do PCC e a transferência para presídios federais”. “Ou nós enfrentamos [o crime organizado], ou quem vai pagar vai ser as autoridades e a sociedade. Não podemos nos render.”

Apesar dos agradecimentos à Polícia Federal, policiais e autoridades, Moro também comentou sobre as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que desejava, durante seu período na prisão, em Curitiba, se vingar do ex-juiz. O parlamentar lamentou e disse que as falas do mandatário colocam ele e sua família a riscos. “Porque incentiva o comportamento de mentes influenciáveis e que podem nos colocar em uma situação vulnerável. Gostaria, mais que uma palavra, um gesto. Gostaria de ter o apoio do governo federal, dos representantes do PT e da base para esse projeto [de lei apresentado], para que possamos superar e redimir esse episódio”, afirmou. “Quando a gente combate a corrupção tentam nos matar com mentiras. Quando a gente combate o crime organizado, tentam nos matar de verdade”, acrescentou.

Com o pedido de apoio do PT, Sergio Moro defendeu que o Legislativo responda com o endurecimento da legislação, citando seu Projeto de Lei 1.307/2023, para ampliar a ampliar a proteção dos agentes públicos. “Estamos assistindo atônitos esses ataques à população civil no Rio Grande do Norte, ataques que tem características terroristas, não são próprios de organizações criminosas. E os fatos de hoje revelam uma ousadia assustadora. Desconheço na história da República o planejamento de organizações criminosas contra promotor do caso, mas especialmente contra um senador (…) Precisamos reagir às ações do crime organizado. E como o Senado deve reagir? Com leis para proteger não apenas as autoridades, mas os cidadãos”, defendeu o senador. Sergio Moro recebeu manifestações de solidariedade de outros parlamentares da Casa Alta, que concordaram em discutir propostas para endurecer as leis atuais.