O escândalo envolvendo a compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da COVID-19 ganhou novos desdobramentos com as investigações da Polícia Federal. O contrato, firmado em 2020 com a empresa Hempcare, previa a aquisição de 300 respiradores por R$ 48,7 milhões, valor pago antecipadamente. No entanto, os equipamentos nunca foram entregues, e os recursos foram desviados para fins pessoais, incluindo a compra de veículos de luxo e o pagamento de despesas particulares.

As investigações apontam que a Hempcare, sem experiência na área de equipamentos médicos, transferiu integralmente os valores recebidos para terceiros sem relação com a aquisição dos respiradores. O empresário Cléber Isaac, que se apresentava como amigo do então governador da Bahia e presidente do Consórcio Nordeste, Rui Costa, foi um dos intermediários do negócio e teria recebido comissões milionárias.

A empresária Cristiana Prestes Taddeo, sócia da Hempcare, firmou acordo de delação premiada, devolvendo R$ 10 milhões aos cofres públicos e implicando diversos envolvidos, incluindo Rui Costa . Em decorrência das investigações, a Polícia Federal deflagrou a Operação Cianose, cumprindo 34 mandados de busca e apreensão em quatro estados, visando recuperar os valores desviados.

Apesar das suspeitas e das delações, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou o processo contra Rui Costa, determinando que ele não fosse penalizado no caso da compra frustrada dos respiradores . O inquérito continua em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é responsável por investigar autoridades com foro privilegiado.

O caso dos respiradores do Consórcio Nordeste permanece como um dos maiores escândalos de desvio de recursos públicos durante a pandemia, envolvendo figuras políticas de destaque e revelando falhas graves na gestão de recursos emergenciais.