O Governo da Bahia deu a largada oficial e detalhou a megaoperação para os festejos juninos de 2026, uma engrenagem que promete movimentar mais de 280 municípios. Sob a ótica do turismo e da segurança, os números impressionam: a malha aérea foi fortemente ampliada, consolidando Porto Seguro como o segundo maior polo de voos do estado para o mês de junho, atrás apenas da capital, Salvador. Para garantir o vaivém dos turistas e locais, o Estado mobilizará um exército de mais de 27 mil agentes de segurança e quase 3 mil câmeras com tecnologia de monitoramento integrado integrando o interior e a capital.
No entanto, por trás das luzes dos palcos e do marketing oficial, esconde-se uma realidade incômoda que afeta diretamente o cidadão baiano: a gritante inversão de prioridades na gestão do dinheiro público.
Enquanto prefeituras de pequeno, médio e grande porte empenham cifras milionárias para contratar atrações de peso nacional e montar estruturas faraônicas que duram poucos dias, a população dessas mesmas localidades continua convivendo com problemas crônicos e estruturais. É o contraste do "pão e circo" moderno. No mesmo município onde o cachê de um artista ultrapassa a casa das centenas de milhares de reais, faltam medicamentos básicos nos postos de saúde, o atendimento hospitalar opera no gargalo e as escolas públicas clamam por reformas urgentes.
A festa passa, a poeira baixa, mas os buracos nas ruas permanecem. A falta de saneamento básico, a escassez intermitente de água tratada e a precariedade da infraestrutura urbana são a verdadeira rotina de comunidades que, durante o mês de junho, são maquiadas para parecerem prósperas.
A grande questão que o contribuinte e os órgãos de fiscalização devem fazer neste São João não é sobre quem subirá ao palco, mas sim o preço que a qualidade de vida da população está pagando por algumas noites de euforia bancadas pelo erário. O turismo e a cultura regional são ativos fundamentais para a economia, mas o brilho dos fogos juninos não pode continuar servindo de cortina de fumaça para cobrir o abandono dos serviços essenciais.
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